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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Divagações sobre "500 Days of Summer"

Fui ao cinema assistir a "500 Days of Summer" duas vezes. Chorei em ambas. Acho que mais do que a história, os diálogos mexeram comigo. Sempre converso sobre filmes com as pessoas, e lembro que muitos comentaram que deixaram de ver “500 Days” por acreditarem tratar-se de mais uma comediazinha romântica, bem água com açúcar. Eu sempre respondia que haviam se enganado.

Talvez, este seja um daqueles filmes do tipo: ame ou odeie. Eu, amo!
Ontem, frio e chuva cá, nesta província, pedi pizza e deleitei-me mais uma vez com o longa. É engraçado essa experiência de rever as coisas. Você enxerga outras, sente lances diferentes, decora uma frase, canta uma canção. Aliás, o filme é uma experiência musical fantástica! É incrível como a trilha sonora se encaixa perfeitamente com cada cena.

Bom, a história é basicamente assim: menino conhece menina. Ele se apaixona; ela não. Então, a narrativa vai sendo contada, alternando os 500 dias que passaram juntos.

Quando o vi pela primeira vez, saí chorando feito uma louca, sozinha pela rua. Achava tudo tão injusto. Depois, fui com uma amiga e, durante a sessão cafezinho pós-filme, “debatemos” a história sobre vários ângulos, e passei a notar as coisas positivas.

Existe uma mudança incrível na vida do personagem que, se fomos colocar dentro da Jornada, seria a famosa fase de iluminação. O amor, o se relacionar é tratado sobre ângulos bem distintos pelos protagonistas, e o mais engraçado é que, apesar das diferenças e do trágico, um acaba aprendendo com o outro.

Lembro que um dia, após a aula da Pós, conversávamos na mesa do bar sobre este filme e cheguei a ser direta com dois amigos: “Meu, desde o início ela disse que não queria nada sério, ela avisou!”. Eles também foram diretos: “Isso não justifica!”
Fiquei até sem palavras, porque geralmente quem não se conforma com os desencontros do amor são as mulheres. O que prova mais uma vez que quando o assunto é este, não existe uma bula que você lê e segue as recomendações.

Tom se apaixonou, Summer não. O que tinha de errado com Tom? Nada! Isso aconteceu porque assim é a vida...

O diálogo dos dois, quase no final do filme, ilustra um pouco a estrada de desencontros que é viver:

Summer: Sempre amei esse lugar, desde que você me trouxe
Tom: - Então... acho que devo dizer “parabéns”
Summer: Só se realmente for sincero!
Tom: Bom, neste caso...
Eles riem
Summer: - Então, você está bem?
Tom: Vou ficar, uma hora, ou não...
Tom: Pedi demissão.
Summer: Pediu? Eu não sabia, que ótimo!
Tom: E você casou, não?
Summer: É... loucura, não?
Silêncio...
Tom: Deveria ter me contado. Quando estávamos na festa.
Summer: Ele não tinha pedido ainda
Tom: Mas ele já estava em sua vida
Summer: Sim...
Tom: Então porque dançou comigo na festa?
Summer: Porque eu quis
Tom: Você só faz tudo o que quer, não é?
Silêncio
Tom: Não queria ser namorada de ninguém e hoje é esposa.
Summer: Me surpreendeu também.

...


Summer: Eu só acordei um dia e soube.
Tom: Soube o que?
Summer: O que eu nunca tive certeza com você.
Trilha sonora triste!
Tom: Sabe o que é uma droga? Perceber que tudo o que você acredita é mentira, é uma droga...
Summer: O que quer dizer?
Tom: Sabe? Destino, alma gêmea, amor verdadeiro e todos aqueles contos de fadas infantis. Besteira, você estava certa, devia ter te escutado.
Summer: Não!
Tom: Sim!
Summer: Sabe, acho que porque é assim: estava sentada em uma doceria lendo Dorian Gray e um cara chegou para mim e me perguntou sobre o livro, e agora ele é meu marido.
Tom: É, e daí?
Summer: E daí, e se eu tivesse ido ao cinema? E se tivesse ido comer em outro lugar? Se tivesse chegado 10 minutos mais tarde? Era pra ser e eu só fiquei pensando: Tom estava certo! Só não era sobre eu que você estava certo!
Ela coloca a mão sobre a dele, que quase chora.
- Summer: Tenho que ir, mas fico feliz por ver que você está bem
Ela se vai, ele levanta do banco chama por ela e diz: "Espero realmente que seja feliz!"

...

Para mim, o filme deveria acabar nesta cena. Não precisa mais de protocolos que afirmem que há a possibilidade de um final feliz. Isso é bobagem...

5 comentários:

Malu disse...

Não vi esse filme... agora acho que preciso ver!
Um beijo,

Cecilia Nery disse...

Érika, não vi este filme, mas depois do que você colocou aqui fiquei morrendo de vontade. Aliás, já tinha ouvido falar dele, lá na pós mesmo, quando os "meninos" comentaram sobre o filme e a visão masculina do amor. É eles também são sensíveis a ele. Beijos.

Gabriella Mancini disse...

Também achei bacana esse filme, com roteiro bem acima da maioria das comédias românticas.
Sobre o Vargas Llosa, também sou fã. Pena que não é possível transmitir no meu texto toda aquela paz dele...
Bjim

DÉYA... disse...

concordo onde vc diz que deveria acabar... ótima postagem..

Roberta Del Carlo disse...

Assisti ontem
Nem preciso dizer o estado que estou.
Mas realmente ela disse desde o inicio...
Mas mesmo assim é estranho mesmo.
Ela pareceu tão egoísta
E ele tão bobo...
Mas coisas assim acontecem todo momento, em nossas vidas
Quem nunca feriu e quem nunca se feriu por amor...

Bjs