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domingo, 7 de agosto de 2016

Ainda não se dei quantas taças de vinho
Ou copos de cerveja vou precisar para ver tudo meio nublado
Não é questão de fugir
Apenas ajuda a levar o poema pro papel
Assim como ajuda a dizer umas verdades
A você
Como uma espécie de carta aberta
A minha confusão é tamanha
Que eu não sei onde devo colocar cada texto
Tudo é sempre pra você
E eu odeio isso
Porque você não valoriza meus versos
Cada construção
Cada vírgula
Ou a ausência delas


segunda-feira, 1 de agosto de 2016


A minha teimosia é pelo amor
Eu percorro estradas com o fone de ouvido
Olho o entardecer pela janela, onde montanhas e casas são deixadas para trás
Por mais que eu viva intensamente
Pareço sempre retroceder; é como se estivesse presa nesse sentimento tão tolo
Minha vida é descobrir novos ritmos
A cada nova canção eu transbordo
Tem música tão boa que assim como um beijo seu, não deveria acabar nunca
Com toda minha lucidez dizendo sempre o mesmo
De histórias perdidas para sempre
Por mais que eu viva intensamente, o desejo é sempre velho
Caduca
Parece mesmo que é só você que me faz pensar no tradicional
Na maioria das vezes é somente eu e minha mochila
Tantos destinos, eu quero...
Mas seria mais fácil um sábado chuvoso na sala de casa
O conforto ao seu lado parece tão emocionante quanto o próximo check in
Parece mesmo que é por você que eu largaria tudo isso
Só que você não larga nada
Você me faz sentir vontade de voltar para o eixo
Só que já passou da hora do meu caos emocional acabar
Lá no fundo eu sei
A única coisa que me resta,
E por sua culpa
É embarcar no próximo trem


terça-feira, 31 de maio de 2016


Separei alguns poemas depois de tantos anos de blog.
Talvez eu faça um livro de forma independente, talvez um ebook….
Foi interesante me dedicar a uma tarefa que estava adiando ha tanto tempo.
Alguns eu excluí da minha futura coletânea e o mais impressionante foi ver um pouco da minha mudança, o cuidado com o texto, a palavra escolhida. O tema, nao tem jeito, a solidao, o amor… ou a ausencia dele.
Os mais interessantes pra mim sao os atuais, de tres anos para cá. Foi como se notasse um crescimento no sentir e que, claro, influenciou minha escrita.
Sabe o que lamento? Hoje ganho a vida (também) escrevendo, mas isso tem sido tao exaustivo que é como se estivesse me bloqueando. Quando chega o final do dia, tudo que nao quero é escrever… quero sentar com um livro e beber um vinho. Agora sou dessas que tem livro digital ( eu me rendi), mas confesso que estou amando.

Depois de uma semana ensadecida, essa também nao comecou do jeito que gostaria. Por isso eu sigo bebendo vinho, pensando nele, pensando nas poesías que nao vao para o papel… eu ando tao no mundo da lua que precisei colocar esse texto aquí no blog, porque esqueci a senha do novo… E continuo com meu teclado em español. 

sábado, 16 de abril de 2016

Há um homem. Eu o amo e eu o odeio. é teimoso, inteligente, bom papo. Mas é teimoso.

Tem um defeito quase irrecuperável. Triste. Sem solução. Por isso foi necessário seguir. Sem quês. Sem loas. Apesar do mundo de possibilidades aberto por agora, eu ainda penso nele. Há um homem e nós nos bastamos em sonhos. 

sexta-feira, 11 de março de 2016


É preciso fazer silêncio
Respeitar as escolhas alheias
Deixar ir
Mesmo que doa
É preciso repensar decisões
E ir embora sem dar tchau
As nuvens travaram uma guerra
E ondas me jogaram pra trás
Só que eu levantei sem saber o que fazer
Nem sei dizer mais nada
Talvez porque falei milhões de vezes
Porém nunca foi ouvida
Caso tudo permaneça assim, imóvel
Saiba que sempre sentirei sua falta

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016


Se eu tivesse que dizer umas coisas hoje...
Eu ia pedir para você correr
Tenha pressa, muita pressa
Caso seja desejo crescente
Caso seja abraço infinito
Corra
Porque não vai dar tempo de quase nada
E vai sobrar apenas saudades
E raiva
Raiva por não ter feito
Nem ter dito
Nem ter fugido
Esse lamento não será meu
Dessa vez estou imune

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016


A chegada naquela sala, aqueles rostos conhecidos, porém distantes
De se pensar na possibilidade de fazer parte das coisas
Pareço invisível algumas vezes
Como se não estive dentro de famílias
Como se não pudesse ser carregada, nem fazer parte daquele todo
Mesmo daquele clichê absurdamente ridículo e teatral
Tem gente que está dentro disso tudo
Não sei o que passa aí dentro
Mas seria completamente digna das coisas
Das visitas que você faz, mesmo sem vontade
Dos almoços que participa, mesmo sem apetite
Das voltas que dá, mesmo sem direção
Enquanto é guiado para dentro do normal
Pareço longe, distante das coisas convencionais
Saberia conquistar a aprovação, saberia lidar com as festas mascaradas
Saberia cuidar de pessoas
Saberia me comportar à mesa
Eu saberia e tenho ideia de todas essas necessidades 
Das coisas de família
Das coisas eternas e regradas
E mereço sim, todas essas honras que ainda não recebi

domingo, 21 de fevereiro de 2016


Porque a gente não deveria aceitar sobras
A gente não deveria aceitar desculpas
Nem frases de desapego
E toda a forma de não envolvimento:
Te cuida, fica bem
A gente não deveria esperar retornos
Nem dar atenção quando na verdade nem pode
A gente deveria dizer mais vezes que está ocupada
E deveria ficar off-line na vida
A gente deveria ir embora... mais vezes



sábado, 20 de fevereiro de 2016

É PRECISO IR EMBORA


Ano passado, na festa de despedida de uma amiga, ouvia calada e com atenção seu dolorido discurso sobre o quanto ela se preocupava com a decisão de ir embora. Dizia se preocupar com a saudade antecipada da família, com a tristeza em deixar um amor pra trás e com a dor de se afastar dos amigos. Ela iria embora para Londres com tantas incertezas sobre cá e lá, que o intercambio mais parecia uma sentença ao exílio.

Dentre dicas e conselhos reconfortantes de outras amigas, lembro-me de interromper a discussão de forma mais fria e prática do que gostaria:

“Quando você estiver dentro daquele avião, olhar pra baixo e ver todas estas dúvidas e desculpas do tamanho de formigas, voltamos a falar. E você vai entrar naquele avião, nem que eu mesma te coloque nele.”

Ela engoliu seco e balançou a cabeça afirmativa.

Penso que na época poderia ter adoçado o conselho. Mas fato é que a minha certeza era irredutível, tudo que ela precisava era perspectiva. Olhar a situação de outro ângulo, de cima, e ver seus dilemas e problemas como quem olha o mundo de um avião. Óbvio, eu não tirei essa experiência da cartola. Eu, como ela, já havia sido a garota atormentada pelas dúvidas de partir, deixando tudo pra trás rumo ao desconhecido. Hoje sei que o medo nada mais era do que fruto da minha (nossa) obsessão em medir ações e ser assertiva. E foi só com o tempo e com as chances que me dei que descobri que não há nada mais libertador e esclarecedor do que o bom e velho tiro no escuro.

Hoje a minha amiga não tem mais dúvida. Celebra a vida que ela criou pra ela mesma lá na terra da rainha, onde eu mesma descobri tanto sobre minha própria realeza. Ironicamente – e também assim como eu – ela aprendeu que é preciso (e vai querer) muitas vezes uma certa distancia do ninho. Aprendeu que nem todo amor arrebatador é amor pra vida inteira. Que os amigos, aqueles de verdade, podem até estar longe, mas nunca distantes. Hoje ela chama o antigo exílio de lar, e adora pegar um avião rumo ao desconhecido. Outras, como eu, e como ela, fizeram o mesmo. Todas entenderam que era preciso ir embora.

É preciso ir embora.

Ir embora é importante para que você entenda que você não é tão importante assim,  que a vida segue, com ou sem você por perto. Pessoas nascem, morrem, casam, separam e resolvem os problemas que antes você acreditava só você resolver. É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo. Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu ex-patrão, nem sua pegada, nem ninguém. Parece besteira, mas a maioria de nós tem uma noção bem distorcida da importância do próprio umbigo – novidade para quem sofre deste mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lide com isso.

É preciso ir embora.

Ir embora é importante para que você veja que você é muito importante sim! Seja por 2 minutos, seja por 2 anos, quem sente sua falta não sente menos ou mais porque você foi embora – apenas sente por mais tempo! O sentimento não muda. Algumas pessoas nunca vão esquecer do seu aniversario, você estando aqui ou na Austrália. Esse papo de “que saudades de você, vamos nos ver uma hora” é politicagem. Quem sente sua falta vai sempre sentir e agir. E não se preocupe, pois o filtro é natural. Vai ter sempre aquele seleto e especial grupo  que vai terminar a frase “Que saudade de você…” com  “por isso tô te mandando esse áudio”;  ou “porque tá tocando a nossa música” ou “então comprei uma passagem” ou ainda “desce agora que tô passando aí”.

Então vá embora. Vá embora do trabalho que te atormenta. Daquela relação que você sabe não vai dar certo. Vá embora “da galera” que está presente quando convém.  Vá embora da casa dos teus pais. Do teu país. Da sala. Vá embora. Por minutos, por anos ou pra vida. Se ausente, nem que seja pra encontrar com você mesmo. Quanto voltar – e se voltar – vai ver as coisas de outra perspectiva, lá de cima do avião.

As desculpas e pré-ocupações sempre vão existir.  Basta você decidir encarar as mesmas como elas realmente são – do tamanho de formigas.


Fim da sessão.