Páginas

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A Rua Doze

A Rua Doze agora é outra. As crianças da geração atual não precisam mais se aventurar no matagal para pegar bolas, cordas, chinelos e tudo aquilo que servir para brincar.
Elas também não precisam correr e se esconder, quando a bola bater com toda força no portão de alumínio do seu Vadinho - que Deus o tenha! “Desculpe ae, seu Vadinho, muitas daquelas boladas foram minhas”.
O degrau do portão da dona Lindalva também se foi. A nova moradora, cada vez mais, amplia a residência, seja para frente, para tras ou para o lado: só Deus sabe aonde ela quer chegar. O confortável degrau era uma espécie de Roda Viva, Café Filosófico e porque não, Show da Xuxa?
O orelhão, que servia para que as crianças segurassem as mãozinhas durante a brincadeira que se chamava “Banana Podre”, também se foi. Hoje, todos os cidadãos ruadozenses têm telefone em casa.
Preciso voltar ao matagal. Ele fez história, não há como negar. Tem gente que jura de pé junto que jamais caiu ali, depois de beber meio litro de vinho Chapinha.
“Eu fiz de propósito”. A gente finge que acredita.
Aquele espaço sempre foi o terror dos moradores. “Vamos fazer um abaixo assinado!”. Pensaram em transformar em praça, piscina ou palco para shows do guitarrista de plantão que insistia em tocar bem na hora da novela.
Depois de darem muitos autógrafos em vão, alguns moradores providos de imaginação artístico-cultural arregaçaram as mangas e não só cortaram as gramas. Formaram um espaço de gastronomia e lazer e foi daí que surgiu o “Quiosque do Vaguinho”. “Ai, que saudade daqueles lanches!”
Durante os tempos do Quiosque, Vaguinho não mostrou apenas seus dotes culinários: porção de calabresa, X Egg, X Salada, X Tudo, e até pastel ele fez. Mostrou que era um garoto prodígio: fez o dinheiro dos moradores circular e em menos de seis meses conquistou crítica e público.
Percebendo o sucesso, foi ainda mais engenhoso. Contratou a Paulos’ Band para alegrar as noites de sábados com música ao vivo, e com direito aos espectadores de pedir mais uma. O mega empresário ainda acrescentou Vídeokê às sextas-feiras e, aos domingos, o Campeonato Brasileiro alegrava a rapaziada.
Tamanho sucesso só poderia despertar a fúria dos concorrentes!
Ficamos sem Quiosque!
Mas nada era páreo para a turma de jovens da Rua Doze. Inventaram outra maneira de diversão a preços baixos. Vaquinha para a bebida, violão do Foló com participação especial de Érika e Elton.
Essa turma de jovens passou todas as fases da vida na Rua: nasceram, cresceram e hoje são adultos, mas não significa que deixaram as sandices de lado.
Agora, a turma de jovens que habita a Rua Doze é outra. Eles são mais tecnológicos e mais “espertos”. Eles não têm um matagal, mas tem uma praça com playground. (Isso mesmo minha gente, a praça virou realidade).
Pular corda, amarelinha, jogar taco, mana mula, bico na bola, queimada, vôlei e futebol são brincadeiras em extinção. Pois é, até futebol é difícil de ver.
E olha que eles nem sofrem mais com o terror da bola furada do Seu Charutinho. É que toda bola que caía no quintal do seu Charutinho, sofria um corte profundo, e que nunca dava chances de sobrevivência à vítima. Para salvá-la era preciso que alguém muito habilidoso pulasse o muro com toda cautela para despistar o assassino.
Mas seu Charutinho, no fundo, tinha uma alma boa: ele jogava as vítimas de volta para a rua, para que tivessem um enterro digno.
Personagens é o que não faltam nesta Rua. Alguns já se foram e deixam saudades, outros ainda permanecem e causam desgosto. A Rua Doze parece a Vila do Chaves, tem até a bruxa do 71. A Rua Doze é uma rua sem saída, o que lhe dá ares de condomínio fechado. A Rua Doze também é acolhedora. A Rua Doze também já formou casais e já “desformou”. As pessoas que vivem nesta Rua são alegres e estão sempre dispostas a ajudar.
Continua...

19 comentários:

regina disse...

Amei!!! Quem não morou numa rua como essa??? Tenho boas lembranças de minha infância que provavelmente não foi diferente da sua. Numa outra época, num bairro em SP, todos se conheciam, crianças brincavam na rua, quase não comiam doces, eram até magrelas com o gasto de tanta energia. Tínhamos vizinhos encreiqueiros, fofoqueiros, problemáticos. Mas, nada tirava nossa alegria de viver e conviver... Tenho pena das crinças de hj que vivem alienadas na frente de um computador, tv ou vídeo game... Tadinhas!!! Obesas, tristes, mimadas... Que época feliz que vivemos!!! O que será das futuras gerações???

Liliam Silva disse...

kkkkkkkkkkk irado Érika! Kdo li rua Doze, logo apareceram em minha mente várias histórias e acontecimentos. Onde eu passava as minhas férias e alguns finais-de-semana, brincava de elástico com a Tati, de queimada em dupla no pequeno quintal da minha vó com a Thati e o Diego, ficava até as 4h da manhã conversando ou vendo os meninos matarem morcegos com cana de bamboo, a Thati quando ficava chateada não emprestava a bola pra gente brincar, passeios da treta até a praça, muita Chapinha....com salgadinhos, seu Perci brigando qdo a bola batia no carro dele, a Cida, eu comia muitos saldinhos na bomboniere do Sr. Vadinho, as músicas da Banda do Paulo, eu tentando tocar Nothing Else Matters no teu violão e tentando assobiar Patience.....kkkkkkkkkkkkkkk adorei a lembrança!

Liliam Silva disse...

realmente havia muito mais travessuras, imaginação, aventura... mesmo qdo não havia o espaço com o playground... Naquele chão que parecia que nunca mais seria pavimentado em condições, tem as nossas marcas.

Jeff_Santos disse...

Viajei sem pagar bilhetes quando li este texto, depois fui para o médico, calma, não passei mal por causa disto!!!! Queria???!!!! Nossa fez-me lembrar cada coisa, o charutinho, o bolo fofo Pai da Rose, o Pipoqueiro, a Rute mãe do Leandro, nossa nos detestava-mos aquela senhora falávamos mal dela na frente do Leandro, o coitado não tem culpa de ter nascido daquele ser humano (ups!! os humanos que me desculpem). Nossa lembrei de muita coisa o chupe-chupe da Dna. Ludovina, os peidos de velho que eu colocava na casa da mãe do Rafael. Nunca cai no mato!!!! A minha primeira bebedeira foi na rua doze, lembro como se fosse hoje!!! Depois dessa quantas mais vieram???? Credo sou um alcoólatra.
Hum brigadeiro, pipoca, o degrau do portão da dona Lindalva...nossa sentia-me Aristóteles! O RATO! putz o rato foi no degrau, todo mundo se levantou e eu não consegui, estava completamente bêbedo.

Batida de maracujá na barraca do vaguinho, bebíamos na jarra com canudinho depois uiiiii, tinham que nos ouvir a cantar!!!! Ou sei lá o que, também tínhamos uma super estrela BIOLA com o seu inglês maravilhoso!!!! E não parávamos por ai não sei o que era pior, bebíamos de sexta para sábado, de sábado para domingo, e no domingo tínhamos o show de uma banda qualquer com aspiração a ídolos, dai bebíamos também, sem falar no Adilson que só ouvia o CD da Legião Urbana acústico ... Calma a nossa vida não era só álcool, éramos filósofos, hummmm saudade. Posso dizer que fiz parte da equipa de queimada da rua, joguei volei também, na passagem de ano amarrei a Cláudia no poste com a camisa do TIMÃO (depois desfilamos com ela).

Acho que temos muita coisa para contar, e eu faço um desafio......
- Qual foi o facto mais importante da Rua?
- E o que vocês tem em mais saudades

Érika Pereira disse...

Carakaaaaaaaaaaaaaaa Jé!!! Vc foi mais fundo, lembrou de cada uma! O Biola merece um texto só pra ele. Na boa, a rua Doze dá um livro! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
adoreiiiiiiiiiiiiiii
Agora o mais importante, bom não sei,mas eu fico com o Quiosque do Vaguinho. Lembro como se fosse hoje o pessoal da Prefeitura vindo para desarmar! Foi de partir o coração. É como eu disse, o quiosque movimentou a rua, fez história. Sinto muita falta.
Mas a rua é cheia de histórias.... E para vcs? Qual fato foi mais marcante?

Liliam Silva disse...

Eu de meias vermelhas com o Piu-Piu e um gorro cinzento a la mendigo! Uma roupa nada a ver mas bem quentinha para estar na rua e dar um passeio até a praça... Tbm me lembro de uma bebedeira em que eu só ria e a Tahti chorava e dps tive k arrastá-la plea sala da minha avó...

Jeff_Santos disse...

Nossa facto marcante este da meia da Liliam!!!! Acho que o facto mais marcante para mim, bom deixa-me pensar........ sei lá as mortes foram marcantes mas acho que eu vou ficar com um acto que eu adorava. A copa do mundo o Brasil fazia gooolllll e todo mundo corria para a rua.....
Bom vou por uma menção aqui, esqueci-me de dizer do Heleno com o seu fusca!

Jeff_Santos disse...

Super estrelas! bom vou votar na irmã do Baby a Fabiana que vivia dançando o tcham na rua.

Érika Pereira disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
a Liliam com a meiaaaa, como pude esquecer!!???? como eu ri! Ela teve a coragem de ir para uma festa que estava tendo no Juventude, de meiaaaa!!!!!

Liliam Silva disse...

kkkkkkkkkkkkkkk a irmã do Baby....kkkkkkkkkkk!
Tbm lembro-me muitooo do Ano- Novo em 96 ou 97 a ouvir o cd do Offspring, principalmnete Pretty Fly, várias x até riscar o cd! Como pulamos na casa da Dona Alzira!

Liliam Silva disse...

Bem lembrado: os Mundiais! A Érika chorando de alegria na final de 94... o tetra!

Liliam Silva disse...

E no dia 1º de janeiro os banhos de água... as bebedeiras dos mais velhos, os homens com as unhas pintadas....

Érika Pereira disse...

Nosssaaaaaaaaaaaaaaaaaa os banhos de água!!!!!
E as ovadas????? Que raiva que eu ficava do Jonas e da Claudia, eles que seguravam a gente!
Meu, a Copa! Maravilhaaaa

foradesintaxe disse...

poxa, algumas ruas têm histórias muito curiosas. não esqueço do garoto da minha rua q morreu eletrocutado com fio solto de poste

Liliam Silva disse...

nossa a história aí de cima não é nada engraçada... é a falta de manutenção local, de organização das pessoas da própria localidade, de desleixo da companhia elétrica que infelizmente causou uma morte!

Suelyn disse...

Acho que ninguém morreu eletrocutado, mas os adultos morriam de medo que o Lucas morresse desta forma ao empinar pipa!!!kkkkkkkkkkkk

Neni disse...

cara Lilian o menino nunca mais comenta,rsrsrsrs

Neni disse...

e o brigadeiro q caiu no chão e gente comeu???
e a Érika dançando na boquinha da garrafa no ano novo, na casa do seu Vadinho.

Liliam Silva disse...

kkkkkkkkkkkkkkkk!!!!!! Essa história da boquinha da garrafa eu não conhecia.....kkkkkkkkkkkkkk