Páginas

sábado, 26 de junho de 2010

Mundial 2010: Brasil X Portugal

Retrocedendo: na última segunda-feira Portugal goleou por 7x0 a seleção da Coréia do Norte. Acompanhada de amigos, assisti ao 1º tempo num restaurante à beira-mar (Leça da Palmeira). Depois fomos comprar ingressos para um concerto no Norte Shopping (Porto) e já pelo caminho ouvia: GOLO!!!! E estes não paravam. Todos estavam empolgados com aquela actuação da equipe portuguesa. E eu só ouvia: Portugal assim marca 5 golos em cima do Brasil! Rsrsrsrrs... por dentro eu fervia!
Ontem, o dia D, no qual fiquei bastante ansiosa e não via a hora de começar o show de bola, ri imenso. Muitos passes errados de ambas as equipes, sem concretização e violência corporal. Por vezes aquele jogo me fazia voltar no tempo, no ano de 1998 no jogo do Brasil com a França. Muita desconcentração, ou maior posse de bola, mas a possuíam de tal forma que não queriam largá-la! Parecia uma peladinha na praia. Eu não estava a acreditar. Cristiano Ronaldo e seu ego por sua vez corria, driblava e nada. Os jogadores brasileiros chegavam devagar na grande área, numa descontração e quando chutavam... trave! Fora! Chute fraco!
Pensei: "Coitado daqueles que pagaram por aquele bendito ingresso!"
Será que foi combinado? Sei lá, nunca sabemos o que se passa no background...
O que será da nossa equipe canarinha se defrontar uma Argentina, ou uma Alemanha?
Será que estamos tão presos à técnica? Esquecemos de ser criativos e ao jogar parecemos europeus?!
Bem, são milionários, estão com as suas contas bancárias cheias de grana, e que mais vale a pena brincar de bola. Ah! Pelo menos já observo mais jogadores a cantar o hino nacional e não só a abrir e fechar os lábios como um peixinho! Dá orgulho de ouvir aquele hino!
Enfim... nessas oitavas de final tenho a esperança de ainda ver um Brasil com garra, bola no pé e cheio de vontade de ganhar!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Whatever Works (Tudo pode dar certo)

Whatever Works (Tudo pode dar certo) é um filme tão divertido que fui assistir duas vezes. Há quem diga que a última obra de Woody Allen acrescente pouco ou quase nada à filmografia. Mas é complicado achar isso de alguém que já dirigiu mais de 40 filmes. Acho que ele sempre pode me dizer alguma coisa. E Whatever Works diz.
Boris Yellnikoff (Larry David) é um homem que deve ter uns cinqüenta e tantos anos. Tão mal- humorado que chega a ser engraçado e até mesmo charmoso. Sim, porque charme é você ser o que é, e dizer sem medo o que pensa. Charme não é beleza. Charme é atitude. Então, Boris é charmoso.
Ele tentou se matar por duas vezes. A primeira tentativa lhe deixou com um problema na perna que o faz mancar até hoje. Além disso, Boris é hipocondríaco, se acha um gênio e vive falando mal do ser humano. Ah, e não gosta de fazer sexo!
Com este perfil, a gente se pergunta. “Quem pode se interessar por alguém assim?” E como tudo nessa vida pode dar certo, a vida de Boris cruza com a doce Melodie. Uma jovenzinha que deve ter uns 22 anos, e que decidiu fugir de casa.
Ela pede abrigo a Boris, que decide ajudá-la depois de muita insistência. O que era para ser uma noite, vai se tornando dias, meses e muitas, muitas situações engraçadas. Boris, o eterno mal-humorado é o rei das piadas. O filme é de um humor inteligente e refinado. Quem cochilar, perde.
Até de burra ele chama Melodie, mas ela parece não se importar.
Como os extremos são interessantes. É como se a partir daquele momento, o equilíbrio tão procurado por todos aparecesse da noite para o dia. Um gênio, com uma burra, um velho, com uma jovem… Melodie se apaixona e nós, espectadores nos apaixonamos juntos.
Todo mundo tem dentro de si um Boris e também uma Melodie. E se não fosse assim, a vida seria sem graça…
Calma, não pense que esse será mais um daqueles roteiros clichês. Um mudando a vida do outro, aquela paixão açucarada e sem graça…
Whatever Works mostra também o quanto nós podemos mudar. Seja porque a vida obriga, ou porque no fundo todos nós gostaríamos de fazer diferente, mas por medo de repressão, permanecemos moldados como estátuas.
Whatever Works é incrivelmente divertido, inteligente, sem clichês. Só não gostei de um detalhe. Conclusão: o filme é bom, vá assistir!
Nota: 9,5
Publicado no blog da Revista Studio Box

Hanami, cerejeiras em flor”

Quando iniciamos este blog ficou combinado que não faríamos resenhas propriamente ditas. O objetivo era apenas comentar, sem compromisso. Escrever o que sente e isso basta!
Misto de alegria e tristeza. Foi assim que saí do cinema após a sessão de “Hanami, cerejeiras em flor”. Triste belo filme. Assim mesmo, sem vírgula, sem ponto. Chorei, ri, pensei…
O filme da cineasta alemã Doris Dorrie quase levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim e ganhou 7 outros prêmios internacionais.
Trudi descobre que seu marido, Rudi, está com uma doença terminal. O médico sugere que eles façam juntos uma viagem. Um dos sonhos de Trudy é conhecer o Japão. Porém, convence o marido a visitar os filhos em Berlim.
Quando o casal chega por lá, percebe que os filhos cresceram, formaram suas vidas e, por isso, não têm mais tempo para os pais. Essa é uma das primeiras questões que o filme levanta: o tempo.
Mesmo sem a atenção dos filhos, Trudi e Rudi conseguem administrar a situação. Percebem agora que precisam cuidar um do outro.
Logo, o filme corta a narrativa e dá ao espectador uma surpresa. Rudi, para realizar o sonho da esposa, viaja para o Japão para passar um tempo com um dos filhos. Este, tomado pelo trabalho, logo se cansa da presença do pai. “Ele fica sentado aqui sem fazer nada o dia todo. Não sei mais o que fazer. Ele já foi a todos os passeios da cidade. Não posso sugerir um passeio todo dia. Simplesmente não tenho tempo. Desculpe, mas ele está me deixando nervoso.”
Em um dos passeios, Rudi encontra uma jovem que dá a ele toda a atenção que o filho não dá.
Tempo, relacionamento entre pais e filhos, morte, amor e amizade são tratados com singeleza. Um filme timidamente encantador!

Nota: 9

Publicado no blog da Revista Studio Box

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Eu tive um sonho...

"... e depois sentava-me no parapeito da janela da sala, no pequeno apartamento e no primeiro andar onde vivo. De repente, me desequilibrei e ... segurei a minha respiração e por dentro gritava de horror. O cair era demorado e nunca mais acabava. Como uma pluma no vento. Queria acordar e não conseguia. Meu corpo se esforçava, mas nada adiantava. E continuava a cair. Quando menos espero, acordo!"

"... continuava a dormir. Levemente. E aos poucos o meu colchão levitava em direcção à janela, que se abria, e mesmo estando com os olhos fechados conseguia ver toda a minha vizinhança: suas casas, seus animais de estimação, seus carros, árvores..."

"... corri, corri e corri. Por ruas desconhecidas e obscuras. Por estas ruas haviam poucas pessoas, e estas não viam o meu desespero. Eu olhava para trás, e não conseguia ver de quem eu fugia. E continuava a fugir com as lágrimas a escorrer pelo meu rosto e misturando-se com o suor frio do pavor..."

Há sonhos que perduram anos em minha vida. Hoje sonho. Amanhã talvez não. Talvez volte dentro de algumas semanas.
Estes relato durante o pequeno-almoço (café da manhã), seja com quem for. Basta me sentir confortável e começo: -" Eu tive um sonho...". Sem piscar os olhos e com aquela esperança de desmistificá-lo. Cada um dava o seu palpite. A minha mãe dizia sempre que eu estava a crescer. Mas esta hipótese eu não engolia. Entrava por um ouvido e saía pelo outro.
Ao arrumar a casa da minha avó, a sua estante da sala em particular, pelo meio de tantas fotografias de viagens e festas, algumas revistas, encontrei um livro. Hoje não me lembro do seu título mas o tema era sonhos e seus significados. Era um guia, como se fosse um dicionário de imagens. Lembrava das imagens importantes no sonho e o autor explicava o significado e relação. Continuei a consultá-lo mas também sem crer totalmente. Ainda devo tê-lo guardado em algures.
Aos 16 anos ao apresentar um projecto num concurso literário promovido pelo Clube Soroptimista de Santos na Universidade Santa Cecília, no auditório ao lado do qual eu estava, seguia uma palestra sobre sonhos que há meses ansiava. Enfim, os meus amigos pularam de um auditório para o outro e acharam tudo o máximo.

E os sonhos que não tem pé nem cabeça. Aqueles que estamos no lugar errado, com as pessoas erradas em episódios estúpidos, sem sentido?!
Bem, há muito o que se falar deste assunto.
Vou terminar com duas frases para reflectir:

"Sonho com o dia em que a justiça correrá como a água e a retidão como um caudaloso rio." (Martin Luther King)

" Todos nós temos nossas máquinas de tempo. Algumas nos levam de volta, elas são chamadas recordações. Algumas nos levam adiante, elas são chamadas sonhos" (Jeremy Irons)




terça-feira, 8 de junho de 2010

Escrever



Verão de descanso e mudanças pela frente. Vontade de viajar e fugir, mas de reagir perante ao esperado da vida - é como me encontro.
Sei quem sou e onde quero chegar, mas não me encontro. Então estou naquela busca enlouquecida de me entender, de que me façam me entender e há quem possa me entender. Todo esse desejo e fúria acumulados, e que por vezes desperto e não faço me compreender. Piro e choro. Choro com direito a soluços, pelo tempo em qual ficou engasgado e naquele momento achei melhor não deixar rolar. Rolar as lágrimas.
Tudo me inspira. Tenho tanto o que dividir e o que contar, e nem sei por onde começar. Talvez este não seja o melhor momento. Ou talvez seja o melhor momento! Quando há aquela explosão de emoções e que o abstrato torna-se claro na visão de cada um. Mas sempre com um ponto de interrogação.



EU.


ENCONTRO.


DESEJO.


MAS...


ONDE?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Viajo porque preciso, volto porque te amo

Um dos motivos que me animou a ver este filme foi o título. Antes mesmo de ler qualquer crítica pensei: “vou assistir!”. “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, frase linda, lindo título. Porém, quase dormi na sessão. Olha que gosto de formas diferentes de se fazer, mas tudo tem limite. 

O filme dos cineastas Marcelo Gomes e Karim Aïnouz é uma mistura de documentário com ficção e “conta” a história do geólogo José Renato que ruma para uma viagem pelo sertão nordestino. Ele viaja porque quer, ou será que viaja para esquecer? Já que acaba de terminar seu casamento.
Ainda apaixonado pela esposa, o protagonista que nunca aparece, clama frases de saudades, fala da paisagem que vê pelo caminho, filosofa… e é aí que o filme se perde. Deixa um ponto de interrogação gigantesco, do tipo: o que você quer me passar, afinal? 

Uma das partes mais interessantes está na interação do personagem com uma moça, que vive uma vida difícil e que sonha em ter uma “vida lazer”. Gostei disso!
“Viajo porque preciso, volto porque te amo” foi montado a partir de filmagens que foram realizadas previamente para o filme “O Céu de Suely”, de Karim Aïnouz, e de “Cinema, Aspirinas e Urubus”, de Marcelo Gomes.
Por isso, a narrativa foi montada a partir das imagens, e não o contrário.
Nota: 4

Publicado no blog da Revista Studio Box