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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Matando a criatividade

Quem escreve sabe a dor que é quando a história está na cabeça e o papel está em branco. Comigo, por exemplo, trabalho com a realidade através do Jornalismo. Então, tudo fica mais fácil. A matéria sai muito que rapidamente. Confesso que não tenho problemas.

criatividade Agora, quando resolvo fazer ficção... É difícil começar algo do nada. Neste momento, por exemplo, há um documento do Word aberto me esperando. Ele foi criado já há algum tempo. Estou tentando desenvolver uma história mais grandiosa, me aventurando na ficção mesmo, porque que nem diz um amigo, “a realidade está foda!”

Mas o texto está travado. Acho que a ideia é boa, mas quem disse que consigo seguir em frente? Tem dias que vai uma folha. Outros, uma frase. É triste!

Até a forma narrativa me causa dúvidas. Comecei de um jeito, mas nem sei se vai ficar assim. Em conversa com um amigo, ele também concordou que o texto em primeira pessoa tem mais força. Empolga o leitor. Mas disse que para a minha história (essa que estou desenvolvendo) é melhor um narrador em terceira pessoa.

Chega a ser curioso. Eu tenho toda a história na cabeça, e sei aonde quero chegar. Já tenho um final, mas e aí?

Então, percebi que estou matando a criatividade. Na Pós-Graduação falaram bem disso. “A gente mata ideias boas dizendo que "tal coisa está ruim". Menosprezamos nossa imaginação. Está errado!

Acho que às vezes a ideia nem é tão genial, mas conforme você vai escrevendo, vai ganhando força.

Será que não é mais fácil utilizar a Escrita Rápida e não pensar em mais nada? Deixar rolar e ver aonde vai dar?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Letras em Cenas



Acabei de chegar do “Letras em Cenas”, um evento incrível da CPFL Cultura. Trata-se de um projeto de leitura de textos de peças teatrais, poesias, contos etc.

No palco, Elias Andreato, Clóvys Tôrres, Eucir de Souza, Fábio Herford, Nilton Bicudo, Romis Ferreira e Tânia Bondezan, fizeram a leitura de Édipo.

Antes de chegar, pensei que me daria sono. Por causa do formato mesmo. Que nada! Foi bem bom. Indicaria para pessoas que não conseguem se aquietar e ouvir. É um ótimo exercício.

Não fui a única a ter essa impressão. Depois da leitura, uma senhora na platéia comentou que “é um resgate do escutar”. Concordo plenamente. Você fica ali, sentado, ouvindo e imaginando as cenas. Adoro teatro, mas é tudo fácil, porque tudo está pronto. Vale a pena conferir as próximas leituras.


21/09

“O Sonho de um homem ridículo”, de Fiodór Dostoiévski
Adaptação e direção de Rubens Curi
Com Elke Maravilha e Clóvys Tôrres

19/10
“Adeus aos casais”, texto e direção de Leo Lama
Com Taumaturgo Ferreira e convidada

23/11
“Cordélia Brasil”, de Antonio Bivar e direção de Nelson Baskerville
Com Maurício Machado, Gabriela Alves e Daniel Alvim

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pout pourri de filmes

Resolvi fazer um pout pourri de alguns filmes que assisti nos últimos dias, e que não tive tempo de resenhá-los:

DVDs

Hotel Ruanda: Fazia parte da minha listinha, e o coitado sempre era deixado de lado. Resolvi dar uma oportunidade a ele, que não me decepcionou. Fez-me lembrar de “Diamantes de Sangue”. O Filme é bom e retrata o conflito político que aconteceu em Ruanda, onde quase um milhão de pessoas foram mortas em apenas cem dias.

Edukators: Alguns amigos já haviam indicado este filme. Três jovens rebeldes que querem mudar o mundo. Invadem mansões, mas não roubam nada. Apenas trocam os móveis de lugar, deixando em seguida uma mensagem. O conflito começa quando o grupo precisa, por falta de opção, sequestrar um empresário. Gostei bastante principalmente porque é daqueles tipos que não se fecham. Dão margem à reflexão e isso é ótimo.

Eu você e todos nós: Indicado por um amigo mais que especial. O filme mostra uma singeleza incrível ao abordar questões complexas, como o medo, por exemplo: medo de se relacionar, de se abrir ao novo, de se descobrir.

Brilho eterno de uma mente sem lembrança: Eis aqui outro que estava na minha lista. Confesso que, neste caso, fiquei adiando porque desconfiava muito de Jim Carrey em um papel dramático. Mas ele me impressionou muitíssimo. O filme é bom e também levanta várias questões: “Afinal, nem a “ciência” pode acabar com um amor?”. Ou “Será que tudo nesta vida são meras repetições?”.

Zelig: Decepcionante!Principalmente por se tratar de um filme cujo diretor é Woody Allen. Mas há coisas boas! Achei o filme belo, quase todo em preto e branco. Achei diferente, original. Mas, mesmo assim, não gostei porque não tem boas piadas.

Noivo neurótico, noiva nervosa: Gostei, mas ri pouco.

Os Delírios de Consumo de Becky Bloom: Tudo é clichê, mas tem lá seus encantos, como, por exemplo, o editor, Luke Brandon (Hugh Dancy). É um típico “filme domingo”.

Bem me quer, mal me quer: Uma surpresa! Ele estava meio perdido, em um cantinho escondido da locadora. É um filme francês estrelado por Audrey Tatou. Há quem diga que a moça perdeu a moral depois de protagonizar, ao lado de Tom Hanks, o filme “O Código da Vinci”. Porém, ainda me simpatizo por sua atuação. Ela me surpreendeu muito em "Coco antes de Chanel", um filme do qual eu não esperava nada. E, claro, o inesquecível “O Fabuloso Destino de Amelie Poulin”. A sinopse de “Bem me quer, Mal me quer” dizia mais ou menos que: “Angèlique (Audrey Tatou) é uma estudante de artes que só pensa em Loïc (Samuel Le Bihan), um homem casado que não liga para ela, e ainda a trata mal. Mas ela não desiste! Achei que poderia ser apenas “legalzinho”, mas foi uma grande surpresa. Angèlique é simplesmente uma apaixonada? Vive um amor platônico? Há muito mais por trás de tudo isso. Vale muito a pena vê-lo.

Fale com ela: Belíssimo! Como quase tudo que o Pedro Almodóvar faz. Um enfermeiro se apaixona por uma bailarina. Ela sofre um acidente de carro que a deixa em coma. Passa a ser cuidada de forma toda especial por este enfermeiro, que passa a conversar com ela todo o tempo. Há mais surpresas, mas prefiro ficar por aqui para não estragar.

Cinema

A origem: Simplesmente espetacular! Há muito mais neste filme do que apenas tecnologias e maneiras diferentes de se fazer. Apesar do roteiro complexo, a história é bem amarrada. O filme está gerando diversas interpretações, o que demonstra um lado muito positivo.

Quincas Berro d’água: O filme é engraçadinho e só. Estava muito ansiosa para ver, principalmente porque Quincas é interpretado por Paulo José, que vive um ex-funcionário público. Quincas é encontrado morto, mas seus amigos decidem levá-lo para continuar as bebedeiras e passam a brincar de “um morto muito louco”. É baseado na obra de Jorge Amado. Tem umas piadas bacanas. É um filme OK.

O estranho em mim: Filme péssimo! Inaugura o mais novo cinema mudo! Brincadeiras à parte, o filme é silencioso, o roteiro é ruim e não passa nenhuma mensagem otimista para mães, ou para aquelas que desejam ser. Levanta uma questão e não resolve nada.

Meu Malvado Favorito: Esperava muito desta animação, mas gostei médio. A voz do malvado é de fazer rir, e ele como malvado é um ótimo bunda mole.

O Escritor Fantasma: Maravilhoso! Ótimo roteiro, tem poucas, mas boas piadas e uma fotografia belíssima. Roman Polanski consegue manter um suspense interessante ao contar a história de um jovem escritor, (Ewan McGregor). Ele é contratado para reescrever e terminar um livro de memórias sobre o ex-primeiro-ministro britânico Adam Lang (Pierce Brosnan).

O Bem Amado: É bem ruim! Adoro cinema nacional, mas este deixou muito a desejar. Péssimas interpretações, coisas muito teatrais e desnecessárias.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Escrevo quando dá

Caros três leitores,

Publicaremos textos no seguinte endereço http://escrevoquandoda.blogspot.com/

Lá, texto de Liliam Silva, Jefferson Santos e desta que vos fala.

O "Narrativas e Divagações" permanece com publicações ainda desta que vos fala.

Prometo atualizações frequentes.

sábado, 14 de agosto de 2010

Sorte no azar

TEXTO DE LILIAM SILVA

Quem diria que esta sexta-feira 13 seria tão movimentada e cheia de surpresas como foi. Por acaso só soube que haveria uma sexta-feira 13 dois dias antes, através do twitter de uma colega de Sampa.
Acordei aos poucos. O corpo ainda estava cheio de preguiça. Sem sair da rotina, tomei banho, comi um pouco assistindo às primeiras notícias a nível mundial, e depois fui para o trabalho. Um calor que não se consegue estar parado, e com os olhos irritados pelo ar pesado e sujo das áreas florestais atingidas pelos incêndios.
Ao chegar no trabalho, no nosso muro das lamentações (a apelidei assim, mas é uma parede onde constam recados importantes para o melhor funcionamento da empresa) constatei que havia uma nova informação acerca do site e seus visitantes. Logo fui informada que não era só este o recado, havia outro. Retornei e li que haviam objectivos a ser cumpridos nessa sexta-feira favorável aos gatos pretos. Saí do meu sector habitual e bora lá a batalhar. Não foi nada fácil! Mas não desisti. Foi um dia muito cansativo. Com bons clientes e muitos afazeres. Até ia partindo um espelho e ... Não! Depois do fecho, saí a correr pois eu tinha uma noite inteira pela frente!
Noite agradável, com uma amiga e algumas colegas que não estava há tempos. Nos encontramos no restaurante Migaitas, na Sé de Braga. Caí numa despedida de solteira! O grupo já estava aos saltos e a noiva nem por isso. Esta parecia estar incomodada com algo, e quando a ela perguntavam se seria o estresse com a data a se aproximar, esta dizia que não. Não a conhecia. Conheço boa parte da sua família, mas faltava ela. A analisei: loirinha bonita mas sem sal. E nem açúcar. Um tanto apática. Ela carregava um bolo em forma de pila (pinto para os brasileiros de plantão).
O restaurante já estava a fechar e ficamos naquele dilema: Nos deliciamos da pila doce ou não?! Naquele impasse interminável, acabamos por comer a pila sentadas ao pé da Santa Sé de Braga. Ai se o arcebispo nos visse...
Para continuar a noite, fomos para um barzinho em Vieira do Minho. Não esperava lá muita coisa, pois quando falamos de Vieira nos vem à cabeça o pasto, o campo, calmaria e ...alguns labregos ou parolos. Não estou a esteriotipar as pessoas que vivem no campo e na montanha. Mas os jovens que lá vivem na sua maioria sabem da realidade que os rodeiam mas por vezes negam achando absurdo. E a noiva que não estava nem um pouco segura de si, e muito acanhada, estava a achar tudo aquilo demasiado para sua cabeça. Estou a falar de uma jovem de 23 anos e que é enfermeira, hã! Ah é! Ihhh... esqueci de contar que encontrei o Fernando Rocha no bar, pois este fez stand-up comedy. Sentei-me, pois não acho graça à sua comédia. Resumindo: é parola, porca e machista. Continuando: então foi só abrir a champagne e a noiva fugiu. Nos abandonou! Levou com ela duas amigas da França, e umas primas, e deixou para trás três primas e uma desconhecida que percorreu kilómetros de Braga a Vieira, em estradas aos "S"! Bem, foi despeitada! Mas rimos da situação e continuamos a dançar.
Quem dirigia não bebeu, outras beberam um pouco a mais. Para a minha noite ficar completa, as minhas colegas foram fumar no estacionamento antes da despedida, e um grupo de rapazes se aproxima.
Perguntaram se tínhamos erva. Uma colega tinha, trocaram mortalhas e a maresia subiu. A minha amiga queria abandonar as outras duas mas nao quis, pois nao sabia quais eram as reais intenções dos rapazes. E já estavam todos alterados. Mas quando a conversa já não tinha mais rumo, aproveitei o insejo e cortei a relação para me despedir finalmente. Assim ocorreu tudo lindamente!
Na volta, cansaço, curvas e mais curvas e um incêndio próximo à estrada. Se saíssemos um pouco mais tarde, a estrada certamente estaria cortada pelas chamas já que não avistei um único carro de bombeiros.
Cheguei em casa bem, com um gatinho preto de chaveiro e na terceira tentativa consegui enfiar a chave na porta. Foi só cair na cama e esquecer deste dia de muita correria e que por sorte nada mau me ocorreu.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

De Uno na Daslu

Era uma manhã onde Inverno e Verão resolveram dar as mãos. Olhei pela janela e senti que seria um dia difícil. Respirei fundo, abri o guarda-roupa e escolhi meu melhor look, ou não? Não sei, nunca tinha ido à Daslu. Na boa, minha vontade era colocar uma calça jeans rasgada, uma camiseta preta, um All Star e fazer a jarbas para todas aquelas questões mundanas.
Afinal, se a senhora tranqueira pode sonegar impostos, por que não posso sonegar meu traje? Mas, como ia a trabalho, resolvi respeitar o corporativismo.
Creio que as questões corporativas foram esquecidas quando me colocaram dentro de um Uno Mille para ir à Daslu. Pasmem! Eu, claro não estava nem aí, e sentia que isso seria muito, muito divertido. Já outros colegas, não estavam gostando nada.
- Não acredito que vou entrar na Daslu de Uno!
- Relaxa, eu te arrumo uma caixa de papelão para você colocar na cabeça.
- E você brinca?
- Claro! Maior divertido! Agora comecei a gostar desse negócio.
O Uno seguia rumo à Serra e meu colega queria seguir rumo à sepultura. O carro está cheio. Não sei por que as pessoas insistem em querer derrubar a lei de Newton? Meu celular acaba de tocar e, juro, não consigo levar meu braço até a bolsa! O colega ao lado quer discutir as questões do processo de globalização e dos países emergentes dando uma visão marxista. E ele fica bravo porque eu não estou olhando pra ele.
- Amigo, eu estou te ouvindo, mas se eu virar meu rosto meu pequeno nariz bate no seu.
Finalmente chegamos ao império do luxo. Logo na entrada, temos um panorama do que é aquilo, em espécies de placas representando marcas: Chanel, Dior, Dolce & Gabbana, Prada Gucci, Ermenegildo Zegna, Salvatore Ferragamo... Como o evento era no Terraço Daslu, que fica no último andar da boutique, nosso belo Uno começou a subir uma rampa.
- Ae, seo Zé, segura a caranga, porque se esse carro descer vai bater na Ferrari que está aqui atrás. Vai ser osso, digo.
Ele fica tão assustado que resolve apertar o freio de mão e pede para não respirarmos por alguns instantes.
Chegando ao estacionamento, um homem trajado com um uniforme creme e de quepe, vem em nossa direção. Pensei que fosse algum príncipe do Egito, mas era apenas o manobrista.
- Senhor, a entrada de serviço fica à rua ao lado.
- Não, nós viemos para o evento.
- Ah, ta!
Ele dá uma risadinha meio sem jeito. Acho que pensou que era uma piada.
Eu sabia que isso ia ser divertido. Um império montado por mentiras e falcatruas. São 6. 500 metros de falsas ilusões, onde apenas alguns podem adentrar nas dependências. E eu, baixa-renda, estava ali. Achando tudo muito, muito imbecil.
Depois de cumprir com meus afazeres. Fui dar uma voltinha na Daslu Casa. Peguei uma taça e vi que, para comprá-la, deveria juntar dois meses do meu salário. Em uma taça! Quanta injustiça, eu bebo vinho Chapinha em copo de plástico!
- Amélia, você viu esse quadro? Custa 22 mil.
- Vi, é igualzinho a um que eu tenho em casa e que paguei 30 mango.
Hora de sair desse mundo e voltar à realidade. Lá vem o manobrista trazendo nosso Uno. Dá para ver a cara dele de ódio. Acostumado apenas a dirigir carros como Jaguar, BMW e Ferrari, deve estar achando um disparate esse bando de assalariado fazê-lo dirigir esse 1.0.
A raiva dele era tamanha que a energia negativa acabou passando para o carro, que começou a engasgar e morreu. Agora, arregaça as mangas e ajuda a empurrar a caranga. Perdeu playboy.
Amélia Kafka Silva, tem 27 anos e é uma personagem fictícia.