Páginas

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Filmes “tapa na cara”

Hoje recebi a visita ilustre de prima Paula, vulgo, Paulinha, vulgo Paulosa. Com ela é assim: bate-papo infindável sobre cinema, música e literatura.

Em dado momento falávamos sobre filmes que te deixam com a pulga atrás da orelha, que te fazem ficar pensando por horas a fio, e daí surgiu a expressão: “filmes que te dão um tapa na cara”. Citamos alguns: “Casa de areia e névoa”, “Crash - no limite” e “Dogville”.

Eles apresentam histórias e casos que se entrelaçam (mais precisamente em “Casa de areia e névoa” e “Crash”). Possuem desfechos que te deixam pensando assim: “Caramba, que coisa, não?”.

Levantam questões do tipo: quem está errado? De quem é o preconceito? Quem é o vilão? Até que ponto o egoísmo fala mais alto? No fim das contas, todo ser humano tem seu lado ruim?

Em “Casa de areia e névoa” há dois personagens centrais: Kathy (Jennifer Connelly), uma jovem depressiva que tenta sobreviver após ser abandonada pelo marido, e Massoud Amir Behrani (Ben Kingsley), imigrante iraniano que tenta manter os padrões de vida que tinha em seu antigo país.

Tomada pela tristeza, Kathy ignora tudo ao seu redor e deixa de abrir as correspondências que chegam sobre os impostos de sua residência que estão atrasados. Em consequência disso, a jovem é despejada de sua casa, que logo vai a leilão. É quando Massoud vê a oportunidade de melhorar de vida e decide comprar o imóvel que é anunciado por um preço muito abaixo do mercado.

A família logo se muda para o domicílio de Kathy, que, sem dinheiro, passa a dormir dentro do carro. É aí que começam as intrigas: a oportunidade para um gerou o problema do outro. Massoud deveria ceder diante da desgraça que se transformou a vida de Kathy? Mas e a família dele? Afinal, a compra foi legítima, respeitando a lei como deve ser.

Neste meio, Kathy conhece o policial Lester Burdon (Ron Eldard) que logo se apaixona por ela. Casado e pai de duas crianças, ele decide deixar o lar para ficar com Kathy. E aqui o telespectador também se pergunta: Mas Kathy há 8 meses tinha sido abandonada pelo marido e conhece bem esse sofrimento. E agora? Ela vai deixar isso acontecer com outra família?

O final surpreendente te "dá um tapa na cara". E é assim também com “Crash - no limite”, onde oito vidas se cruzam a partir de um acontecimento. É a velha história do efeito borboleta e o filme te impressiona por mostrar as limitações de nós, seres humanos, de nossos preconceitos enrustidos e do quanto podemos mudar e nos tornar vulneráreis diante de situações-limites. Creio que daí parte o nome do filme. Ou seja, no limite da sobrevivência, somos capazes de qualquer coisa.

E Dogville? A doce Grace é “aceita” por um objetivo comum: ela pode ser útil a todos. Depois, o coletivismo fica em segundo plano e cada um daqueles moradores vai mostrando a que veio. As várias facetas da “desumanidade” vão se mostrando a cada capítulo e o filme, nada otimista, revela o lado egoísta, cruel, vingativo e hipócrita de cada um.

São ótimos filmes, dramas que levantam questões sem dar a oportunidade de uma visão positiva.

Logo, me vem à mente também, "21 gramas" e "Sobre meninos e lobos".

Todos muito bons, com temáticas completamente diferentes, mas com o mesmo intuito: "dar um tapa na cara".

3 comentários:

Malu disse...

Érika, lembra daquela nossa discussão no SESC sobre o papel da arte? Então, eu gosto muito de filmes que fazem pensar, que me tirem o conforto, acho que esse é um dos papéis da arte. Não vi alguns dos filmes que vc mencionou, vou procurar, valeu como dica
beijo

Érika Freire disse...

Lembro sim. Também gosto de filmes assim. E acho que é um muito isso o papel da arte. Acho que vai gostar de todos esses filmes. São muito bons!

Gabriella Mancini disse...

Acabo de voltar de "Tetro", do Coppola. Filmaço. E um tapa na cara no tempo das celebridades e busca do sucesso. "Não olhe para a luz!". Os holofotes ofuscam.

Bjim