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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Eu tive um sonho...

"... e depois sentava-me no parapeito da janela da sala, no pequeno apartamento e no primeiro andar onde vivo. De repente, me desequilibrei e ... segurei a minha respiração e por dentro gritava de horror. O cair era demorado e nunca mais acabava. Como uma pluma no vento. Queria acordar e não conseguia. Meu corpo se esforçava, mas nada adiantava. E continuava a cair. Quando menos espero, acordo!"

"... continuava a dormir. Levemente. E aos poucos o meu colchão levitava em direcção à janela, que se abria, e mesmo estando com os olhos fechados conseguia ver toda a minha vizinhança: suas casas, seus animais de estimação, seus carros, árvores..."

"... corri, corri e corri. Por ruas desconhecidas e obscuras. Por estas ruas haviam poucas pessoas, e estas não viam o meu desespero. Eu olhava para trás, e não conseguia ver de quem eu fugia. E continuava a fugir com as lágrimas a escorrer pelo meu rosto e misturando-se com o suor frio do pavor..."

Há sonhos que perduram anos em minha vida. Hoje sonho. Amanhã talvez não. Talvez volte dentro de algumas semanas.
Estes relato durante o pequeno-almoço (café da manhã), seja com quem for. Basta me sentir confortável e começo: -" Eu tive um sonho...". Sem piscar os olhos e com aquela esperança de desmistificá-lo. Cada um dava o seu palpite. A minha mãe dizia sempre que eu estava a crescer. Mas esta hipótese eu não engolia. Entrava por um ouvido e saía pelo outro.
Ao arrumar a casa da minha avó, a sua estante da sala em particular, pelo meio de tantas fotografias de viagens e festas, algumas revistas, encontrei um livro. Hoje não me lembro do seu título mas o tema era sonhos e seus significados. Era um guia, como se fosse um dicionário de imagens. Lembrava das imagens importantes no sonho e o autor explicava o significado e relação. Continuei a consultá-lo mas também sem crer totalmente. Ainda devo tê-lo guardado em algures.
Aos 16 anos ao apresentar um projecto num concurso literário promovido pelo Clube Soroptimista de Santos na Universidade Santa Cecília, no auditório ao lado do qual eu estava, seguia uma palestra sobre sonhos que há meses ansiava. Enfim, os meus amigos pularam de um auditório para o outro e acharam tudo o máximo.

E os sonhos que não tem pé nem cabeça. Aqueles que estamos no lugar errado, com as pessoas erradas em episódios estúpidos, sem sentido?!
Bem, há muito o que se falar deste assunto.
Vou terminar com duas frases para reflectir:

"Sonho com o dia em que a justiça correrá como a água e a retidão como um caudaloso rio." (Martin Luther King)

" Todos nós temos nossas máquinas de tempo. Algumas nos levam de volta, elas são chamadas recordações. Algumas nos levam adiante, elas são chamadas sonhos" (Jeremy Irons)




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