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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Brandon Boyd - Runaway Train

Acompanho o Incubus há anos, mas estava super out sobre a carreira solo do vocalista, Brandon Boyd. “Runaway Train”  é o primeiro single do álbum “The wild trapeze”. Ainda não entendi porque ele precisou desse momento só dele, espero que não interfira nos planos futuros da banda. Mas gostei bastante de “Runaway Train”. Achei bela.   

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O bêbado e a operadora de caixa

O senhorzinho surge do nada na fila do supermercado, vestido com uma camisa cinza de listras brancas, cinto e calça social. Com um traje desses, seria um verdadeiro gettleman, para algumas.

Com o olhar meio vesgo, daqueles que limpam o peixe olhando para o gato, ele segura uma latinha de cerveja quente e profere em alto e bom som “Parei de beber”, enquanto o barulho da lata se encarrega de fazer o som característico: tsss

A fila, que ganhava cada vez mais componentes, devido ao horário de pico (18:40), cai na gargalhada com a cena. Já a operadora de caixa, impecável em seu uniforme branco e vermelho, bufa quando o bêbado equilibrista decide lhe fazer a corte: “Tá vendo essa mocinha ae? Acho ela linda”.

A moça olha feio por cima do par de óculos de grau, como quem diz: “Tu jura?”, e continua o trabalho. Incansável, ele não desanima e continua o falatório: “Tava louco pra tomar uma mesmo!”, se referindo à bebida.

O tempo vai passando e a fila não anda. De jeito nenhum. Parece que a operadora do caixa ficou nervosa com a cantada e perdeu toda a agilidade. Mas o senhorzinho bêbado, que “parou de beber”, está todo prosa e animado: “Tá vendo aquela mocinha ali? Vou casar com ela!”.

Todos riem, menos ela.

Mais atraso e a fila aumenta. Diante de tamanha espera, o bêbado muda o discurso: “Eita, mas que demora, heim? Desse jeito não vou casar contigo não!”.

Todos riem, menos ela.

"Se um Viajante Numa Noite de Inverno", do Ítalo Calvino

Já faz um tempo que havia comprado o livro "Se um Viajante Numa Noite de Inverno", do escritor italiano Ítalo Calvino. Não sei o que houve, mas parei na metade. Acho que não devia estar muito preparada para ler e acredito que, quando isso ocorre, deve-se abandonar a leitura e começar outra. Nada de martírio.

Ler, precisa ser agradável, sempre! Mas há alguns livros que você acaba voltando, e sentia que “Se um Viajante...” era um desses. Por isso, pedi a opinião da querida blogueira e jornalista Cecília Nery, pois adoro suas resenhas sobre livros. Aqui está meu pedido em um belo texto: http://leituraseobservacoes.blogspot.com/   

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Lamúrias

Dividiam a fraqueza que parecia servir como pilastra. Olharam-se nos olhos, mas não viram de imediato. Quando ela chegou, tudo estava em paz e a vida dele parecia resolvida. A dela também, mas não tinha certeza.

Enxergavam-se... um no outro apesar das diferenças que pareciam enormes. Aos poucos, fizerem um pacto de suprir ambas as vidas: lamúrias, paixões não vividas, palavras jogadas ao vento, releituras, análises... Desenterraram-se.

Ele contou seu passado e falava das coisas que gostava. Ela só ouvia e achava tudo tão lindo. Pensava que um dia, contaria sobre sua vida assim também, e que ele sorriria da mesma forma.

Ela se transformou primeiro porque resolveu acreditar. Ele já sabia que ela estava errada sobre ele. Mas deixou, resolveu arriscar porque o ego não permitia deixá-la partir. Foi suprindo sua fome, dando comida na boca e doce antes do jantar.

Tinham os mesmos medos, mas nem todos eram fáceis de identificar. Permitiram-se ousar, mas só por alguns segundos. Foi ele quem lembrou: “Sempre teremos um ao outro”.

Mas ela preferiu determinar que eram como óleo e água. Sabia que estava errada, mas fingiu acreditar nisso. Ele queria mais, pelo menos por uma fração de segundo. Não conseguiu se entregar e pediu perdão.

Agradeceu a ela por ter sido seu remédio inteligente. Mentiu, disse que eram amigos. Avisou que quando tudo estivesse acabado, poderia se transformar em outro, e, assim, faria tudo novamente e reescreveria apenas o final.

Ela não aceitou, disse que era melhor assim, pois um amor não vivido seria um amor eterno.

Inspiração: Incubus - oil and water

sábado, 13 de novembro de 2010

José e Pilar

Antes de assistir a José e Pilar, já havia feito um filme em minha cabeça. Cheguei a pensar que veria cenas melosas de amor romântico e frases de efeitos. Não sei por que isso aconteceu... Talvez porque preferi não ler nada a respeito do documentário antes de vê-lo.

Porém, me enganei. O que vi foi a trajetória de uma vida a dois, onde o romantismo pareceu ficar em segundo plano. É como se não precisasse de demonstração, é como se os acontecimentos cotidianos por si só, traduzissem uma vida que esperou anos e anos para ser vivida com plenitude. Digo uma vida, porque José e Pilar conseguiram a proeza de se transformar em um só. O que é raro, belo e incrível.

Mas confesso que todas essas percepções ficaram claras para mim perto do final do filme. Um pouco antes do meio da narrativa, por exemplo, o meu lado racional havia resolvido aparecer e tudo o que via era uma união baseada em contratos sociais. Como se Pilar fosse uma esposa-secretária de eficiência ímpar.

É aos poucos que a sensibilidade daquela relação vai aparecendo, dando ao espectador a certeza de que o amor pode ser um compromisso visceral com o próximo, sem a necessidade de demonstração de afeto, cobranças e romantismo o tempo todo.

Há beleza em cenas simples, como, por exemplo, em uma onde Saramago fala para o público e Pilar, claro, está ao seu lado. Mas assim que se finda o discurso do marido, os aplausos se iniciam e ela sai de cena, o deixando sozinho. Ele vira para tentar vê-la, mas ela não está. Então, ele a chama “Pilar?” Com certeza essa simples descrição não é capaz de mostrar o que se sente ao ver. Em vários momentos, senti que Saramago vivia por Pilar, e Pilar por ele. Antes de iniciar uma entrevista, ele chega a perguntar: “Pilar, o que eu falo?”.

O documentário é do diretor português, Miguel Gonçalves Mendes e foi co-produzido pela 02, empresa de Fernando Meirelles. Talvez por isso, bons minutos do filme são dedicados à visita que Saramago fez ao Brasil, em 2008.

Há ainda o momento em que Saramago assiste ao filme, “Ensaio sobre a cegueira”, de Fernando Meirelles, baseado no livro homônimo do escritor. E a cena final, se passa em Terras Tupiniquins (se não estou tão cega) Tudo isso dá ao documentário um ar meio brasileiro, o que é ótimo.

Me emocionei em vários momentos, pela delicadeza, honestidade e singularidade que o filme conseguiu passar.


“Amar é: ter amor, afeição, devoção, estimar
Pilar, Pilar, Pilar
José, José, José”

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Suprema Felicidade

A Suprema Felicidade eu não sei o que é, mas a suprema tristeza é assistir ao filme do Jabor.