Páginas

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Whatever Works (Tudo pode dar certo)

Whatever Works (Tudo pode dar certo) é um filme tão divertido que fui assistir duas vezes. Há quem diga que a última obra de Woody Allen acrescente pouco ou quase nada à filmografia. Mas é complicado achar isso de alguém que já dirigiu mais de 40 filmes. Acho que ele sempre pode me dizer alguma coisa. E Whatever Works diz.
Boris Yellnikoff (Larry David) é um homem que deve ter uns cinqüenta e tantos anos. Tão mal- humorado que chega a ser engraçado e até mesmo charmoso. Sim, porque charme é você ser o que é, e dizer sem medo o que pensa. Charme não é beleza. Charme é atitude. Então, Boris é charmoso.
Ele tentou se matar por duas vezes. A primeira tentativa lhe deixou com um problema na perna que o faz mancar até hoje. Além disso, Boris é hipocondríaco, se acha um gênio e vive falando mal do ser humano. Ah, e não gosta de fazer sexo!
Com este perfil, a gente se pergunta. “Quem pode se interessar por alguém assim?” E como tudo nessa vida pode dar certo, a vida de Boris cruza com a doce Melodie. Uma jovenzinha que deve ter uns 22 anos, e que decidiu fugir de casa.
Ela pede abrigo a Boris, que decide ajudá-la depois de muita insistência. O que era para ser uma noite, vai se tornando dias, meses e muitas, muitas situações engraçadas. Boris, o eterno mal-humorado é o rei das piadas. O filme é de um humor inteligente e refinado. Quem cochilar, perde.
Até de burra ele chama Melodie, mas ela parece não se importar.
Como os extremos são interessantes. É como se a partir daquele momento, o equilíbrio tão procurado por todos aparecesse da noite para o dia. Um gênio, com uma burra, um velho, com uma jovem… Melodie se apaixona e nós, espectadores nos apaixonamos juntos.
Todo mundo tem dentro de si um Boris e também uma Melodie. E se não fosse assim, a vida seria sem graça…
Calma, não pense que esse será mais um daqueles roteiros clichês. Um mudando a vida do outro, aquela paixão açucarada e sem graça…
Whatever Works mostra também o quanto nós podemos mudar. Seja porque a vida obriga, ou porque no fundo todos nós gostaríamos de fazer diferente, mas por medo de repressão, permanecemos moldados como estátuas.
Whatever Works é incrivelmente divertido, inteligente, sem clichês. Só não gostei de um detalhe. Conclusão: o filme é bom, vá assistir!
Nota: 9,5
Publicado no blog da Revista Studio Box

8 comentários:

Liliam Silva disse...

O filme parece engraçado. São poucos os filmes do Woody que gosto. Normalmente ele tem uma atriz com quem dedica personagens por algum tempo. A Diane Keaton foi uma das suas divas, entre outras...e a atriz da nova geração é a Scarlett Johasson. O último que assisti foi Vicky Cristina Barcelona e adorei a visão e a turbulência entre arte e paixão passado num verão.

Érika Pereira disse...

Nossa, é por causa dessa cisma dele com a Scarlett Johasson que eu torço o nariz pra ele. Mas esse filme é bem bom.

Liliam Silva disse...

Não gosta dela como atriz? Há papéis que ela desempenha bem mas em Match Point e no Vicky ela sempre desempenhou o papel da loirinha fatal!

Érika Pereira disse...

Então. Loirinha fatal é clichê demais, né? Chega. E não gosto dela como atriz. Match Point então é um filme bem ruim!

Liliam Silva disse...

Mas é isso... ele sempre tem uma atriz assim... a Diane Keaton tbm tinha cada papel...
É como o Almodóvar com a Penelópe Cruz. Participa em mts películas dele, mas o que marca a diferença é a distinção dos papéis e que ela consegue encarnar!
Caraca a semana passada vi uma actuação dela num filme chamado Nao te movas, de um realizador italiano e tá demais! Mesmo a carcterização, um ar de porca e menina sofrida... great!

Érika Pereira disse...

Ah, mas Almodóvar com a Penelópe Cruz eu gosto. Sempre acho que ela supera. E ele mais ainda. Adoro os fimes dele.

Malu disse...

Oi, Érika.
Adorei o seu blog. Também gostei bastante desse filme, saí do cinema com uma sensação positiva em relação a vida, o que é engraçado com um personagem tão ranzinza quanto Boris. O fato é que muitas coisas são previsíveis na vida, mas quando o improvável dá certo (e as vezes dá, mesmo), ficamos com uma sensação de que tudo é possível ... de que tudo pode dar certo, mesmo.
beijo, parabéns.

Dani Marino disse...

Ah, queria tanto ter visto. Adoro ele e mais ainda a Evan Rachel Woods.