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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz 2011


"Jamais haverá ano novo, se continuar a copiar os erros dos anos velhos"

Luís de Camões

Em 2010 errei muito. Mas também acertei bastante. Para 2011 prometo não copiar, mas reinventar os erros. Afinal, sem eles não se vive.  

Feliz 2011! 

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Filmes “tapa na cara”

Hoje recebi a visita ilustre de prima Paula, vulgo, Paulinha, vulgo Paulosa. Com ela é assim: bate-papo infindável sobre cinema, música e literatura.

Em dado momento falávamos sobre filmes que te deixam com a pulga atrás da orelha, que te fazem ficar pensando por horas a fio, e daí surgiu a expressão: “filmes que te dão um tapa na cara”. Citamos alguns: “Casa de areia e névoa”, “Crash - no limite” e “Dogville”.

Eles apresentam histórias e casos que se entrelaçam (mais precisamente em “Casa de areia e névoa” e “Crash”). Possuem desfechos que te deixam pensando assim: “Caramba, que coisa, não?”.

Levantam questões do tipo: quem está errado? De quem é o preconceito? Quem é o vilão? Até que ponto o egoísmo fala mais alto? No fim das contas, todo ser humano tem seu lado ruim?

Em “Casa de areia e névoa” há dois personagens centrais: Kathy (Jennifer Connelly), uma jovem depressiva que tenta sobreviver após ser abandonada pelo marido, e Massoud Amir Behrani (Ben Kingsley), imigrante iraniano que tenta manter os padrões de vida que tinha em seu antigo país.

Tomada pela tristeza, Kathy ignora tudo ao seu redor e deixa de abrir as correspondências que chegam sobre os impostos de sua residência que estão atrasados. Em consequência disso, a jovem é despejada de sua casa, que logo vai a leilão. É quando Massoud vê a oportunidade de melhorar de vida e decide comprar o imóvel que é anunciado por um preço muito abaixo do mercado.

A família logo se muda para o domicílio de Kathy, que, sem dinheiro, passa a dormir dentro do carro. É aí que começam as intrigas: a oportunidade para um gerou o problema do outro. Massoud deveria ceder diante da desgraça que se transformou a vida de Kathy? Mas e a família dele? Afinal, a compra foi legítima, respeitando a lei como deve ser.

Neste meio, Kathy conhece o policial Lester Burdon (Ron Eldard) que logo se apaixona por ela. Casado e pai de duas crianças, ele decide deixar o lar para ficar com Kathy. E aqui o telespectador também se pergunta: Mas Kathy há 8 meses tinha sido abandonada pelo marido e conhece bem esse sofrimento. E agora? Ela vai deixar isso acontecer com outra família?

O final surpreendente te "dá um tapa na cara". E é assim também com “Crash - no limite”, onde oito vidas se cruzam a partir de um acontecimento. É a velha história do efeito borboleta e o filme te impressiona por mostrar as limitações de nós, seres humanos, de nossos preconceitos enrustidos e do quanto podemos mudar e nos tornar vulneráreis diante de situações-limites. Creio que daí parte o nome do filme. Ou seja, no limite da sobrevivência, somos capazes de qualquer coisa.

E Dogville? A doce Grace é “aceita” por um objetivo comum: ela pode ser útil a todos. Depois, o coletivismo fica em segundo plano e cada um daqueles moradores vai mostrando a que veio. As várias facetas da “desumanidade” vão se mostrando a cada capítulo e o filme, nada otimista, revela o lado egoísta, cruel, vingativo e hipócrita de cada um.

São ótimos filmes, dramas que levantam questões sem dar a oportunidade de uma visão positiva.

Logo, me vem à mente também, "21 gramas" e "Sobre meninos e lobos".

Todos muito bons, com temáticas completamente diferentes, mas com o mesmo intuito: "dar um tapa na cara".

domingo, 26 de dezembro de 2010

Título ou dinheiro no bolso?

Outro trecho do livro "Tia Julia e o escrevinhador" que grifei foi este:

“Enquanto tomávamos a cerveja, Grande Pablito, com as pausas exigidas pelos brônquios, me contou que ao chegar a televisão ao Peru, os Genaros o colocaram de porteiro, com uniforme e quepe grenás, no edifício que tinham construído na avenida Arequipa para o Canal Cinco.

- De jornalista a porteiro, parece decadência – encolheu os ombros. – E era, do ponto de vista dos títulos. Mas dá para comer título? Me aumentaram o salário e isso é o principal.”



Preciso dizer mais? Será que não deveria aprender com Grande Pablito?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

DIÁRIO DE AMÉLIA - Questões Natalinas

O período natalino parece tirar a sanidade de alguns. Aliás, ainda não sei de onde surgiu essa ideia de que nesta época do ano as pessoas ficam mais afáveis? Existe alguma comprovação científica? Porque na prática o que se vê é o contrário.

Sair às comprar nesta época, por exemplo, é tarefa digna de um Highlander. Como não tem muita escapatória, o jeito é vestir a armadura e ir à guerra.

Teve uma vez, que, assim que entrei na loja, avistei uma senhora que pegava umas peças da bacia, enquanto um ramister caminhava por seu pescoço. Olhei aquela cena bizarra e pensei se tinha exagerado na cafeína, mas não, era um rato! Tudo bem que propagar o amor pelo reino animal eu também faço, mas imagina se aquele seu amigo que cria um chimpanzé resolve dar uma voltinha pelo supermercado? É um pouco demais, né?

Neste mesmo ano resolvi fazer a ceia em minha casa. O combinado era cada um levar um pratinho (ah, pobreza), só que acho que a galera deve ter entendido errado. O “pratinho” era com alguma comida dentro, não vazio para você encher e levar para a sua tia, entende?

Para completar, o tio Alaor chegou do nada. Aliás, toda família tem aquele tio chato que na noite de Natal resolve aparecer, fazendo o enturmado. Ele chega abrindo a geladeira, comendo umas uvas. Mas sabe como é, em casa de assalariado sempre tem espaço para mais um. Então, deixamos o tio Alaor ficar, mas acho que beber a Brahma ao invés da Bavária já é um pouco demais. O folgado ainda queria ficar com uma coxa do Chester.

Todo Natal que se preze tem que ter o tal do Amigo Oculto. O cara que eu “peguei” era um colega do meu primo. Só sabia o nome do indivíduo, Marcelo. Com base em dados tão grandiosos, pensei que um presente cabível seria um perfume. Parcelei em 15 vezes sem juros.

Na hora que ele abriu o pacote fez cara de assustado. Agradeceu imensamente e, para surpresa de todos e, principalmente para a minha, era eu quem ele havia “tirado”. Comecei a abrir a embalagem quando me deparei com um despertador aqueles de R$1,99. Achei a brincadeira original e comentei: “Poxa, legal essa ideia”.

Mas não era uma daquelas sacanagens que se costumam fazer antes de entregar o presente de verdade. Ele tinha comprado um despertador mesmo. Acredita? Pois é, nem eu. Pensei comigo: “como esse cara de pau pega como “amigo” a dona da casa onde ele vem encher a pança e tem o disparate de comprar um despertador?

É claro que minha cara de macaco logo denunciou o quanto eu havia adoooraaado aquela lembrancinha. No lugar dele, acho que teria ido embora imediatamente dando a desculpa que não perco a Missa do Galo em hipótese alguma. Mas o folgado veio falar comigo: “Nossa, seu primo havia me falado que o Amigo Secreto era de R$1,99”.

É engraçado isso, né? Já reparou que em todo Amigo Secreto tem um sem noção que entende errado? Acho que está na hora de criar um regulamento para essa palhaçada.

Olhei pra cara dele e por dentro eu pensava: “Tu jura? Sabe o que eu deveria fazer com esse despertador? Enfiar em algum lugar do seu corpo que deve ter mais serventia que o seu cérebro”. Mas, como o protocolo diz que o Natal é símbolo de harmonia, sorri e falei: “Imagina, fica na paz!”

Bom, depois de tudo isso, pense que realmente estava louca em oferecer a ceia em minha casa. A galera parecia que estava no show da DJ Ingrid e não queria ir embora. Como tudo o que eu desejava era a minha cama, comecei a discursar sobre a importância da luta de classes e como Karl Marx conseguiu propagar sua ideologia em prol dos proletariados. Disse ainda que me sentia imensamente envaidecida por ter sido representada por alguém tão engajado com a classe econômica.

Tio Alaor deu o pontapé inicial e foi o primeiro a bocejar, mas antes de sair, pegou a outra coxa do Chester. Maledeto!


Amélia Kafka Silva é uma personagem fictícia. Um pouco mal-humorada, que fala tudo sem rodeios. Meu sonho é ser igual a ela.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Carta anual

“Essa noite, depois de pensar longo tempo, rolando na cama, acendi o abajur do criado-mudo e escrevi num caderno, onde anotava temas para contos, em ordem de prioridade, as coisas que faria. A primeira era me casar com tia Julia e colocar a família diante de um fato legal consumado ao qual teria de se resignar, quisesse ou não”



Quando li o trecho acima no livro “Tia Julia e o escrevinhador”, de Mario Vargas Llosa, lembrei-me das cartas que faço anualmente com todas as coisas que gostaria de fazer ou conquistar durante o ano.

Esse ritual começou em 2004, durante a aula de um curso que não finalizei. A professora pediu para que todos os alunos escrevessem seus desejos em uma folha de papel que deveria ser guardada, lacrada e aberta somente no final do ano. Não fiz o curso, mas fiz a carta, e, no final daquele ano, quando a abri, vi que tinha feito muitas das coisas ali escritas. Achei divertido, principalmente porque não me lembrava de muitos pedidos. Como não custava nada, adotei o processo e o faço até hoje.

Fui procurar a carta deste ano e notei que havia sido um tanto otimista. Na verdade, devia estar com um parafuso a menos quando a escrevi, já que tinha me determinado coisas que nem um highlander seria capaz de fazer em um ano. Mas, enfim...

Sei que parece bobagem aquelas coisas de promessas para o ano novo, mas acho que escrever o que quer é bastante diferente de prometer. E o mais curioso é relembrar os pedidos e ficar feliz quando vê que conseguiu realizar alguns. Ou não.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Voltei

É, eu voltei, e agora para ficar (espero). O que acontece com quem tem blog é assim: muitas vezes falta tempo e em outras você fica pensando sobre o que postar. Quando pensa demais, perde tempo. Então, eu estava bem perdida. Deu para entender?

Pensei em deletá-lo, mas o blog é uma válvula de escape. E para quem trabalha com jornalismo, funciona ainda mais como tal. É ser editor de si mesmo e ainda poder escrever o que nem sempre pode dentro de uma redação. Então, concluí que excluí-lo não seria a alternativa correta. O que eu precisava é, como diz a mestra, “me despudorar”.

Pois bem, agora, meus três leitores terão que ter paciência e saco, porque resolvi colocar o que der na telha. Já basta eu no jornalismo ter que ficar buscando a história perfeita (como se existisse). Então, aqui farei o que der.

Sabe, isso é apenas um blog! Então, não há motivos para planejar um texto para concorrer ao Jabuti, ou, sei lá, o Pulitzer, caso eu escreva verdades.

Se eu sumir foi o tempo, pois a vergonha eu perdi (ou não).

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Brandon Boyd - Runaway Train

Acompanho o Incubus há anos, mas estava super out sobre a carreira solo do vocalista, Brandon Boyd. “Runaway Train”  é o primeiro single do álbum “The wild trapeze”. Ainda não entendi porque ele precisou desse momento só dele, espero que não interfira nos planos futuros da banda. Mas gostei bastante de “Runaway Train”. Achei bela.   

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O bêbado e a operadora de caixa

O senhorzinho surge do nada na fila do supermercado, vestido com uma camisa cinza de listras brancas, cinto e calça social. Com um traje desses, seria um verdadeiro gettleman, para algumas.

Com o olhar meio vesgo, daqueles que limpam o peixe olhando para o gato, ele segura uma latinha de cerveja quente e profere em alto e bom som “Parei de beber”, enquanto o barulho da lata se encarrega de fazer o som característico: tsss

A fila, que ganhava cada vez mais componentes, devido ao horário de pico (18:40), cai na gargalhada com a cena. Já a operadora de caixa, impecável em seu uniforme branco e vermelho, bufa quando o bêbado equilibrista decide lhe fazer a corte: “Tá vendo essa mocinha ae? Acho ela linda”.

A moça olha feio por cima do par de óculos de grau, como quem diz: “Tu jura?”, e continua o trabalho. Incansável, ele não desanima e continua o falatório: “Tava louco pra tomar uma mesmo!”, se referindo à bebida.

O tempo vai passando e a fila não anda. De jeito nenhum. Parece que a operadora do caixa ficou nervosa com a cantada e perdeu toda a agilidade. Mas o senhorzinho bêbado, que “parou de beber”, está todo prosa e animado: “Tá vendo aquela mocinha ali? Vou casar com ela!”.

Todos riem, menos ela.

Mais atraso e a fila aumenta. Diante de tamanha espera, o bêbado muda o discurso: “Eita, mas que demora, heim? Desse jeito não vou casar contigo não!”.

Todos riem, menos ela.

"Se um Viajante Numa Noite de Inverno", do Ítalo Calvino

Já faz um tempo que havia comprado o livro "Se um Viajante Numa Noite de Inverno", do escritor italiano Ítalo Calvino. Não sei o que houve, mas parei na metade. Acho que não devia estar muito preparada para ler e acredito que, quando isso ocorre, deve-se abandonar a leitura e começar outra. Nada de martírio.

Ler, precisa ser agradável, sempre! Mas há alguns livros que você acaba voltando, e sentia que “Se um Viajante...” era um desses. Por isso, pedi a opinião da querida blogueira e jornalista Cecília Nery, pois adoro suas resenhas sobre livros. Aqui está meu pedido em um belo texto: http://leituraseobservacoes.blogspot.com/   

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Lamúrias

Dividiam a fraqueza que parecia servir como pilastra. Olharam-se nos olhos, mas não viram de imediato. Quando ela chegou, tudo estava em paz e a vida dele parecia resolvida. A dela também, mas não tinha certeza.

Enxergavam-se... um no outro apesar das diferenças que pareciam enormes. Aos poucos, fizerem um pacto de suprir ambas as vidas: lamúrias, paixões não vividas, palavras jogadas ao vento, releituras, análises... Desenterraram-se.

Ele contou seu passado e falava das coisas que gostava. Ela só ouvia e achava tudo tão lindo. Pensava que um dia, contaria sobre sua vida assim também, e que ele sorriria da mesma forma.

Ela se transformou primeiro porque resolveu acreditar. Ele já sabia que ela estava errada sobre ele. Mas deixou, resolveu arriscar porque o ego não permitia deixá-la partir. Foi suprindo sua fome, dando comida na boca e doce antes do jantar.

Tinham os mesmos medos, mas nem todos eram fáceis de identificar. Permitiram-se ousar, mas só por alguns segundos. Foi ele quem lembrou: “Sempre teremos um ao outro”.

Mas ela preferiu determinar que eram como óleo e água. Sabia que estava errada, mas fingiu acreditar nisso. Ele queria mais, pelo menos por uma fração de segundo. Não conseguiu se entregar e pediu perdão.

Agradeceu a ela por ter sido seu remédio inteligente. Mentiu, disse que eram amigos. Avisou que quando tudo estivesse acabado, poderia se transformar em outro, e, assim, faria tudo novamente e reescreveria apenas o final.

Ela não aceitou, disse que era melhor assim, pois um amor não vivido seria um amor eterno.

Inspiração: Incubus - oil and water

sábado, 13 de novembro de 2010

José e Pilar

Antes de assistir a José e Pilar, já havia feito um filme em minha cabeça. Cheguei a pensar que veria cenas melosas de amor romântico e frases de efeitos. Não sei por que isso aconteceu... Talvez porque preferi não ler nada a respeito do documentário antes de vê-lo.

Porém, me enganei. O que vi foi a trajetória de uma vida a dois, onde o romantismo pareceu ficar em segundo plano. É como se não precisasse de demonstração, é como se os acontecimentos cotidianos por si só, traduzissem uma vida que esperou anos e anos para ser vivida com plenitude. Digo uma vida, porque José e Pilar conseguiram a proeza de se transformar em um só. O que é raro, belo e incrível.

Mas confesso que todas essas percepções ficaram claras para mim perto do final do filme. Um pouco antes do meio da narrativa, por exemplo, o meu lado racional havia resolvido aparecer e tudo o que via era uma união baseada em contratos sociais. Como se Pilar fosse uma esposa-secretária de eficiência ímpar.

É aos poucos que a sensibilidade daquela relação vai aparecendo, dando ao espectador a certeza de que o amor pode ser um compromisso visceral com o próximo, sem a necessidade de demonstração de afeto, cobranças e romantismo o tempo todo.

Há beleza em cenas simples, como, por exemplo, em uma onde Saramago fala para o público e Pilar, claro, está ao seu lado. Mas assim que se finda o discurso do marido, os aplausos se iniciam e ela sai de cena, o deixando sozinho. Ele vira para tentar vê-la, mas ela não está. Então, ele a chama “Pilar?” Com certeza essa simples descrição não é capaz de mostrar o que se sente ao ver. Em vários momentos, senti que Saramago vivia por Pilar, e Pilar por ele. Antes de iniciar uma entrevista, ele chega a perguntar: “Pilar, o que eu falo?”.

O documentário é do diretor português, Miguel Gonçalves Mendes e foi co-produzido pela 02, empresa de Fernando Meirelles. Talvez por isso, bons minutos do filme são dedicados à visita que Saramago fez ao Brasil, em 2008.

Há ainda o momento em que Saramago assiste ao filme, “Ensaio sobre a cegueira”, de Fernando Meirelles, baseado no livro homônimo do escritor. E a cena final, se passa em Terras Tupiniquins (se não estou tão cega) Tudo isso dá ao documentário um ar meio brasileiro, o que é ótimo.

Me emocionei em vários momentos, pela delicadeza, honestidade e singularidade que o filme conseguiu passar.


“Amar é: ter amor, afeição, devoção, estimar
Pilar, Pilar, Pilar
José, José, José”

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Suprema Felicidade

A Suprema Felicidade eu não sei o que é, mas a suprema tristeza é assistir ao filme do Jabor.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

"Insolação"

“O amor não foi feito para sermos felizes, mas para nos sentirmos vivos”
A frase acima ilustra muito bem o que se pode esperar do filme “Insolação”, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas.
Quando saí do cinema, me perguntaram: “E aí, o que você entendeu do filme?”. Respondi que não era para entender e sim para sentir. E acredito que seja isso mesmo.
Quando li a resenha, antes de assisti-lo, já achei genial: “numa cidade vazia, castigada pelo sol, jovens e velhos confundem a sensação febril da insolação com o início delicado da paixão. Como espectros, eles vagam entre construções e descampados em busca do amor inalcançável”.
Abordando um tema incessantemente discutido, a narrativa mostra uma reflexão sobre amores impossíveis, amores não-correspondidos, a busca por alguém que nunca chega, a primeira paixão...
Os personagens caminham perdidos por uma cidade (Brasília) que parece abandonada e tomada por um calor ainda mais insuportável.
Temos o sempre ótimo Paulo José que faz um sábio, meio doido que vive propondo uma discussão sobre a vida, o amor e tudo que lhe vem à mente. O garoto Vladimir que se apaixona por uma mulher mais velha. Leo (Leonardo Medeiros) um quase entristecido que se apaixona por uma jornalista, enquanto uma garota de 13 anos tenta seduzi-lo. E ainda uma ninfomaníaca (Simone Spoladore) que apesar dos relacionamentos fast foods, busca na realidade alguém para a vida toda.
Algumas críticas denominaram os diálogos como teatrais e cheios de frases de efeito. Não concordo. Há belas citações sim, e elas parecem muito naturais quando pronunciadas por personagens tão reais na mais bela ficção. Um filme silencioso, parado... Intimista. Um convite ao coração.
Citações interessantes:
“Dizem que há alguém para cada pessoa. Mas eu não concordo... Quantas pessoas não existem sozinhas por aí?”
“Contudo, o que é mundano e comum se torna terrível e selvagem quando o coração é destruído por felicidade e amor em excesso”
“Há muito amor dentro de você!”
“Vai passar... Um dia ela vai conhecer outro e vai passar”
“Digo-lhe com toda a sinceridade que não sou a pessoa que talvez imagine que eu seja”
“Eu gosto de todo mundo... no início”
Cine Arte Posto 4: 16h - 18h30 - 21h
***
Outros filmes da semana foram: "Como Esquecer", baseado no livro homônimo de Myriam Capello e dirigido por Malu de Martino. Achei bacana a maneira como cada personagem lida com a dor. Com uma linguagem diferente, fez-se um belo filme. Não é maravilhoso, é apenas OK. Sem contar alguns exageros que achei desnecessário.
Esp. Unibanco: 14h* - 16h - 18h - 20h - 22h
Outro muito bom foi o filme argentino “As Leis de Família”, dirigido por Daniel Burman. Mostra a distância que muitas vezes ocorre na relação pai e filho, e como um fato aparentemente simples pode mudar muita coisa. “Ariel Perelman é defensor público e dá aulas em uma universidade. Sua vida é organizada, mas sem grandes emoções. Até que conhece Sandra, uma de suas alunas, por quem se apaixona. Quando ela deixa o curso ele passa a frequentar as aulas de pilates que ela ministra, apenas para ficar ao seu lado”
“As Leis de Família” foi transmitido na Mostra Internacional de Cinema que a TV Cultura exibe às quarta-feira e sextas, sempre às 22horas.

domingo, 17 de outubro de 2010

Paúba - São Sebastião

Uma das coisas que fiz no feriado foi ir até Paúba, uma praia que pertence ao município de São Sebastião/SP.





A previsão era de chuva e frio. Acordamos bem cedo: eu, Bruno, Roque e Thais. Munidos de otimismo e bolacha Passatempo, clamamos para todos os santos durante o trajeto. Não fomos atendidos. Estava nublado e um friozinho gostoso. Como eu adoro ir à praia quando está nublado também, curti pacas!

A praia é bonita e bem pequena. Tem apenas 450 m de extensão. Ao redor tem algumas casas de veraneio, barcos de pescas e alguns campings. Lá, a tranquilidade impera, por isso, resolvemos nos aventurar em uma trilha.
Chegando lá em cima é possível ver também a praia de Maresias, que fica bem ao lado. Depois de uma longa caminhada, ficamos assim: Lost in Paúba



PS: A praia é linda, a água é limpíssima, vale a pena conhecê-la. Porém: leve repelentes, bolachas, salgadinhos e tudo o que tiver direito, pois na praia, pelo menos neste dia, haviam dois carrinhos e apenas um vendia uma iguaria nunca antes encontrada na história deste país: hot dog.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Divagações sobre "500 Days of Summer"

Fui ao cinema assistir a "500 Days of Summer" duas vezes. Chorei em ambas. Acho que mais do que a história, os diálogos mexeram comigo. Sempre converso sobre filmes com as pessoas, e lembro que muitos comentaram que deixaram de ver “500 Days” por acreditarem tratar-se de mais uma comediazinha romântica, bem água com açúcar. Eu sempre respondia que haviam se enganado.

Talvez, este seja um daqueles filmes do tipo: ame ou odeie. Eu, amo!
Ontem, frio e chuva cá, nesta província, pedi pizza e deleitei-me mais uma vez com o longa. É engraçado essa experiência de rever as coisas. Você enxerga outras, sente lances diferentes, decora uma frase, canta uma canção. Aliás, o filme é uma experiência musical fantástica! É incrível como a trilha sonora se encaixa perfeitamente com cada cena.

Bom, a história é basicamente assim: menino conhece menina. Ele se apaixona; ela não. Então, a narrativa vai sendo contada, alternando os 500 dias que passaram juntos.

Quando o vi pela primeira vez, saí chorando feito uma louca, sozinha pela rua. Achava tudo tão injusto. Depois, fui com uma amiga e, durante a sessão cafezinho pós-filme, “debatemos” a história sobre vários ângulos, e passei a notar as coisas positivas.

Existe uma mudança incrível na vida do personagem que, se fomos colocar dentro da Jornada, seria a famosa fase de iluminação. O amor, o se relacionar é tratado sobre ângulos bem distintos pelos protagonistas, e o mais engraçado é que, apesar das diferenças e do trágico, um acaba aprendendo com o outro.

Lembro que um dia, após a aula da Pós, conversávamos na mesa do bar sobre este filme e cheguei a ser direta com dois amigos: “Meu, desde o início ela disse que não queria nada sério, ela avisou!”. Eles também foram diretos: “Isso não justifica!”
Fiquei até sem palavras, porque geralmente quem não se conforma com os desencontros do amor são as mulheres. O que prova mais uma vez que quando o assunto é este, não existe uma bula que você lê e segue as recomendações.

Tom se apaixonou, Summer não. O que tinha de errado com Tom? Nada! Isso aconteceu porque assim é a vida...

O diálogo dos dois, quase no final do filme, ilustra um pouco a estrada de desencontros que é viver:

Summer: Sempre amei esse lugar, desde que você me trouxe
Tom: - Então... acho que devo dizer “parabéns”
Summer: Só se realmente for sincero!
Tom: Bom, neste caso...
Eles riem
Summer: - Então, você está bem?
Tom: Vou ficar, uma hora, ou não...
Tom: Pedi demissão.
Summer: Pediu? Eu não sabia, que ótimo!
Tom: E você casou, não?
Summer: É... loucura, não?
Silêncio...
Tom: Deveria ter me contado. Quando estávamos na festa.
Summer: Ele não tinha pedido ainda
Tom: Mas ele já estava em sua vida
Summer: Sim...
Tom: Então porque dançou comigo na festa?
Summer: Porque eu quis
Tom: Você só faz tudo o que quer, não é?
Silêncio
Tom: Não queria ser namorada de ninguém e hoje é esposa.
Summer: Me surpreendeu também.

...


Summer: Eu só acordei um dia e soube.
Tom: Soube o que?
Summer: O que eu nunca tive certeza com você.
Trilha sonora triste!
Tom: Sabe o que é uma droga? Perceber que tudo o que você acredita é mentira, é uma droga...
Summer: O que quer dizer?
Tom: Sabe? Destino, alma gêmea, amor verdadeiro e todos aqueles contos de fadas infantis. Besteira, você estava certa, devia ter te escutado.
Summer: Não!
Tom: Sim!
Summer: Sabe, acho que porque é assim: estava sentada em uma doceria lendo Dorian Gray e um cara chegou para mim e me perguntou sobre o livro, e agora ele é meu marido.
Tom: É, e daí?
Summer: E daí, e se eu tivesse ido ao cinema? E se tivesse ido comer em outro lugar? Se tivesse chegado 10 minutos mais tarde? Era pra ser e eu só fiquei pensando: Tom estava certo! Só não era sobre eu que você estava certo!
Ela coloca a mão sobre a dele, que quase chora.
- Summer: Tenho que ir, mas fico feliz por ver que você está bem
Ela se vai, ele levanta do banco chama por ela e diz: "Espero realmente que seja feliz!"

...

Para mim, o filme deveria acabar nesta cena. Não precisa mais de protocolos que afirmem que há a possibilidade de um final feliz. Isso é bobagem...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Unidos pela escrita

O primeiro encontro foi em uma tarde de agosto. Cheguei timidamente e ainda atrasada. Sentei e olhei ao redor, queria ver cada rostinho. Saber quem eram as pessoas que viviam famintas de palavras, assim como eu.

Ansiava pela apresentação de cada um. Conhecer um pouco da trajetória, e principalmente o motivo que as levavam a procurar um laboratório de escrita. Fiquei feliz quando me vi naquelas pessoas. Era gente que não terminava uma história, que travava no meio, que tinha medo de colocar no papel... Gente que queria apenas se divertir, gente que queria fugir da realidade e mergulhar na ficção. Pronto, eu me sentia em casa.

Desde então, as tarde de sábado nunca mais foram as mesmas. Hoje, espero ansiosamente pelo encontro, pois sei que, lá, serei acolhida. Depois que a roda se forma, alguém dá o pontapé inicial. Faz a leitura de um conto, uma crônica, um pensamento... Não importa. Ali, fugimos da objetividade do lead, inventamos personagens, viajamos para um mundo qualquer. Não há corte, nem limitações, nem deadline. Ah, como é bom ser livre...

Somos guiados por uma mestra incrível, que, com uma varinha de condão, dá poderes inimagináveis para seus pupilos. Seu ensinamento? É simples: escreva sem medo, vá embora, deixe o personagem ganhar vida própria. O que é proibido? Deixar de escrever.

Olha... funciona, viu? Laboratório do Escritor

***
Lembro que sempre tive vontade de participar de grupos de literatura. Só agora consegui. A Cecilia Nery, jornalista, blogueira e colega de Jornalismo Literário, escreveu um belo texto sobre o assunto: Sobre grupos, livros e cafés

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Desapaixonando pelo MSN

Trimmm...
O telefone toca. Ok, isso não seria problema se não fosse 8:45 da manhã de sábado. Era Guta, mais uma vez querendo saber minha opinião sobre Marcão, o cara por quem está apaixonada.

Calma, caro leitor, eu sou uma boa amiga, mas não sou Freud e nem Mãe Dinah, muito menos fiz curso para “trazer o marido de volta em dez dias”. Logo, nem sempre tenho uma opinião sobre os assuntos do coração. E o mais curioso, é que Guta costuma me ligar para que eu opine sobre coisas, digamos, exóticas como por exemplo:

“Érika, ontem o Marcão estava de blusa vermelha. Você acha que ele está mais disposto a se entregar a uma nova paixão?”, ou “No sábado ele me encaminhou um email de uma corrente para arrecadar fundos para as vítimas do terremoto do hemisfério norte. Você acha que ele quis se aproximar?”, e ainda: “Esses dias o encontrei na padaria e ele me perguntou se o pão estava quente. Você acha que aos poucos eu terei uma chance?”

Desta vez, não foi muito diferente. Guta queria saber o que eu achava sobre o Marcão ter colocado a seguinte frase no MSN: “Só sei que nada sei”. E logo emendou: “Você acha que foi uma indireta pra mim?”

Respirei fundo e tentei burlar o mau-humor matutino. Busquei em minha memória um relatório das canalhices de Marcão e comecei aquele discurso pseudo-auto-ajuda que toda amiga deve fazer: “Ele não te merece, isso não é amor, se ele quisesse já teria ido atrás, logo você vai conhecer alguém que vai te arrebatar”.
Ela insistia, dizia que não consegue se imaginar ao lado de outro homem. Então, mudei o discurso: “se tiver que ser, será, o que é do homem o bicho não come, pratica o Segredo, nada é por acaso, quem espera sempre alcança, a esperança é a última que morre... Terminado o estoque de clichês, ela acrescentou chorando: “Ah, eu o amo! Ele é o cara mais lindo que já vi. Sem ele não consigo viver, ele é o sol que irradia minha vida”.

Cansada daquela cena bizarra, não havia mais citações motivacionais para acalmá-la, então, resolvi dizer a verdade:

- Guta, sinceramente acho o Marcão um saco. Não sei o que você viu nele, ele tem trinta anos e fica colocando frasesinhas no MSN. Não sei como alguém pode se apaixonar por alguém que copia máximas do tipo: Omnia vincit amor, Neoqeav... Daqui a pouco ele vai colocar SALADA. Aí é muita mancada!

E mais, pra mim ele é um viado enrustido. Homem que é homem não passa óleo no corpo para tirar fotos fazendo várias poses. Aposto que quando ele transa, fica preocupado com o topete. Sai dessa meu, se apaixonada por um homem de verdade. Aquele que bate na mesa, cospe no chão e coça o saco.

Me interrompendo bruscamente, Guta diz:

- Érika, Érika, ele acabou de colocar outra frase: “Filo porque quilo”. Será que agora ele me quer?

Tu, Tu, Tu...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Diário de Amélia - Cilada

Apesar de jovem, muitas vezes sinto-me uma senhora. Por isso, quando minhas amigas me chamam para sair, penso muito antes de aceitar. Talvez não tenha analisado tanto hoje. Por isso, nesta sexta-feira chuvosa, encontro-me em uma verdadeira cilada!
Do carro, eu avisto o bater das janelas, o trepidar das folhas e ouço o zumbido do vento. “Ai, acho que devia ter ficado em casa”, penso.
Minhas amigas estão eufóricas, parecem os corintianos na final da série B do Brasileirão, quando o time conquistava o campeonato e garantia a volta à série A, infelizmente. Mesmo sendo a mais jovem do grupo, sou a mais reclamona, pareço uma tia velha:
- Não dá para ir mais rápido? Estou com fome...
O primeiro lugar da noite é um barzinho muito famosinho por suas iguarias. São espetinhos e porções gordurosas que garantem a pança nossa de cada dia. Mas enfim, como ando muito preocupada com a forma física ultimamente, resolvi pagar alguém para correr na praia por mim.
Antes, até me importava se o pico estava ou não bombando, como dizem os adolescentes. Em caso negativo, era a primeira a cogitar a mudança. Mas agora, o que quero mesmo é sentar, comer e ser feliz ouvindo piadas e fazendo trocadilhos infames. E para completar, a noite perfeita deve ter uns coroas bem gatos. De moleque, já basta o mala do meu irmão.
Ao parar em frente o local, que parece mais uma missa em dia de domingo, as meninas decidem procurar algo mais, digamos... animado.
Eis a questão. Para onde vamos em uma sexta-feira chuvosa e fria, em Santos?
- Ah, Toninho do Bacalhau, é claro!, diz Bruna, que parece mais a garota propaganda do local.
Resolvo palpitar:
- Nossa, todo mundo fala do Heinz, ali no canal 4, mas eu nunca fui...
- Ah, verdade! Também sou louca para ir, reforça Priscilla.
Já Neni, nada diz. O que ela quer mesmo é pedir a primeira Cuba Libre da noite, nem que seja no inferno.
Assim que as quatro entram no Heins, o bar parou! Juro que não entendi... Será que eles se perguntaram: o que essas moças vieram fazer em um lugar um asilo? O mais novo devia ter uns 75. Eu gosto de coroa, mas não exagera vai...
- Vamos embora, pelo amor de nossa senhora de piraporinha do sul, digo.
Com preguiça de dirigir, resolvemos escolher algo por ali mesmo, naquelas imediações. Então, entramos no O Grill, que estava mais vazio do que palestra sobre Alimentos Transgênicos.
O garçom veio nos atender:
“Com a fome que eu estou, pediria um Boi no Rolete”, penso.
- Moço, eu quero pão de alho e um espeto de frango, digo.
- Não tem pão de alho.
- Hum, então eu quero um de linguiça apimentada.
- Também não tem.
- O que tem então?, pergunta Priscilla.
- Ah, tem porção de fritas.
-FRUTAS?????, pergunto assustada.
- FRITASSS, minhas amigas gritam.
Juro que entendi frutas! Fiquei imaginando ele chegando com a cerveja e uma bandeja cheia de maça e banana. Ah, vai que é um bar exótico.
- O espetinho de frango com provolone não tem, porque não tem o provolone, né?, pergunta Priscilla.
- Isso, responde o garçom para espanto da galera.
- Nossa! Não tem nada. É mais fácil pedir uma porção de pão com manteiga.
O garçom já havia entrado no clima e quando era chamado por nós, já avisava de longe:
-NÃO TEM!!!
Depois de umas cervejas quentes e uma comidinha sem graça, o que nos restava era cair em uma balada bem bacana. Mas quando chegamos próximo do carro, um pneu havia furado e o máximo que conseguimos foi terminar a noite com o tiozinho da borracharia cantando "Nóis trupica mais não cai, pode botar fé que desse jeito vai". Quem curte?
Amélia Kafka Silva é uma personagem fictícia. Publicado na revista Studio Box

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Matando a criatividade

Quem escreve sabe a dor que é quando a história está na cabeça e o papel está em branco. Comigo, por exemplo, trabalho com a realidade através do Jornalismo. Então, tudo fica mais fácil. A matéria sai muito que rapidamente. Confesso que não tenho problemas.

criatividade Agora, quando resolvo fazer ficção... É difícil começar algo do nada. Neste momento, por exemplo, há um documento do Word aberto me esperando. Ele foi criado já há algum tempo. Estou tentando desenvolver uma história mais grandiosa, me aventurando na ficção mesmo, porque que nem diz um amigo, “a realidade está foda!”

Mas o texto está travado. Acho que a ideia é boa, mas quem disse que consigo seguir em frente? Tem dias que vai uma folha. Outros, uma frase. É triste!

Até a forma narrativa me causa dúvidas. Comecei de um jeito, mas nem sei se vai ficar assim. Em conversa com um amigo, ele também concordou que o texto em primeira pessoa tem mais força. Empolga o leitor. Mas disse que para a minha história (essa que estou desenvolvendo) é melhor um narrador em terceira pessoa.

Chega a ser curioso. Eu tenho toda a história na cabeça, e sei aonde quero chegar. Já tenho um final, mas e aí?

Então, percebi que estou matando a criatividade. Na Pós-Graduação falaram bem disso. “A gente mata ideias boas dizendo que "tal coisa está ruim". Menosprezamos nossa imaginação. Está errado!

Acho que às vezes a ideia nem é tão genial, mas conforme você vai escrevendo, vai ganhando força.

Será que não é mais fácil utilizar a Escrita Rápida e não pensar em mais nada? Deixar rolar e ver aonde vai dar?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Letras em Cenas



Acabei de chegar do “Letras em Cenas”, um evento incrível da CPFL Cultura. Trata-se de um projeto de leitura de textos de peças teatrais, poesias, contos etc.

No palco, Elias Andreato, Clóvys Tôrres, Eucir de Souza, Fábio Herford, Nilton Bicudo, Romis Ferreira e Tânia Bondezan, fizeram a leitura de Édipo.

Antes de chegar, pensei que me daria sono. Por causa do formato mesmo. Que nada! Foi bem bom. Indicaria para pessoas que não conseguem se aquietar e ouvir. É um ótimo exercício.

Não fui a única a ter essa impressão. Depois da leitura, uma senhora na platéia comentou que “é um resgate do escutar”. Concordo plenamente. Você fica ali, sentado, ouvindo e imaginando as cenas. Adoro teatro, mas é tudo fácil, porque tudo está pronto. Vale a pena conferir as próximas leituras.


21/09

“O Sonho de um homem ridículo”, de Fiodór Dostoiévski
Adaptação e direção de Rubens Curi
Com Elke Maravilha e Clóvys Tôrres

19/10
“Adeus aos casais”, texto e direção de Leo Lama
Com Taumaturgo Ferreira e convidada

23/11
“Cordélia Brasil”, de Antonio Bivar e direção de Nelson Baskerville
Com Maurício Machado, Gabriela Alves e Daniel Alvim

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pout pourri de filmes

Resolvi fazer um pout pourri de alguns filmes que assisti nos últimos dias, e que não tive tempo de resenhá-los:

DVDs

Hotel Ruanda: Fazia parte da minha listinha, e o coitado sempre era deixado de lado. Resolvi dar uma oportunidade a ele, que não me decepcionou. Fez-me lembrar de “Diamantes de Sangue”. O Filme é bom e retrata o conflito político que aconteceu em Ruanda, onde quase um milhão de pessoas foram mortas em apenas cem dias.

Edukators: Alguns amigos já haviam indicado este filme. Três jovens rebeldes que querem mudar o mundo. Invadem mansões, mas não roubam nada. Apenas trocam os móveis de lugar, deixando em seguida uma mensagem. O conflito começa quando o grupo precisa, por falta de opção, sequestrar um empresário. Gostei bastante principalmente porque é daqueles tipos que não se fecham. Dão margem à reflexão e isso é ótimo.

Eu você e todos nós: Indicado por um amigo mais que especial. O filme mostra uma singeleza incrível ao abordar questões complexas, como o medo, por exemplo: medo de se relacionar, de se abrir ao novo, de se descobrir.

Brilho eterno de uma mente sem lembrança: Eis aqui outro que estava na minha lista. Confesso que, neste caso, fiquei adiando porque desconfiava muito de Jim Carrey em um papel dramático. Mas ele me impressionou muitíssimo. O filme é bom e também levanta várias questões: “Afinal, nem a “ciência” pode acabar com um amor?”. Ou “Será que tudo nesta vida são meras repetições?”.

Zelig: Decepcionante!Principalmente por se tratar de um filme cujo diretor é Woody Allen. Mas há coisas boas! Achei o filme belo, quase todo em preto e branco. Achei diferente, original. Mas, mesmo assim, não gostei porque não tem boas piadas.

Noivo neurótico, noiva nervosa: Gostei, mas ri pouco.

Os Delírios de Consumo de Becky Bloom: Tudo é clichê, mas tem lá seus encantos, como, por exemplo, o editor, Luke Brandon (Hugh Dancy). É um típico “filme domingo”.

Bem me quer, mal me quer: Uma surpresa! Ele estava meio perdido, em um cantinho escondido da locadora. É um filme francês estrelado por Audrey Tatou. Há quem diga que a moça perdeu a moral depois de protagonizar, ao lado de Tom Hanks, o filme “O Código da Vinci”. Porém, ainda me simpatizo por sua atuação. Ela me surpreendeu muito em "Coco antes de Chanel", um filme do qual eu não esperava nada. E, claro, o inesquecível “O Fabuloso Destino de Amelie Poulin”. A sinopse de “Bem me quer, Mal me quer” dizia mais ou menos que: “Angèlique (Audrey Tatou) é uma estudante de artes que só pensa em Loïc (Samuel Le Bihan), um homem casado que não liga para ela, e ainda a trata mal. Mas ela não desiste! Achei que poderia ser apenas “legalzinho”, mas foi uma grande surpresa. Angèlique é simplesmente uma apaixonada? Vive um amor platônico? Há muito mais por trás de tudo isso. Vale muito a pena vê-lo.

Fale com ela: Belíssimo! Como quase tudo que o Pedro Almodóvar faz. Um enfermeiro se apaixona por uma bailarina. Ela sofre um acidente de carro que a deixa em coma. Passa a ser cuidada de forma toda especial por este enfermeiro, que passa a conversar com ela todo o tempo. Há mais surpresas, mas prefiro ficar por aqui para não estragar.

Cinema

A origem: Simplesmente espetacular! Há muito mais neste filme do que apenas tecnologias e maneiras diferentes de se fazer. Apesar do roteiro complexo, a história é bem amarrada. O filme está gerando diversas interpretações, o que demonstra um lado muito positivo.

Quincas Berro d’água: O filme é engraçadinho e só. Estava muito ansiosa para ver, principalmente porque Quincas é interpretado por Paulo José, que vive um ex-funcionário público. Quincas é encontrado morto, mas seus amigos decidem levá-lo para continuar as bebedeiras e passam a brincar de “um morto muito louco”. É baseado na obra de Jorge Amado. Tem umas piadas bacanas. É um filme OK.

O estranho em mim: Filme péssimo! Inaugura o mais novo cinema mudo! Brincadeiras à parte, o filme é silencioso, o roteiro é ruim e não passa nenhuma mensagem otimista para mães, ou para aquelas que desejam ser. Levanta uma questão e não resolve nada.

Meu Malvado Favorito: Esperava muito desta animação, mas gostei médio. A voz do malvado é de fazer rir, e ele como malvado é um ótimo bunda mole.

O Escritor Fantasma: Maravilhoso! Ótimo roteiro, tem poucas, mas boas piadas e uma fotografia belíssima. Roman Polanski consegue manter um suspense interessante ao contar a história de um jovem escritor, (Ewan McGregor). Ele é contratado para reescrever e terminar um livro de memórias sobre o ex-primeiro-ministro britânico Adam Lang (Pierce Brosnan).

O Bem Amado: É bem ruim! Adoro cinema nacional, mas este deixou muito a desejar. Péssimas interpretações, coisas muito teatrais e desnecessárias.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Escrevo quando dá

Caros três leitores,

Publicaremos textos no seguinte endereço http://escrevoquandoda.blogspot.com/

Lá, texto de Liliam Silva, Jefferson Santos e desta que vos fala.

O "Narrativas e Divagações" permanece com publicações ainda desta que vos fala.

Prometo atualizações frequentes.

sábado, 14 de agosto de 2010

Sorte no azar

TEXTO DE LILIAM SILVA

Quem diria que esta sexta-feira 13 seria tão movimentada e cheia de surpresas como foi. Por acaso só soube que haveria uma sexta-feira 13 dois dias antes, através do twitter de uma colega de Sampa.
Acordei aos poucos. O corpo ainda estava cheio de preguiça. Sem sair da rotina, tomei banho, comi um pouco assistindo às primeiras notícias a nível mundial, e depois fui para o trabalho. Um calor que não se consegue estar parado, e com os olhos irritados pelo ar pesado e sujo das áreas florestais atingidas pelos incêndios.
Ao chegar no trabalho, no nosso muro das lamentações (a apelidei assim, mas é uma parede onde constam recados importantes para o melhor funcionamento da empresa) constatei que havia uma nova informação acerca do site e seus visitantes. Logo fui informada que não era só este o recado, havia outro. Retornei e li que haviam objectivos a ser cumpridos nessa sexta-feira favorável aos gatos pretos. Saí do meu sector habitual e bora lá a batalhar. Não foi nada fácil! Mas não desisti. Foi um dia muito cansativo. Com bons clientes e muitos afazeres. Até ia partindo um espelho e ... Não! Depois do fecho, saí a correr pois eu tinha uma noite inteira pela frente!
Noite agradável, com uma amiga e algumas colegas que não estava há tempos. Nos encontramos no restaurante Migaitas, na Sé de Braga. Caí numa despedida de solteira! O grupo já estava aos saltos e a noiva nem por isso. Esta parecia estar incomodada com algo, e quando a ela perguntavam se seria o estresse com a data a se aproximar, esta dizia que não. Não a conhecia. Conheço boa parte da sua família, mas faltava ela. A analisei: loirinha bonita mas sem sal. E nem açúcar. Um tanto apática. Ela carregava um bolo em forma de pila (pinto para os brasileiros de plantão).
O restaurante já estava a fechar e ficamos naquele dilema: Nos deliciamos da pila doce ou não?! Naquele impasse interminável, acabamos por comer a pila sentadas ao pé da Santa Sé de Braga. Ai se o arcebispo nos visse...
Para continuar a noite, fomos para um barzinho em Vieira do Minho. Não esperava lá muita coisa, pois quando falamos de Vieira nos vem à cabeça o pasto, o campo, calmaria e ...alguns labregos ou parolos. Não estou a esteriotipar as pessoas que vivem no campo e na montanha. Mas os jovens que lá vivem na sua maioria sabem da realidade que os rodeiam mas por vezes negam achando absurdo. E a noiva que não estava nem um pouco segura de si, e muito acanhada, estava a achar tudo aquilo demasiado para sua cabeça. Estou a falar de uma jovem de 23 anos e que é enfermeira, hã! Ah é! Ihhh... esqueci de contar que encontrei o Fernando Rocha no bar, pois este fez stand-up comedy. Sentei-me, pois não acho graça à sua comédia. Resumindo: é parola, porca e machista. Continuando: então foi só abrir a champagne e a noiva fugiu. Nos abandonou! Levou com ela duas amigas da França, e umas primas, e deixou para trás três primas e uma desconhecida que percorreu kilómetros de Braga a Vieira, em estradas aos "S"! Bem, foi despeitada! Mas rimos da situação e continuamos a dançar.
Quem dirigia não bebeu, outras beberam um pouco a mais. Para a minha noite ficar completa, as minhas colegas foram fumar no estacionamento antes da despedida, e um grupo de rapazes se aproxima.
Perguntaram se tínhamos erva. Uma colega tinha, trocaram mortalhas e a maresia subiu. A minha amiga queria abandonar as outras duas mas nao quis, pois nao sabia quais eram as reais intenções dos rapazes. E já estavam todos alterados. Mas quando a conversa já não tinha mais rumo, aproveitei o insejo e cortei a relação para me despedir finalmente. Assim ocorreu tudo lindamente!
Na volta, cansaço, curvas e mais curvas e um incêndio próximo à estrada. Se saíssemos um pouco mais tarde, a estrada certamente estaria cortada pelas chamas já que não avistei um único carro de bombeiros.
Cheguei em casa bem, com um gatinho preto de chaveiro e na terceira tentativa consegui enfiar a chave na porta. Foi só cair na cama e esquecer deste dia de muita correria e que por sorte nada mau me ocorreu.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

De Uno na Daslu

Era uma manhã onde Inverno e Verão resolveram dar as mãos. Olhei pela janela e senti que seria um dia difícil. Respirei fundo, abri o guarda-roupa e escolhi meu melhor look, ou não? Não sei, nunca tinha ido à Daslu. Na boa, minha vontade era colocar uma calça jeans rasgada, uma camiseta preta, um All Star e fazer a jarbas para todas aquelas questões mundanas.
Afinal, se a senhora tranqueira pode sonegar impostos, por que não posso sonegar meu traje? Mas, como ia a trabalho, resolvi respeitar o corporativismo.
Creio que as questões corporativas foram esquecidas quando me colocaram dentro de um Uno Mille para ir à Daslu. Pasmem! Eu, claro não estava nem aí, e sentia que isso seria muito, muito divertido. Já outros colegas, não estavam gostando nada.
- Não acredito que vou entrar na Daslu de Uno!
- Relaxa, eu te arrumo uma caixa de papelão para você colocar na cabeça.
- E você brinca?
- Claro! Maior divertido! Agora comecei a gostar desse negócio.
O Uno seguia rumo à Serra e meu colega queria seguir rumo à sepultura. O carro está cheio. Não sei por que as pessoas insistem em querer derrubar a lei de Newton? Meu celular acaba de tocar e, juro, não consigo levar meu braço até a bolsa! O colega ao lado quer discutir as questões do processo de globalização e dos países emergentes dando uma visão marxista. E ele fica bravo porque eu não estou olhando pra ele.
- Amigo, eu estou te ouvindo, mas se eu virar meu rosto meu pequeno nariz bate no seu.
Finalmente chegamos ao império do luxo. Logo na entrada, temos um panorama do que é aquilo, em espécies de placas representando marcas: Chanel, Dior, Dolce & Gabbana, Prada Gucci, Ermenegildo Zegna, Salvatore Ferragamo... Como o evento era no Terraço Daslu, que fica no último andar da boutique, nosso belo Uno começou a subir uma rampa.
- Ae, seo Zé, segura a caranga, porque se esse carro descer vai bater na Ferrari que está aqui atrás. Vai ser osso, digo.
Ele fica tão assustado que resolve apertar o freio de mão e pede para não respirarmos por alguns instantes.
Chegando ao estacionamento, um homem trajado com um uniforme creme e de quepe, vem em nossa direção. Pensei que fosse algum príncipe do Egito, mas era apenas o manobrista.
- Senhor, a entrada de serviço fica à rua ao lado.
- Não, nós viemos para o evento.
- Ah, ta!
Ele dá uma risadinha meio sem jeito. Acho que pensou que era uma piada.
Eu sabia que isso ia ser divertido. Um império montado por mentiras e falcatruas. São 6. 500 metros de falsas ilusões, onde apenas alguns podem adentrar nas dependências. E eu, baixa-renda, estava ali. Achando tudo muito, muito imbecil.
Depois de cumprir com meus afazeres. Fui dar uma voltinha na Daslu Casa. Peguei uma taça e vi que, para comprá-la, deveria juntar dois meses do meu salário. Em uma taça! Quanta injustiça, eu bebo vinho Chapinha em copo de plástico!
- Amélia, você viu esse quadro? Custa 22 mil.
- Vi, é igualzinho a um que eu tenho em casa e que paguei 30 mango.
Hora de sair desse mundo e voltar à realidade. Lá vem o manobrista trazendo nosso Uno. Dá para ver a cara dele de ódio. Acostumado apenas a dirigir carros como Jaguar, BMW e Ferrari, deve estar achando um disparate esse bando de assalariado fazê-lo dirigir esse 1.0.
A raiva dele era tamanha que a energia negativa acabou passando para o carro, que começou a engasgar e morreu. Agora, arregaça as mangas e ajuda a empurrar a caranga. Perdeu playboy.
Amélia Kafka Silva, tem 27 anos e é uma personagem fictícia.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Domingo

Já passaram quatro dias.
Domingo, dia de missa para os católicos. É mais um dia de descanso para quem trabalhou a semana toda. É dia para estar com a família num grande almoço, é dia de bater uma bolinha, é dia de aproveitar um bom cinema acompanhado de uma saborosa pipoca... Mas para mim, é mais um dia de trabalho que considero especial. Digo especial pelos clientes que passam pela loja e fazem as suas compras habituais para casa ou para agradar alguém querido ou apenas para não chegar de mãos à abanar num evento próximo.
Sim, estes são especiais! São pessoas que trabalham a semana toda, arduamente ou não, e no domingo, dia da sua folga, preferem alegrar os olhos ao ver diversas montras das lojas do shopping. Preferm passear com toda a sua família e lá almoçar ou jantar.
As crianças por sua vez enlouquecem e para sua diversão saltam em cima dos móveis em exposição, como se nunca tivessem visto tal coisa na vida. Como um parque de diversões ou um zoo.
Os pais ficam impacientes, apressam as suas esposas para não gastarem demasiado com artigos que não compreendem e chamam a atenção das crianças, alguns com gritos e chapadas na cara e, outros apenas com o olhar.
Alguma clientela surge com perguntas desnecessárias, por vezes estúpidas e com uma certa lentidão, o que me faz pensar se aproveitaram mais umas horinhas na cama ou mesmo desconfio se ingeriram Prozac, Xanax ou produtos do gênero. Maioritariamente me refiro às mulheres.
Um dia de descanso para uns, um dia de muita dor de cabeça para outros.
Um dia em que temos que respirar profundamente antes de responder a qualquer questão e ter calma para não insultar ou bofetear se é que me entendem.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Paulão, o 46 complicado

Me separei há 11 anos, depois de um relacionamento de 14. Não foi fácil, mas superei. A separação para um homem nesta idade que estou, 46, é bem mais difícil do que para a mulher. Ah, porque fica tudo mais complexo, dá uma certa preguiça de se relacionar novamente.

Se eu tivesse me separado agora, nem sei como seria... Mas desde que terminei, tive apenas relacionamentos sem importância. Por quê? Ah, porque não achei ninguém... Hoje as coisas são diferentes, as pessoas têm medo de se relacionar.

Com mulheres da minha idade? Jamais! Todas vêm com um caminhão de problemas: ex-marido, filhos, menopausa, estresse... aí não dá, né? Alguns homens têm vergonha de se relacionar com uma mais nova. Ficam constrangidos de entrar em um restaurante com uma garota bem jovem e encontrar um amigo. Existe até o desejo, isso sem dúvidas, mas eles têm medo. Pensam demais.

Eu? Imagina, não tenho problema nenhum com isso. Só ando com jovens, são mais alegres, saem pra beber, pra se divertir. E também em relação às mulheres. Só mais novas, porque acaba acontecendo... É bem mais fácil se envolver com uma mais jovem, são mais divertidas dão um brilho pra sua vida, você não tem noção.

30? Não, já tá velha pra mim. Eu estava com uma de 32 e estava gostando, mas aí, ela embarcou para trabalhar em navio. Ficamos afastados por seis meses. Quando ela voltou, não me procurou. Também não procurei. Depois de dois meses ela ligou. Fomos à praia e logo eu disse a ela: ‘poxa, você sumiu. Voltou de viagem e nem me ligou!’ Aí, ela me veio com um papo: ‘não, sabe o que é? É que eu estou pensando... já estou com 32 anos, queria formar uma família’. Aí, já estava com raiva mesmo e falei: ‘olha, não penso em formar porra de família nenhuma. Na minha idade, eu já não formo mais nada’. Depois disso, nunca mais nos falamos.

Não, não é que estou de brincadeira... não. Mas é difícil mesmo. Às vezes eu recuso convites, porque, cá entre nós, dá muito trabalho. Agora, então que peguei um animalzinho de estimação. É, deixa a casa mais alegre. Sim, o nome dela é Cacilda. É uma gatinha e é legal porque é muda, né? Às vezes ela dá um miau, só concordando com tudo.

Se eu vou ficar sozinho pra sempre? Olha, pelo jeito... E eu não estou preocupado, não. Cada vez mais as pessoas caminham para o individualismo. Tem dias que eu pego minha cerveja, fico aqui ouvindo um som, lendo um livro e me sinto muito feliz. Pra quê sair de casa? Tevê a cabo, DVD, livros, cerveja...

sábado, 26 de junho de 2010

Mundial 2010: Brasil X Portugal

Retrocedendo: na última segunda-feira Portugal goleou por 7x0 a seleção da Coréia do Norte. Acompanhada de amigos, assisti ao 1º tempo num restaurante à beira-mar (Leça da Palmeira). Depois fomos comprar ingressos para um concerto no Norte Shopping (Porto) e já pelo caminho ouvia: GOLO!!!! E estes não paravam. Todos estavam empolgados com aquela actuação da equipe portuguesa. E eu só ouvia: Portugal assim marca 5 golos em cima do Brasil! Rsrsrsrrs... por dentro eu fervia!
Ontem, o dia D, no qual fiquei bastante ansiosa e não via a hora de começar o show de bola, ri imenso. Muitos passes errados de ambas as equipes, sem concretização e violência corporal. Por vezes aquele jogo me fazia voltar no tempo, no ano de 1998 no jogo do Brasil com a França. Muita desconcentração, ou maior posse de bola, mas a possuíam de tal forma que não queriam largá-la! Parecia uma peladinha na praia. Eu não estava a acreditar. Cristiano Ronaldo e seu ego por sua vez corria, driblava e nada. Os jogadores brasileiros chegavam devagar na grande área, numa descontração e quando chutavam... trave! Fora! Chute fraco!
Pensei: "Coitado daqueles que pagaram por aquele bendito ingresso!"
Será que foi combinado? Sei lá, nunca sabemos o que se passa no background...
O que será da nossa equipe canarinha se defrontar uma Argentina, ou uma Alemanha?
Será que estamos tão presos à técnica? Esquecemos de ser criativos e ao jogar parecemos europeus?!
Bem, são milionários, estão com as suas contas bancárias cheias de grana, e que mais vale a pena brincar de bola. Ah! Pelo menos já observo mais jogadores a cantar o hino nacional e não só a abrir e fechar os lábios como um peixinho! Dá orgulho de ouvir aquele hino!
Enfim... nessas oitavas de final tenho a esperança de ainda ver um Brasil com garra, bola no pé e cheio de vontade de ganhar!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Whatever Works (Tudo pode dar certo)

Whatever Works (Tudo pode dar certo) é um filme tão divertido que fui assistir duas vezes. Há quem diga que a última obra de Woody Allen acrescente pouco ou quase nada à filmografia. Mas é complicado achar isso de alguém que já dirigiu mais de 40 filmes. Acho que ele sempre pode me dizer alguma coisa. E Whatever Works diz.
Boris Yellnikoff (Larry David) é um homem que deve ter uns cinqüenta e tantos anos. Tão mal- humorado que chega a ser engraçado e até mesmo charmoso. Sim, porque charme é você ser o que é, e dizer sem medo o que pensa. Charme não é beleza. Charme é atitude. Então, Boris é charmoso.
Ele tentou se matar por duas vezes. A primeira tentativa lhe deixou com um problema na perna que o faz mancar até hoje. Além disso, Boris é hipocondríaco, se acha um gênio e vive falando mal do ser humano. Ah, e não gosta de fazer sexo!
Com este perfil, a gente se pergunta. “Quem pode se interessar por alguém assim?” E como tudo nessa vida pode dar certo, a vida de Boris cruza com a doce Melodie. Uma jovenzinha que deve ter uns 22 anos, e que decidiu fugir de casa.
Ela pede abrigo a Boris, que decide ajudá-la depois de muita insistência. O que era para ser uma noite, vai se tornando dias, meses e muitas, muitas situações engraçadas. Boris, o eterno mal-humorado é o rei das piadas. O filme é de um humor inteligente e refinado. Quem cochilar, perde.
Até de burra ele chama Melodie, mas ela parece não se importar.
Como os extremos são interessantes. É como se a partir daquele momento, o equilíbrio tão procurado por todos aparecesse da noite para o dia. Um gênio, com uma burra, um velho, com uma jovem… Melodie se apaixona e nós, espectadores nos apaixonamos juntos.
Todo mundo tem dentro de si um Boris e também uma Melodie. E se não fosse assim, a vida seria sem graça…
Calma, não pense que esse será mais um daqueles roteiros clichês. Um mudando a vida do outro, aquela paixão açucarada e sem graça…
Whatever Works mostra também o quanto nós podemos mudar. Seja porque a vida obriga, ou porque no fundo todos nós gostaríamos de fazer diferente, mas por medo de repressão, permanecemos moldados como estátuas.
Whatever Works é incrivelmente divertido, inteligente, sem clichês. Só não gostei de um detalhe. Conclusão: o filme é bom, vá assistir!
Nota: 9,5
Publicado no blog da Revista Studio Box

Hanami, cerejeiras em flor”

Quando iniciamos este blog ficou combinado que não faríamos resenhas propriamente ditas. O objetivo era apenas comentar, sem compromisso. Escrever o que sente e isso basta!
Misto de alegria e tristeza. Foi assim que saí do cinema após a sessão de “Hanami, cerejeiras em flor”. Triste belo filme. Assim mesmo, sem vírgula, sem ponto. Chorei, ri, pensei…
O filme da cineasta alemã Doris Dorrie quase levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim e ganhou 7 outros prêmios internacionais.
Trudi descobre que seu marido, Rudi, está com uma doença terminal. O médico sugere que eles façam juntos uma viagem. Um dos sonhos de Trudy é conhecer o Japão. Porém, convence o marido a visitar os filhos em Berlim.
Quando o casal chega por lá, percebe que os filhos cresceram, formaram suas vidas e, por isso, não têm mais tempo para os pais. Essa é uma das primeiras questões que o filme levanta: o tempo.
Mesmo sem a atenção dos filhos, Trudi e Rudi conseguem administrar a situação. Percebem agora que precisam cuidar um do outro.
Logo, o filme corta a narrativa e dá ao espectador uma surpresa. Rudi, para realizar o sonho da esposa, viaja para o Japão para passar um tempo com um dos filhos. Este, tomado pelo trabalho, logo se cansa da presença do pai. “Ele fica sentado aqui sem fazer nada o dia todo. Não sei mais o que fazer. Ele já foi a todos os passeios da cidade. Não posso sugerir um passeio todo dia. Simplesmente não tenho tempo. Desculpe, mas ele está me deixando nervoso.”
Em um dos passeios, Rudi encontra uma jovem que dá a ele toda a atenção que o filho não dá.
Tempo, relacionamento entre pais e filhos, morte, amor e amizade são tratados com singeleza. Um filme timidamente encantador!

Nota: 9

Publicado no blog da Revista Studio Box

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Eu tive um sonho...

"... e depois sentava-me no parapeito da janela da sala, no pequeno apartamento e no primeiro andar onde vivo. De repente, me desequilibrei e ... segurei a minha respiração e por dentro gritava de horror. O cair era demorado e nunca mais acabava. Como uma pluma no vento. Queria acordar e não conseguia. Meu corpo se esforçava, mas nada adiantava. E continuava a cair. Quando menos espero, acordo!"

"... continuava a dormir. Levemente. E aos poucos o meu colchão levitava em direcção à janela, que se abria, e mesmo estando com os olhos fechados conseguia ver toda a minha vizinhança: suas casas, seus animais de estimação, seus carros, árvores..."

"... corri, corri e corri. Por ruas desconhecidas e obscuras. Por estas ruas haviam poucas pessoas, e estas não viam o meu desespero. Eu olhava para trás, e não conseguia ver de quem eu fugia. E continuava a fugir com as lágrimas a escorrer pelo meu rosto e misturando-se com o suor frio do pavor..."

Há sonhos que perduram anos em minha vida. Hoje sonho. Amanhã talvez não. Talvez volte dentro de algumas semanas.
Estes relato durante o pequeno-almoço (café da manhã), seja com quem for. Basta me sentir confortável e começo: -" Eu tive um sonho...". Sem piscar os olhos e com aquela esperança de desmistificá-lo. Cada um dava o seu palpite. A minha mãe dizia sempre que eu estava a crescer. Mas esta hipótese eu não engolia. Entrava por um ouvido e saía pelo outro.
Ao arrumar a casa da minha avó, a sua estante da sala em particular, pelo meio de tantas fotografias de viagens e festas, algumas revistas, encontrei um livro. Hoje não me lembro do seu título mas o tema era sonhos e seus significados. Era um guia, como se fosse um dicionário de imagens. Lembrava das imagens importantes no sonho e o autor explicava o significado e relação. Continuei a consultá-lo mas também sem crer totalmente. Ainda devo tê-lo guardado em algures.
Aos 16 anos ao apresentar um projecto num concurso literário promovido pelo Clube Soroptimista de Santos na Universidade Santa Cecília, no auditório ao lado do qual eu estava, seguia uma palestra sobre sonhos que há meses ansiava. Enfim, os meus amigos pularam de um auditório para o outro e acharam tudo o máximo.

E os sonhos que não tem pé nem cabeça. Aqueles que estamos no lugar errado, com as pessoas erradas em episódios estúpidos, sem sentido?!
Bem, há muito o que se falar deste assunto.
Vou terminar com duas frases para reflectir:

"Sonho com o dia em que a justiça correrá como a água e a retidão como um caudaloso rio." (Martin Luther King)

" Todos nós temos nossas máquinas de tempo. Algumas nos levam de volta, elas são chamadas recordações. Algumas nos levam adiante, elas são chamadas sonhos" (Jeremy Irons)




terça-feira, 8 de junho de 2010

Escrever



Verão de descanso e mudanças pela frente. Vontade de viajar e fugir, mas de reagir perante ao esperado da vida - é como me encontro.
Sei quem sou e onde quero chegar, mas não me encontro. Então estou naquela busca enlouquecida de me entender, de que me façam me entender e há quem possa me entender. Todo esse desejo e fúria acumulados, e que por vezes desperto e não faço me compreender. Piro e choro. Choro com direito a soluços, pelo tempo em qual ficou engasgado e naquele momento achei melhor não deixar rolar. Rolar as lágrimas.
Tudo me inspira. Tenho tanto o que dividir e o que contar, e nem sei por onde começar. Talvez este não seja o melhor momento. Ou talvez seja o melhor momento! Quando há aquela explosão de emoções e que o abstrato torna-se claro na visão de cada um. Mas sempre com um ponto de interrogação.



EU.


ENCONTRO.


DESEJO.


MAS...


ONDE?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Viajo porque preciso, volto porque te amo

Um dos motivos que me animou a ver este filme foi o título. Antes mesmo de ler qualquer crítica pensei: “vou assistir!”. “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, frase linda, lindo título. Porém, quase dormi na sessão. Olha que gosto de formas diferentes de se fazer, mas tudo tem limite. 

O filme dos cineastas Marcelo Gomes e Karim Aïnouz é uma mistura de documentário com ficção e “conta” a história do geólogo José Renato que ruma para uma viagem pelo sertão nordestino. Ele viaja porque quer, ou será que viaja para esquecer? Já que acaba de terminar seu casamento.
Ainda apaixonado pela esposa, o protagonista que nunca aparece, clama frases de saudades, fala da paisagem que vê pelo caminho, filosofa… e é aí que o filme se perde. Deixa um ponto de interrogação gigantesco, do tipo: o que você quer me passar, afinal? 

Uma das partes mais interessantes está na interação do personagem com uma moça, que vive uma vida difícil e que sonha em ter uma “vida lazer”. Gostei disso!
“Viajo porque preciso, volto porque te amo” foi montado a partir de filmagens que foram realizadas previamente para o filme “O Céu de Suely”, de Karim Aïnouz, e de “Cinema, Aspirinas e Urubus”, de Marcelo Gomes.
Por isso, a narrativa foi montada a partir das imagens, e não o contrário.
Nota: 4

Publicado no blog da Revista Studio Box

domingo, 16 de maio de 2010

“O Segredo dos Seus Olhos” (El Secreto de sus Ojos

Olhos vidrados no Segredo
Sabe aquele filme que te deixa com os olhos grudados na telona? Aquele que você até esquece de roubar a pipoca do vizinho? Aquele que você sai do cinema louca para sentar em uma cafeteria, e ficar debatendo o filme horas a fio? Então, fazia tempo que eu não assistia um desses, mas “O Segredo dos Seus Olhos” é exatamente assim.
O filme é uma mistura de gêneros e baseia-se no seguinte enredo: um promotor, após se aposentar, decide escrever um livro sobre um caso ocorrido há 25 anos. Nesta aventura, ele conta com um amigo muito eficiente, mas trapalhão e engraçado. E ainda, há uma supervisora que auxiliam no caso, e que faz o coração do promotor bater mais forte.
Com um roteiro espetacular, o filme argentino é dirigido por Juan José Campanella e ganhou merecidamente o Oscar deste ano como Melhor Filme Estrangeiro. Não só a história é brilhante, mas também a forma que foi feito, cinematograficamente falando. Exemplo disso é uma cena em plano sequência que ocorre no meio do filme em um estádio de futebol.
A narrativa alterna passado e presente, e traz à tona questionamentos sobre vingança, amizade e amor.
Nos momentos finais, há várias coisas bacanas e surpreendentes. É um filme admirável; eu diria obrigatório para os amantes do cinema.
Nota: 10
Publicado no blog da Revista Studio Box

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Crente ou descrente, quem melhor entende?

Pelo que todos podem acompanhar nas notícias actuais de acontecimentos no Mundo, Bento XVI, o Papa da Igreja Católica Apostólica Romana está em visita a Portugal. Ontem, sua comitiva de apoio e o próprio, chegaram por volta das 11h da manhã em Lisboa, onde após foram recebidos pelos representantes maioritários no país incluindo políticos e até jogadores de futebol.
O aparato foi um dos melhores para receber centenas ou milhares de fiéis, portugueses e estrangeiros, muitos jornalistas... enfim, as ruas lisboetas foram limpas e lavadas por mais vezes, carros foram rebocados e havia mais segurança por todo o lado.
Com tantas mudanças em prol de melhoramentos, infelizmente o Papa não conseguiu parar a crise européia, não se juntou ao manifesto da população grega, e não parou o nosso Ministro das Finanças que prevê um aumento do I.V.A. para 1% ou 2%, mais aumentos de impostos (estes eram anunciados após o Natal, mas a "coisa" mudou), a criação de um novo imposto para os trabalhadores creditarem à Segurança Social e o corte no Subsídio de Natal. Aliás, estamos tão bem quanto a Grécia. Espanha e Itália também estão na corda bamba!
Com diversas manifestações antes da visita papal, assuntos como a pedofilia, o abuso de poder e a violência em internatos e colégios católicos, cometidas por padres e monsenhores das igrejas americanas, irlandesas, brasileiras..., o Papa dispôs o seu comentário, mas este foi superficial.
Um estudo de 2005, não sei se um censo, tem uma estimativa que a percentagem de católicos brasileiros rondam por 73,6% e de católicos portugueses 84,5%.
Além de alguns jovens que foram rezar por uma vida melhor, outros participaram de uma sensibilização e distribuíram preservativos. Alguns fiéis acharam a acção provocatória, e agiram com ira. Que é um pecado.
Como sabemos, a Aids teve o seu auge nos anos 80/90, mas esta persiste. Não só em populações miseráveis na África, como em parceiros no Brasil e Portugal, ou mesmo em consumidores de drogas injectáveis. São milhares de mortes. Digo MILHARES! Sendo que a maior parte são crianças de países africanos miseráveis.



Esta é uma realidade, e espero que haja um progresso para desmistificar o uso de contraceptivos, da homessexualidade e do aborto. E é por isso que a Igreja Católica não assina a carta de Direitos do Homem.
http://www.gddc.pt/direitos-humanos/textos-internacionais-dh/tidhuniversais/cidh-dudh.html


Como ser humano, sinto-me envergonhada pela existência da ignorância. Perante o século XXI, onde imaginávamos um avanço tecnológico imenso, o maior avanço não superamos.