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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

"Insolação"

“O amor não foi feito para sermos felizes, mas para nos sentirmos vivos”
A frase acima ilustra muito bem o que se pode esperar do filme “Insolação”, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas.
Quando saí do cinema, me perguntaram: “E aí, o que você entendeu do filme?”. Respondi que não era para entender e sim para sentir. E acredito que seja isso mesmo.
Quando li a resenha, antes de assisti-lo, já achei genial: “numa cidade vazia, castigada pelo sol, jovens e velhos confundem a sensação febril da insolação com o início delicado da paixão. Como espectros, eles vagam entre construções e descampados em busca do amor inalcançável”.
Abordando um tema incessantemente discutido, a narrativa mostra uma reflexão sobre amores impossíveis, amores não-correspondidos, a busca por alguém que nunca chega, a primeira paixão...
Os personagens caminham perdidos por uma cidade (Brasília) que parece abandonada e tomada por um calor ainda mais insuportável.
Temos o sempre ótimo Paulo José que faz um sábio, meio doido que vive propondo uma discussão sobre a vida, o amor e tudo que lhe vem à mente. O garoto Vladimir que se apaixona por uma mulher mais velha. Leo (Leonardo Medeiros) um quase entristecido que se apaixona por uma jornalista, enquanto uma garota de 13 anos tenta seduzi-lo. E ainda uma ninfomaníaca (Simone Spoladore) que apesar dos relacionamentos fast foods, busca na realidade alguém para a vida toda.
Algumas críticas denominaram os diálogos como teatrais e cheios de frases de efeito. Não concordo. Há belas citações sim, e elas parecem muito naturais quando pronunciadas por personagens tão reais na mais bela ficção. Um filme silencioso, parado... Intimista. Um convite ao coração.
Citações interessantes:
“Dizem que há alguém para cada pessoa. Mas eu não concordo... Quantas pessoas não existem sozinhas por aí?”
“Contudo, o que é mundano e comum se torna terrível e selvagem quando o coração é destruído por felicidade e amor em excesso”
“Há muito amor dentro de você!”
“Vai passar... Um dia ela vai conhecer outro e vai passar”
“Digo-lhe com toda a sinceridade que não sou a pessoa que talvez imagine que eu seja”
“Eu gosto de todo mundo... no início”
Cine Arte Posto 4: 16h - 18h30 - 21h
***
Outros filmes da semana foram: "Como Esquecer", baseado no livro homônimo de Myriam Capello e dirigido por Malu de Martino. Achei bacana a maneira como cada personagem lida com a dor. Com uma linguagem diferente, fez-se um belo filme. Não é maravilhoso, é apenas OK. Sem contar alguns exageros que achei desnecessário.
Esp. Unibanco: 14h* - 16h - 18h - 20h - 22h
Outro muito bom foi o filme argentino “As Leis de Família”, dirigido por Daniel Burman. Mostra a distância que muitas vezes ocorre na relação pai e filho, e como um fato aparentemente simples pode mudar muita coisa. “Ariel Perelman é defensor público e dá aulas em uma universidade. Sua vida é organizada, mas sem grandes emoções. Até que conhece Sandra, uma de suas alunas, por quem se apaixona. Quando ela deixa o curso ele passa a frequentar as aulas de pilates que ela ministra, apenas para ficar ao seu lado”
“As Leis de Família” foi transmitido na Mostra Internacional de Cinema que a TV Cultura exibe às quarta-feira e sextas, sempre às 22horas.

4 comentários:

Cecilia Nery disse...

Boas dicas, Erika. E tudo gira em torno do amor, esse amor que tanto precisamos e almejamos. Está se revelando uma cinéfila de primeira. Bancana. Beijos.

Érika Freire disse...

Ah, o amor! É Ceci, sempre que sobra um tempinho eu gosto de ver um filminho. rs Mas to longe de ser cinéfila. rs

Cecilia Nery disse...

Pode deixar Érika que logo escrevo sobre o livro, aliás, um belo livro.

Gabriella Mancini disse...

Todo mundo falando mal do Como esquecer, puxa... Até desanimei de ver. Já o Insolação está na minha lista. E a Mostra BR, conseguiu ver algo? Beijo