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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Diário de Amélia - Cilada

Apesar de jovem, muitas vezes sinto-me uma senhora. Por isso, quando minhas amigas me chamam para sair, penso muito antes de aceitar. Talvez não tenha analisado tanto hoje. Por isso, nesta sexta-feira chuvosa, encontro-me em uma verdadeira cilada!
Do carro, eu avisto o bater das janelas, o trepidar das folhas e ouço o zumbido do vento. “Ai, acho que devia ter ficado em casa”, penso.
Minhas amigas estão eufóricas, parecem os corintianos na final da série B do Brasileirão, quando o time conquistava o campeonato e garantia a volta à série A, infelizmente. Mesmo sendo a mais jovem do grupo, sou a mais reclamona, pareço uma tia velha:
- Não dá para ir mais rápido? Estou com fome...
O primeiro lugar da noite é um barzinho muito famosinho por suas iguarias. São espetinhos e porções gordurosas que garantem a pança nossa de cada dia. Mas enfim, como ando muito preocupada com a forma física ultimamente, resolvi pagar alguém para correr na praia por mim.
Antes, até me importava se o pico estava ou não bombando, como dizem os adolescentes. Em caso negativo, era a primeira a cogitar a mudança. Mas agora, o que quero mesmo é sentar, comer e ser feliz ouvindo piadas e fazendo trocadilhos infames. E para completar, a noite perfeita deve ter uns coroas bem gatos. De moleque, já basta o mala do meu irmão.
Ao parar em frente o local, que parece mais uma missa em dia de domingo, as meninas decidem procurar algo mais, digamos... animado.
Eis a questão. Para onde vamos em uma sexta-feira chuvosa e fria, em Santos?
- Ah, Toninho do Bacalhau, é claro!, diz Bruna, que parece mais a garota propaganda do local.
Resolvo palpitar:
- Nossa, todo mundo fala do Heinz, ali no canal 4, mas eu nunca fui...
- Ah, verdade! Também sou louca para ir, reforça Priscilla.
Já Neni, nada diz. O que ela quer mesmo é pedir a primeira Cuba Libre da noite, nem que seja no inferno.
Assim que as quatro entram no Heins, o bar parou! Juro que não entendi... Será que eles se perguntaram: o que essas moças vieram fazer em um lugar um asilo? O mais novo devia ter uns 75. Eu gosto de coroa, mas não exagera vai...
- Vamos embora, pelo amor de nossa senhora de piraporinha do sul, digo.
Com preguiça de dirigir, resolvemos escolher algo por ali mesmo, naquelas imediações. Então, entramos no O Grill, que estava mais vazio do que palestra sobre Alimentos Transgênicos.
O garçom veio nos atender:
“Com a fome que eu estou, pediria um Boi no Rolete”, penso.
- Moço, eu quero pão de alho e um espeto de frango, digo.
- Não tem pão de alho.
- Hum, então eu quero um de linguiça apimentada.
- Também não tem.
- O que tem então?, pergunta Priscilla.
- Ah, tem porção de fritas.
-FRUTAS?????, pergunto assustada.
- FRITASSS, minhas amigas gritam.
Juro que entendi frutas! Fiquei imaginando ele chegando com a cerveja e uma bandeja cheia de maça e banana. Ah, vai que é um bar exótico.
- O espetinho de frango com provolone não tem, porque não tem o provolone, né?, pergunta Priscilla.
- Isso, responde o garçom para espanto da galera.
- Nossa! Não tem nada. É mais fácil pedir uma porção de pão com manteiga.
O garçom já havia entrado no clima e quando era chamado por nós, já avisava de longe:
-NÃO TEM!!!
Depois de umas cervejas quentes e uma comidinha sem graça, o que nos restava era cair em uma balada bem bacana. Mas quando chegamos próximo do carro, um pneu havia furado e o máximo que conseguimos foi terminar a noite com o tiozinho da borracharia cantando "Nóis trupica mais não cai, pode botar fé que desse jeito vai". Quem curte?
Amélia Kafka Silva é uma personagem fictícia. Publicado na revista Studio Box

9 comentários:

Dani Marino disse...

Isso tá me cheirando a "conversa de bar", hein! rs
Te juro que essa é a história da minha vida! No meu aniversário deste ano, uma quarta-feira de cinzas, chovia tal qual a sua história.
Eu e mais 5 amigas no Grill, mesmo esquema, até que uns desesperados pararam na frente do bar e começaram a gritar: "ô Dani, ô Dani.." e quando perguntei se me conheciam, disseram que estavam de bar em bar chutando uns nomes para ver qual pegava!
De acordo com minha amiga, eles estavam catando papel na ventania! heheheh

Cecilia Nery disse...

Que texto bacana, Erika, apesar da mancada da noite. Mas é isso aí, são esses momentos que dão boas histórias. Adorei!. Bjs.

brunofn85 disse...

Erika
teu blog tá show
tornei seu fã!
bjoss


Bruno (cartão susis)

WANESSA ALVES disse...

Caracas, tem mais de um ano que fui no Grill e pelo jeito continua a mesma escassez. Não ter pão de alho é o fim.
No Heinz, com certeza teria comida gostosa e chopp geladíssimo (aiii que vontade!), mas com certeza tem que ir em um dia abonado ou com o plano de saúde em dia, porque é infarto na certa na hora que chegasse a conta rs.
Olhando o lado bom das ciladas e ter histórias para contar e rir das nossas próprias desgaças kkkk.

Malu disse...

Adorei! Apesar de ser corinthiana e gostar do Heins. Ponto de advogados, cuidado, uma gente muito chata.
beijoca

Melissa disse...

Vou começar a ler seu blog, adorei quando escreve do Heins...bjs.Melissa

Jeff_Santos disse...

Olha eu ri que me fartei com este texto, fiquei imaginando tu no banco da frente do carro reclamando que nem louco, a devassa da Neni com as unhas pintadas de vermelho doida para a primeira golagda. Meu e os velhotes do bar.... he he he he he, é verdade nóis trupica mais naum cai.

Érika Freire disse...

SUMIDO!!!!!!!!!!!!!
Ai que saudades, diz que vai voltar sempre? Diz que vai vir no Brasil para me dar um abraço? Diz?
Te amo!!!!!!!!!!!!!!!!!!
beijos

Liliam disse...

Até que enfim hein Jé!