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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Domingo

Já passaram quatro dias.
Domingo, dia de missa para os católicos. É mais um dia de descanso para quem trabalhou a semana toda. É dia para estar com a família num grande almoço, é dia de bater uma bolinha, é dia de aproveitar um bom cinema acompanhado de uma saborosa pipoca... Mas para mim, é mais um dia de trabalho que considero especial. Digo especial pelos clientes que passam pela loja e fazem as suas compras habituais para casa ou para agradar alguém querido ou apenas para não chegar de mãos à abanar num evento próximo.
Sim, estes são especiais! São pessoas que trabalham a semana toda, arduamente ou não, e no domingo, dia da sua folga, preferem alegrar os olhos ao ver diversas montras das lojas do shopping. Preferm passear com toda a sua família e lá almoçar ou jantar.
As crianças por sua vez enlouquecem e para sua diversão saltam em cima dos móveis em exposição, como se nunca tivessem visto tal coisa na vida. Como um parque de diversões ou um zoo.
Os pais ficam impacientes, apressam as suas esposas para não gastarem demasiado com artigos que não compreendem e chamam a atenção das crianças, alguns com gritos e chapadas na cara e, outros apenas com o olhar.
Alguma clientela surge com perguntas desnecessárias, por vezes estúpidas e com uma certa lentidão, o que me faz pensar se aproveitaram mais umas horinhas na cama ou mesmo desconfio se ingeriram Prozac, Xanax ou produtos do gênero. Maioritariamente me refiro às mulheres.
Um dia de descanso para uns, um dia de muita dor de cabeça para outros.
Um dia em que temos que respirar profundamente antes de responder a qualquer questão e ter calma para não insultar ou bofetear se é que me entendem.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Paulão, o 46 complicado

Me separei há 11 anos, depois de um relacionamento de 14. Não foi fácil, mas superei. A separação para um homem nesta idade que estou, 46, é bem mais difícil do que para a mulher. Ah, porque fica tudo mais complexo, dá uma certa preguiça de se relacionar novamente.

Se eu tivesse me separado agora, nem sei como seria... Mas desde que terminei, tive apenas relacionamentos sem importância. Por quê? Ah, porque não achei ninguém... Hoje as coisas são diferentes, as pessoas têm medo de se relacionar.

Com mulheres da minha idade? Jamais! Todas vêm com um caminhão de problemas: ex-marido, filhos, menopausa, estresse... aí não dá, né? Alguns homens têm vergonha de se relacionar com uma mais nova. Ficam constrangidos de entrar em um restaurante com uma garota bem jovem e encontrar um amigo. Existe até o desejo, isso sem dúvidas, mas eles têm medo. Pensam demais.

Eu? Imagina, não tenho problema nenhum com isso. Só ando com jovens, são mais alegres, saem pra beber, pra se divertir. E também em relação às mulheres. Só mais novas, porque acaba acontecendo... É bem mais fácil se envolver com uma mais jovem, são mais divertidas dão um brilho pra sua vida, você não tem noção.

30? Não, já tá velha pra mim. Eu estava com uma de 32 e estava gostando, mas aí, ela embarcou para trabalhar em navio. Ficamos afastados por seis meses. Quando ela voltou, não me procurou. Também não procurei. Depois de dois meses ela ligou. Fomos à praia e logo eu disse a ela: ‘poxa, você sumiu. Voltou de viagem e nem me ligou!’ Aí, ela me veio com um papo: ‘não, sabe o que é? É que eu estou pensando... já estou com 32 anos, queria formar uma família’. Aí, já estava com raiva mesmo e falei: ‘olha, não penso em formar porra de família nenhuma. Na minha idade, eu já não formo mais nada’. Depois disso, nunca mais nos falamos.

Não, não é que estou de brincadeira... não. Mas é difícil mesmo. Às vezes eu recuso convites, porque, cá entre nós, dá muito trabalho. Agora, então que peguei um animalzinho de estimação. É, deixa a casa mais alegre. Sim, o nome dela é Cacilda. É uma gatinha e é legal porque é muda, né? Às vezes ela dá um miau, só concordando com tudo.

Se eu vou ficar sozinho pra sempre? Olha, pelo jeito... E eu não estou preocupado, não. Cada vez mais as pessoas caminham para o individualismo. Tem dias que eu pego minha cerveja, fico aqui ouvindo um som, lendo um livro e me sinto muito feliz. Pra quê sair de casa? Tevê a cabo, DVD, livros, cerveja...