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sábado, 14 de agosto de 2010

Sorte no azar

TEXTO DE LILIAM SILVA

Quem diria que esta sexta-feira 13 seria tão movimentada e cheia de surpresas como foi. Por acaso só soube que haveria uma sexta-feira 13 dois dias antes, através do twitter de uma colega de Sampa.
Acordei aos poucos. O corpo ainda estava cheio de preguiça. Sem sair da rotina, tomei banho, comi um pouco assistindo às primeiras notícias a nível mundial, e depois fui para o trabalho. Um calor que não se consegue estar parado, e com os olhos irritados pelo ar pesado e sujo das áreas florestais atingidas pelos incêndios.
Ao chegar no trabalho, no nosso muro das lamentações (a apelidei assim, mas é uma parede onde constam recados importantes para o melhor funcionamento da empresa) constatei que havia uma nova informação acerca do site e seus visitantes. Logo fui informada que não era só este o recado, havia outro. Retornei e li que haviam objectivos a ser cumpridos nessa sexta-feira favorável aos gatos pretos. Saí do meu sector habitual e bora lá a batalhar. Não foi nada fácil! Mas não desisti. Foi um dia muito cansativo. Com bons clientes e muitos afazeres. Até ia partindo um espelho e ... Não! Depois do fecho, saí a correr pois eu tinha uma noite inteira pela frente!
Noite agradável, com uma amiga e algumas colegas que não estava há tempos. Nos encontramos no restaurante Migaitas, na Sé de Braga. Caí numa despedida de solteira! O grupo já estava aos saltos e a noiva nem por isso. Esta parecia estar incomodada com algo, e quando a ela perguntavam se seria o estresse com a data a se aproximar, esta dizia que não. Não a conhecia. Conheço boa parte da sua família, mas faltava ela. A analisei: loirinha bonita mas sem sal. E nem açúcar. Um tanto apática. Ela carregava um bolo em forma de pila (pinto para os brasileiros de plantão).
O restaurante já estava a fechar e ficamos naquele dilema: Nos deliciamos da pila doce ou não?! Naquele impasse interminável, acabamos por comer a pila sentadas ao pé da Santa Sé de Braga. Ai se o arcebispo nos visse...
Para continuar a noite, fomos para um barzinho em Vieira do Minho. Não esperava lá muita coisa, pois quando falamos de Vieira nos vem à cabeça o pasto, o campo, calmaria e ...alguns labregos ou parolos. Não estou a esteriotipar as pessoas que vivem no campo e na montanha. Mas os jovens que lá vivem na sua maioria sabem da realidade que os rodeiam mas por vezes negam achando absurdo. E a noiva que não estava nem um pouco segura de si, e muito acanhada, estava a achar tudo aquilo demasiado para sua cabeça. Estou a falar de uma jovem de 23 anos e que é enfermeira, hã! Ah é! Ihhh... esqueci de contar que encontrei o Fernando Rocha no bar, pois este fez stand-up comedy. Sentei-me, pois não acho graça à sua comédia. Resumindo: é parola, porca e machista. Continuando: então foi só abrir a champagne e a noiva fugiu. Nos abandonou! Levou com ela duas amigas da França, e umas primas, e deixou para trás três primas e uma desconhecida que percorreu kilómetros de Braga a Vieira, em estradas aos "S"! Bem, foi despeitada! Mas rimos da situação e continuamos a dançar.
Quem dirigia não bebeu, outras beberam um pouco a mais. Para a minha noite ficar completa, as minhas colegas foram fumar no estacionamento antes da despedida, e um grupo de rapazes se aproxima.
Perguntaram se tínhamos erva. Uma colega tinha, trocaram mortalhas e a maresia subiu. A minha amiga queria abandonar as outras duas mas nao quis, pois nao sabia quais eram as reais intenções dos rapazes. E já estavam todos alterados. Mas quando a conversa já não tinha mais rumo, aproveitei o insejo e cortei a relação para me despedir finalmente. Assim ocorreu tudo lindamente!
Na volta, cansaço, curvas e mais curvas e um incêndio próximo à estrada. Se saíssemos um pouco mais tarde, a estrada certamente estaria cortada pelas chamas já que não avistei um único carro de bombeiros.
Cheguei em casa bem, com um gatinho preto de chaveiro e na terceira tentativa consegui enfiar a chave na porta. Foi só cair na cama e esquecer deste dia de muita correria e que por sorte nada mau me ocorreu.

Um comentário:

Érika Freire disse...

Eita lá em casa, deixa a Célia saber disso! rsrrs
Essas situações do cotidiano são realmente incríveis! rsrs