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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz 2011


"Jamais haverá ano novo, se continuar a copiar os erros dos anos velhos"

Luís de Camões

Em 2010 errei muito. Mas também acertei bastante. Para 2011 prometo não copiar, mas reinventar os erros. Afinal, sem eles não se vive.  

Feliz 2011! 

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Filmes “tapa na cara”

Hoje recebi a visita ilustre de prima Paula, vulgo, Paulinha, vulgo Paulosa. Com ela é assim: bate-papo infindável sobre cinema, música e literatura.

Em dado momento falávamos sobre filmes que te deixam com a pulga atrás da orelha, que te fazem ficar pensando por horas a fio, e daí surgiu a expressão: “filmes que te dão um tapa na cara”. Citamos alguns: “Casa de areia e névoa”, “Crash - no limite” e “Dogville”.

Eles apresentam histórias e casos que se entrelaçam (mais precisamente em “Casa de areia e névoa” e “Crash”). Possuem desfechos que te deixam pensando assim: “Caramba, que coisa, não?”.

Levantam questões do tipo: quem está errado? De quem é o preconceito? Quem é o vilão? Até que ponto o egoísmo fala mais alto? No fim das contas, todo ser humano tem seu lado ruim?

Em “Casa de areia e névoa” há dois personagens centrais: Kathy (Jennifer Connelly), uma jovem depressiva que tenta sobreviver após ser abandonada pelo marido, e Massoud Amir Behrani (Ben Kingsley), imigrante iraniano que tenta manter os padrões de vida que tinha em seu antigo país.

Tomada pela tristeza, Kathy ignora tudo ao seu redor e deixa de abrir as correspondências que chegam sobre os impostos de sua residência que estão atrasados. Em consequência disso, a jovem é despejada de sua casa, que logo vai a leilão. É quando Massoud vê a oportunidade de melhorar de vida e decide comprar o imóvel que é anunciado por um preço muito abaixo do mercado.

A família logo se muda para o domicílio de Kathy, que, sem dinheiro, passa a dormir dentro do carro. É aí que começam as intrigas: a oportunidade para um gerou o problema do outro. Massoud deveria ceder diante da desgraça que se transformou a vida de Kathy? Mas e a família dele? Afinal, a compra foi legítima, respeitando a lei como deve ser.

Neste meio, Kathy conhece o policial Lester Burdon (Ron Eldard) que logo se apaixona por ela. Casado e pai de duas crianças, ele decide deixar o lar para ficar com Kathy. E aqui o telespectador também se pergunta: Mas Kathy há 8 meses tinha sido abandonada pelo marido e conhece bem esse sofrimento. E agora? Ela vai deixar isso acontecer com outra família?

O final surpreendente te "dá um tapa na cara". E é assim também com “Crash - no limite”, onde oito vidas se cruzam a partir de um acontecimento. É a velha história do efeito borboleta e o filme te impressiona por mostrar as limitações de nós, seres humanos, de nossos preconceitos enrustidos e do quanto podemos mudar e nos tornar vulneráreis diante de situações-limites. Creio que daí parte o nome do filme. Ou seja, no limite da sobrevivência, somos capazes de qualquer coisa.

E Dogville? A doce Grace é “aceita” por um objetivo comum: ela pode ser útil a todos. Depois, o coletivismo fica em segundo plano e cada um daqueles moradores vai mostrando a que veio. As várias facetas da “desumanidade” vão se mostrando a cada capítulo e o filme, nada otimista, revela o lado egoísta, cruel, vingativo e hipócrita de cada um.

São ótimos filmes, dramas que levantam questões sem dar a oportunidade de uma visão positiva.

Logo, me vem à mente também, "21 gramas" e "Sobre meninos e lobos".

Todos muito bons, com temáticas completamente diferentes, mas com o mesmo intuito: "dar um tapa na cara".

domingo, 26 de dezembro de 2010

Título ou dinheiro no bolso?

Outro trecho do livro "Tia Julia e o escrevinhador" que grifei foi este:

“Enquanto tomávamos a cerveja, Grande Pablito, com as pausas exigidas pelos brônquios, me contou que ao chegar a televisão ao Peru, os Genaros o colocaram de porteiro, com uniforme e quepe grenás, no edifício que tinham construído na avenida Arequipa para o Canal Cinco.

- De jornalista a porteiro, parece decadência – encolheu os ombros. – E era, do ponto de vista dos títulos. Mas dá para comer título? Me aumentaram o salário e isso é o principal.”



Preciso dizer mais? Será que não deveria aprender com Grande Pablito?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

DIÁRIO DE AMÉLIA - Questões Natalinas

O período natalino parece tirar a sanidade de alguns. Aliás, ainda não sei de onde surgiu essa ideia de que nesta época do ano as pessoas ficam mais afáveis? Existe alguma comprovação científica? Porque na prática o que se vê é o contrário.

Sair às comprar nesta época, por exemplo, é tarefa digna de um Highlander. Como não tem muita escapatória, o jeito é vestir a armadura e ir à guerra.

Teve uma vez, que, assim que entrei na loja, avistei uma senhora que pegava umas peças da bacia, enquanto um ramister caminhava por seu pescoço. Olhei aquela cena bizarra e pensei se tinha exagerado na cafeína, mas não, era um rato! Tudo bem que propagar o amor pelo reino animal eu também faço, mas imagina se aquele seu amigo que cria um chimpanzé resolve dar uma voltinha pelo supermercado? É um pouco demais, né?

Neste mesmo ano resolvi fazer a ceia em minha casa. O combinado era cada um levar um pratinho (ah, pobreza), só que acho que a galera deve ter entendido errado. O “pratinho” era com alguma comida dentro, não vazio para você encher e levar para a sua tia, entende?

Para completar, o tio Alaor chegou do nada. Aliás, toda família tem aquele tio chato que na noite de Natal resolve aparecer, fazendo o enturmado. Ele chega abrindo a geladeira, comendo umas uvas. Mas sabe como é, em casa de assalariado sempre tem espaço para mais um. Então, deixamos o tio Alaor ficar, mas acho que beber a Brahma ao invés da Bavária já é um pouco demais. O folgado ainda queria ficar com uma coxa do Chester.

Todo Natal que se preze tem que ter o tal do Amigo Oculto. O cara que eu “peguei” era um colega do meu primo. Só sabia o nome do indivíduo, Marcelo. Com base em dados tão grandiosos, pensei que um presente cabível seria um perfume. Parcelei em 15 vezes sem juros.

Na hora que ele abriu o pacote fez cara de assustado. Agradeceu imensamente e, para surpresa de todos e, principalmente para a minha, era eu quem ele havia “tirado”. Comecei a abrir a embalagem quando me deparei com um despertador aqueles de R$1,99. Achei a brincadeira original e comentei: “Poxa, legal essa ideia”.

Mas não era uma daquelas sacanagens que se costumam fazer antes de entregar o presente de verdade. Ele tinha comprado um despertador mesmo. Acredita? Pois é, nem eu. Pensei comigo: “como esse cara de pau pega como “amigo” a dona da casa onde ele vem encher a pança e tem o disparate de comprar um despertador?

É claro que minha cara de macaco logo denunciou o quanto eu havia adoooraaado aquela lembrancinha. No lugar dele, acho que teria ido embora imediatamente dando a desculpa que não perco a Missa do Galo em hipótese alguma. Mas o folgado veio falar comigo: “Nossa, seu primo havia me falado que o Amigo Secreto era de R$1,99”.

É engraçado isso, né? Já reparou que em todo Amigo Secreto tem um sem noção que entende errado? Acho que está na hora de criar um regulamento para essa palhaçada.

Olhei pra cara dele e por dentro eu pensava: “Tu jura? Sabe o que eu deveria fazer com esse despertador? Enfiar em algum lugar do seu corpo que deve ter mais serventia que o seu cérebro”. Mas, como o protocolo diz que o Natal é símbolo de harmonia, sorri e falei: “Imagina, fica na paz!”

Bom, depois de tudo isso, pense que realmente estava louca em oferecer a ceia em minha casa. A galera parecia que estava no show da DJ Ingrid e não queria ir embora. Como tudo o que eu desejava era a minha cama, comecei a discursar sobre a importância da luta de classes e como Karl Marx conseguiu propagar sua ideologia em prol dos proletariados. Disse ainda que me sentia imensamente envaidecida por ter sido representada por alguém tão engajado com a classe econômica.

Tio Alaor deu o pontapé inicial e foi o primeiro a bocejar, mas antes de sair, pegou a outra coxa do Chester. Maledeto!


Amélia Kafka Silva é uma personagem fictícia. Um pouco mal-humorada, que fala tudo sem rodeios. Meu sonho é ser igual a ela.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Carta anual

“Essa noite, depois de pensar longo tempo, rolando na cama, acendi o abajur do criado-mudo e escrevi num caderno, onde anotava temas para contos, em ordem de prioridade, as coisas que faria. A primeira era me casar com tia Julia e colocar a família diante de um fato legal consumado ao qual teria de se resignar, quisesse ou não”



Quando li o trecho acima no livro “Tia Julia e o escrevinhador”, de Mario Vargas Llosa, lembrei-me das cartas que faço anualmente com todas as coisas que gostaria de fazer ou conquistar durante o ano.

Esse ritual começou em 2004, durante a aula de um curso que não finalizei. A professora pediu para que todos os alunos escrevessem seus desejos em uma folha de papel que deveria ser guardada, lacrada e aberta somente no final do ano. Não fiz o curso, mas fiz a carta, e, no final daquele ano, quando a abri, vi que tinha feito muitas das coisas ali escritas. Achei divertido, principalmente porque não me lembrava de muitos pedidos. Como não custava nada, adotei o processo e o faço até hoje.

Fui procurar a carta deste ano e notei que havia sido um tanto otimista. Na verdade, devia estar com um parafuso a menos quando a escrevi, já que tinha me determinado coisas que nem um highlander seria capaz de fazer em um ano. Mas, enfim...

Sei que parece bobagem aquelas coisas de promessas para o ano novo, mas acho que escrever o que quer é bastante diferente de prometer. E o mais curioso é relembrar os pedidos e ficar feliz quando vê que conseguiu realizar alguns. Ou não.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Voltei

É, eu voltei, e agora para ficar (espero). O que acontece com quem tem blog é assim: muitas vezes falta tempo e em outras você fica pensando sobre o que postar. Quando pensa demais, perde tempo. Então, eu estava bem perdida. Deu para entender?

Pensei em deletá-lo, mas o blog é uma válvula de escape. E para quem trabalha com jornalismo, funciona ainda mais como tal. É ser editor de si mesmo e ainda poder escrever o que nem sempre pode dentro de uma redação. Então, concluí que excluí-lo não seria a alternativa correta. O que eu precisava é, como diz a mestra, “me despudorar”.

Pois bem, agora, meus três leitores terão que ter paciência e saco, porque resolvi colocar o que der na telha. Já basta eu no jornalismo ter que ficar buscando a história perfeita (como se existisse). Então, aqui farei o que der.

Sabe, isso é apenas um blog! Então, não há motivos para planejar um texto para concorrer ao Jabuti, ou, sei lá, o Pulitzer, caso eu escreva verdades.

Se eu sumir foi o tempo, pois a vergonha eu perdi (ou não).