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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Paulão, o 46 complicado

Me separei há 11 anos, depois de um relacionamento de 14. Não foi fácil, mas superei. A separação para um homem nesta idade que estou, 46, é bem mais difícil do que para a mulher. Ah, porque fica tudo mais complexo, dá uma certa preguiça de se relacionar novamente.

Se eu tivesse me separado agora, nem sei como seria... Mas desde que terminei, tive apenas relacionamentos sem importância. Por quê? Ah, porque não achei ninguém... Hoje as coisas são diferentes, as pessoas têm medo de se relacionar.

Com mulheres da minha idade? Jamais! Todas vêm com um caminhão de problemas: ex-marido, filhos, menopausa, estresse... aí não dá, né? Alguns homens têm vergonha de se relacionar com uma mais nova. Ficam constrangidos de entrar em um restaurante com uma garota bem jovem e encontrar um amigo. Existe até o desejo, isso sem dúvidas, mas eles têm medo. Pensam demais.

Eu? Imagina, não tenho problema nenhum com isso. Só ando com jovens, são mais alegres, saem pra beber, pra se divertir. E também em relação às mulheres. Só mais novas, porque acaba acontecendo... É bem mais fácil se envolver com uma mais jovem, são mais divertidas dão um brilho pra sua vida, você não tem noção.

30? Não, já tá velha pra mim. Eu estava com uma de 32 e estava gostando, mas aí, ela embarcou para trabalhar em navio. Ficamos afastados por seis meses. Quando ela voltou, não me procurou. Também não procurei. Depois de dois meses ela ligou. Fomos à praia e logo eu disse a ela: ‘poxa, você sumiu. Voltou de viagem e nem me ligou!’ Aí, ela me veio com um papo: ‘não, sabe o que é? É que eu estou pensando... já estou com 32 anos, queria formar uma família’. Aí, já estava com raiva mesmo e falei: ‘olha, não penso em formar porra de família nenhuma. Na minha idade, eu já não formo mais nada’. Depois disso, nunca mais nos falamos.

Não, não é que estou de brincadeira... não. Mas é difícil mesmo. Às vezes eu recuso convites, porque, cá entre nós, dá muito trabalho. Agora, então que peguei um animalzinho de estimação. É, deixa a casa mais alegre. Sim, o nome dela é Cacilda. É uma gatinha e é legal porque é muda, né? Às vezes ela dá um miau, só concordando com tudo.

Se eu vou ficar sozinho pra sempre? Olha, pelo jeito... E eu não estou preocupado, não. Cada vez mais as pessoas caminham para o individualismo. Tem dias que eu pego minha cerveja, fico aqui ouvindo um som, lendo um livro e me sinto muito feliz. Pra quê sair de casa? Tevê a cabo, DVD, livros, cerveja...

5 comentários:

Liliam Silva disse...

Que cara complicado hein... pesar que em alguns pontos ele tem razão. Adorei a parte na qual ele relata a fase de uma mulher de 40, qdo já está divorciada, ou se está na menopausa....rsrsrsrsrs demais!
Pelo menos ele vê a possibilidade de algumas diversões e baladinhas com mulheres mais jovens e assim não se sente morto de vez!

Érika Pereira disse...

Pois é amiga. Sabe que eu adoro a ala geriátrica, né?
E essa conversa é real! Palavras de um homem de 46. rsrs

WANESSA ALVES disse...

Com certeza esse cara existe e eu conheço alguns deles. São chatos, depressivos e sem amigos. Querem pegar garotinhas, pois se acham garotões... ele com 46 é jovem, a mulher com 30 velha... Nessa hora até fico fã da Ana Maria Braga e Suzana Vieira...

Liliam Silva disse...

Não sei se são tão chatos assim, e até acho que quando se encontram depressivos procuram logo uma maneira de dizer à vida: Hello! I´m alive!
E amigos da cervejinha do fim de semana de certeza devem ter. Mas o que lhe falta é a companhia feminina.

Liliam Silva disse...

Por vezes acho estranho quando alguém muito mais jovem se relaciona com quarentões ou cinquentões. Como conseguem se sentir atraída por um homem com mais rugas e com o corpo já caído (claro que ainda há alguns que se salvam)...
Talvez seja uma barreira na minha mente a qual não sei explicar.