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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

No bar com ele

Lá vem o garçom. Enquanto isso, abre esse livro e lê esse poema pra mim. Finge que a cerveja acabou e tenta fazer poesia enquanto a gente espera. Lembra que amanhã nem é feriado, mas dá tempo de brincar de alguma coisa. Dá para fazer dobraduras com o guardanapo usado. Eu quero um barco, e você? Vamos planejar o Natal? Ou prefere ficar em silêncio? Eu aceito, mas enche o meu copo. Pode escolher qualquer coisa, hoje eu deixo. Mas seja sensato. Amanhã a gente corre na praia, pode ser? Aí queimamos tudo. Depois podemos escrever juntos, escrever em voz alta. Só por hoje, deixamos de lado as dúvidas, brindamos tristezas que energizam, acendemos um incenso, fingimos que não existe futuro. E então, tudo flui.

domingo, 27 de novembro de 2011

Uma ideia, um post e muitas histórias


Um comentário no blog. Essa foi a luz que fez acender a ideia para um concurso de contos que começou sem muita pretensão e, hoje, transformou-se no livro “Vidas”, coletânea com 20 novos autores.

“Um dia estava relendo meus textos e vi um comentário dizendo que daria outro final a um dos contos. Pensei que outras pessoas poderiam ter algo a dizer. Daí a ideia foi tomando forma e, de repente, estava lá, sem muito planejamento, motivada principalmente pelo desejo de despertar em meus leitores a vontade de botar o mundo particular de cada um em um texto”, explica a blogueira e idealizadora do projeto, Elaine Gaspareto.

Mais tarde, era hora de colocar o plano em prática e, para isso, bastava um único post em seu blog. A princípio, Elaine achou que receberia um número bem pequeno de inscrições e ficou surpresa quando 69 textos chegaram à sua caixa de email.

Ela e mais três jurados se desdobraram na difícil tarefa de escolher apenas 20. “Depois da seleção, criamos um blog especialmente para o concurso e abrimos para votação popular. Os quatro autores mais votados ganharam o direito de ter mais um trabalho dentro da publicação.

Começava então o processo de tornar o livro realidade. Desde a criação da capa até o lançamento. Elaine contou com a colaboração da editora Digitexto. “Nada disso teria sido possível sem o trabalho da equipe”, comenta.

O que mais impressionou Elaine nos textos enviados foi a pluralidade e coragem de gente que nunca havia se aventurado em um concurso. Como a experiência deu certo, ela já planeja outros projetos. “Quem sabe a gente lança uma edição a cada ano. Com regras bem definidas em termos de estilo, tamanho dos textos, formas de seleção, etc”.

Agora, o livro está pronto e pode ser adquirido pelo site da Digitexto.

“Nosso objetivo nunca foi obter lucro, por isso, estamos mantendo o preço mínimo. Então, tudo o que acontecer de agora em diante será mesmo uma vitória e um aprendizado incomparável”.

Elaine ressalta que a coletânea reúne estilos variados e para todos os gostos. “Certamente ao menos em um conto cada leitor vai se encontrar. Vai rir, vai chorar, vai pensar. E, quem sabe, descobrir dentro de si, também um autor adormecido. Afinal essa é a característica única deste livro: ele foi feito por alguém como eu. Como você”, finaliza.

sábado, 26 de novembro de 2011

Desordem


Quando chove aqui dentro fica uma inundação de dúvidas. Aquele que parecia ter partido às vezes aparece sem ser chamado, causando um sabor de coisas não vividas. A gente olha para as fotos e enxerga o que não ficou, o que jamais existiu. E lamenta. Será que um dia terei uma vida parecida com aquelas que todo mundo tem?

Tem gente que se encontra enquanto trabalha, na rua, numa casa abandonada, no meio da lama e gosta porque o exótico encanta. São assim que surgem as paixões. Quando procura, o que vem é desilusão, é saber uma quase certeza de que tem acasos que não vem mesmo. Já pensou se isso é pra você? Então, é assim. Nem todo mundo nasceu pra isso.

As tardes de sábado deixaram de fazer sentido há muito, o café acabou e não tem razão para se fazer mais, o vocabulário esvaziou-se e, não tem palavras, muitos menos frases. Cadê minha caixa de sonhos? Sei que ainda está cheia, perdida no meio da desordem. Alguém veio aqui e bagunçou tudo de propósito para que eu não encontrasse. E eu permiti porque as forças um dia acabam e demoram a recarregar. Fácil mesmo é deitar na rede e esperar o sol se pôr enquanto o gato te encara sem entender seu drama.

Bom é quando a gente esbarra e sem querer aperta um novo botão, ligando tudo novamente, até a esperança.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O que eu tenho pra hoje


Acordei com aquela azia que corrói o coração, mas esta não tem jeito. Não tem remédio que borbulha na água e faz passar. Ela está aqui porque ontem passei o dia comendo você. Ah, não. Por hoje chega. Não quero ter o mesmo dia de ontem. Então, resolvo me perguntar: o que eu tenho pra hoje?
Tenho um cachecol rosa com lilás para enfeitar essa blusa preta sem graça e essa calça jeans surrada. Mas é o que eu tenho pra hoje e parece até que fica legal.

Tenho um pão amanhecido ao quadrado que sobrou de sábado, mas se você passar manteiga e colocar umas gotas de azeite na frigideira fica parecendo croissant.

Tenho uma reunião às 10h30 e já fiz dela o massacre da serra elétrica, mas como é o que eu tenho pra hoje, coloco as melhores músicas para ouvir no caminho até lá e parece que funciona.

Tenho cinco textos para ler e começo com a da Eliane Brum. Decido passar os olhos na do Contardo Calligaris, mas vejo que ele vai discorrer sobre amor e para hoje eu não quero isso.

O que eu tenho para hoje é uma pilha de idéias amontoadas em uma gaveta que fica do lado direito do cérebro. Uma gaveta que permaneceu fechada, porque estava muito ocupada com a sua gaveta. Só por hoje, resolvi fechar a sua.

Tenho uma sensação boa e ao mesmo tempo ruim de que gosto dessa azia que sinto. É como se já tivesse me acostumado com ela e faço todo esse esforço por causa de você. Sinto a minha dor e a sua e ainda te peço mais.

Crio um mundo só meu, cheio de laços em tons laranja como se na vida não existisse o negro. Você já enxerga isso, mas não respeita que eu ainda não. Que bobo, deveria enxergar o mesmo que eu. Começo a perceber que me esqueci da pergunta guia e deixo você invadir meu dia novamente. Então, me pergunto: O que eu tenho para hoje?

Tenho uma hora de treino na academia e juro que hoje vou pular ainda mais forte. Tenho um livro inacabado por sua causa, porque precisei ficar voltando vários capítulos, pois você invadia a história. O personagem ganhou formas, nome, cor e tudo era você.

Tenho uma mesa bem grande, cheia de papéis, livros, revistas e anotações que um dia farão sentido. Assim como a sua, ela nunca está organizada, mas o que eu tenho pra hoje é me diferenciar de você.

Seu quadro colorido na parede não será mais alegre que o meu. Sua timidez não será mais tola do a que a minha, porque hoje quero ser apenas eu. Não venha reparar na cor do meu esmalte, porque pintei de rosa mesmo, e daí?

Hoje eu não tenho nada para te oferecer. Abri um caderno novo e logo na primeira folha comecei uma história bem linda, sem ironias, sem medo, apenas com o pouco que tenho pra hoje. Deve ser suficiente.

***
Texto velhinho, escondidinho na gaveta.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Há um livro. Eu o amo

Péter Esterházy começa todos os textos sobre as 97 mulheres de seu livro da mesma forma: “Há uma mulher”. Às vezes a primeira frase vem acompanhada de “Ela me ama” ou “Ela me odeia”. E, assim, ele compõe o seu “Uma mulher” (Cosac Naify), desferindo o amor e ódio de cada relação.

Os relatos, ora expressam uma prosa poética encantadora, ora aquelas verdades que beiram o nojo do pensamento humano. Seja homem ou mulher, todo mundo deve imaginar as coisas belas e sujas de um relacionamento. E Peter faz isso de forma despudorada.

Só quero colocar aqui alguns trechos:

“Há uma mulher. Ela me ama. Só que tenho de esperar pela primeira vez. Quando jantamos, sempre há seis ou sete além de mim. (Há sete homens além de mim, sempre os mesmos sete homens, não falta nem aquele cujo irmão se suicidou...”

“Desde que ela se queixou de que ninguém mais a aperta contra a parede para beijá-la, de que ninguém mais a agarra, ou seja, desde que cobrou a passagem do tempo (a imensidão do tempo que tivemos de compartilhar?), ela passou a questionar o fato de que eu não era capaz de parar o tempo, a grande paixão na verdade funciona assim, detém o tempo, com as estrelas mudas no firmamento, na Terra somente você e eu, você escuta e eu silencio...”

“Há uma mulher. Ela me odeia. Anseia pelo mar, crepúsculo radiante, jorro de luz, nem escuro, nem claro, noite-madrugada eterna. Gira e revira até encontrar o mar. Gosta do vento. Eu o detesto. Eu me escondo atrás dela, ao abrigo do vento”

Lindo, não? Que livro...

Péter Esterházy é húngaro, tem mais de trinta livros publicados, mas aqui no Brasil temos apenas "Uma Mulher e "Os verbos auxiliares do coração", olha o nome! É um daqueles livros que merece ser lido só por causa do título. Os dois são da Cosac, que, em breve, vai publicar "Harmonia Caelestis, considerado a obra-prima do autor. Ele participou da Flip deste ano e foi assistindo ao vídeo da palestra pela internet que me interessei em lê-lo.   

sábado, 12 de novembro de 2011

Evento no Sesc Santos convida para uma reflexão sobre a produção literária de Jorge Amado

A construção da imagem do Brasil na obra de Jorge Amado, enfatizando a importância da idéia de mistura em sua visão de mundo. Essa é a proposta do encontro “O Brasil de Jorge Amado”, que ocorre no dia 17 de novembro, às 20 horas, no Auditório do Sesc. Entrada gratuita.

O debate será ministrado por Ilana Goldstein, bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, mestre em Antropologia Social e autora dos livros “O Brasil best-seller de Jorge Amado: literatura e identidade nacional”

Diversas naturezas de mistura estão presentes em seu universo ficcional: a mistura de religiões, de etnias, do erudito e do popular, do rural e do urbano, do público e do privado, dos cheiros e dos sabores.

Sesc Santos - Rua Conselheiro Ribas, 136

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Os textos de Ivan Martins

Agora virou mania ler toda a quarta-feira a coluna do Ivan Martins, editor-executivo da revista Época. Você já leu? Ele é tão sensível, escreve sobre coisas comuns a todos e com olhar diferenciado. 

A de hoje é: Mulheres mandonas: por que os homens gostam tanto delas?

Leia, vale a pena:

Conheço um cara que morre de medo da namorada. Ele não pega carona com mulher, não almoça sozinho com mulher, não fica de papo com mulher em público. “Vai que alguma amiga da Fulana passa e conta pra ela...” Entre as amigas e amigos, A Fulana virou uma instituição.

Uma vez, ele estava entrando no cinema com ela quando deram de cara com uma ex, que saia da sala. Sabedor da fera que tem em casa, meu conhecido fez um mínimo movimento com a cabeça, esboçou um terço de um sorriso e cumprimentou: “Oi Paula”. Foi o que bastou. Assim que a ex virou as costas, A Fulana saltou sobre ele, possessa: “Oi Paula? Oi Paula? Você pensa que eu sou idiota? Acha que eu não percebi?”...


Ah, a da semana passada tava melhor ainda: Elas amam demais?

Todo mundo conhece mulheres que amam demais - são aquelas que desabam quando os homens vão embora.

Ainda que elas vivam reclamando do sujeito, desmoronam no momento em que ele as deixa: não conseguem trabalhar, não conseguem dormir, não conseguem viver. Os amigos acorrem, a família se alarma, médicos são acionados. Mas nada é capaz de ajudá-las, nem ninguém. O desejo de viver parece ter sido levado pelo cara que foi embora. Tudo o que elas conseguem fazer é pensar nele. Mulheres que amam demais são obcecadas.

Conheci um rapaz que se envolveu num enredo desses.

Depois de um ano de namoro disfuncional – muita briga, um monte de sexo e nenhum plano em que coubessem os dois – o cara resolveu que era hora de terminar. Achou que a moça, que vivia reclamando dele, receberia a notícia sem surpresa, até com alívio. Qual nada. Assim que ele anunciou que não queria mais, ela sucumbiu.

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domingo, 6 de novembro de 2011

Não-aniversário

Adoro comemorar aniversário. Dos outros. No meu dia, fico assim, esquisita como se não houvesse o amanhã. Sei que pareço exagerada, mas é como se a gente se aproximasse mais da morte. Fica um vazio, uma sensação de planos que ficaram para trás. Mas isso é só no dia.

Depois, passa e vejo que tudo é bobagem, eu sei. O excesso de afazeres e planos tornam a vida impossível de não ser querida e festejada. Mas o dia do aniversário definitivamente não combina, para mim, com bolo, salgadinhos e brigadeiros. Parece que sempre sai tudo errado. Fica uma comilança desmedida. Uma alegria meio vazia.

Ainda bem que há o outro dia, onde tudo passa e você pode esquecer que ficou mais velha, ou mais experiente. Pode comemorar os outros 364 dias. Pode renovar os votos, mesmo sem ser Ano Novo. Pode fingir que a idade é apenas um registro. Pode comer bolo, brigadeiro e salgadinho e não ligar para a fartura. O gosto fica até melhor quando o motivo não é o seu aniversário.

Desculpe, mas não gosto do dia do meu aniversário. Acho que nunca gostei e, no fundo, nem eu entendo, apesar de todos os motivos que citei. Já desisti de entender. O que vale é o que fica depois. As alegrias sem motivo, aliás, são as mais saborosas.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Firmina Dalva no clima do Halloween

Olha como eu voltei do Pet Shop, parecendo uma bruxinha. Me colocaram até brinco.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Minhas Tardes com Margueritte

Curioso observar que o descuido de alguns não compromete a integridade de outros. A maneira que o outro me trata pode me machucar no momento, mas não me afetará os sentidos, nem o modo como realmente sou.

Isso foi o que ficou mais marcado para mim em “Minhas Tardes com Margueritte”, filme do diretor francês Jean Becker. No elenco, Gérard Depardieu é Germain, o aparente grosseirão e insensível que durante a infância sofria com o descaso da mãe, colegas e professores.

Seu caminho cruza com o de Margueritte (Gisèle Casadesus), uma senhorinha que é a coisa mais fofa do mundo, inteligente, culta e apaixonada pelos livros. A discrepância entre as duas vidas é a chave do filme, que apresenta uma linda história de amizade e amor ao próximo, do respeito às diferenças e do saber conviver.

Fazia tempo que não chorava em filmes... hehe Mas não me contive em “Minhas Tardes com Margueritte”. Foi aquele choro alegre que te impulsiona dando aquela vontade de sair correndo pra viver.


domingo, 23 de outubro de 2011

Lost e a minha melancolia


Nunca compreendi o fanatismo de alguns colegas por Senhor dos Anéis, Harry Potter ou Jornada nas Estrelas. Meu olhar não era de crítica e muito menos de ridicularizar aquele envolvimento desmedido. Isso nunca. Mas achava tudo muito curioso. Aliás, sentia até uma pontinha de inveja. Afinal, é legal gostar das coisas e, saber negociar os sentidos, faz bem.

Até que durante uma tarde de sábado de 2007, eu vi um olho se abrir e de repente tudo era caos. Alguns personagens corriam desesperados para tentar salvar o pouco do que restara de um acidente de avião. Lost. Foi então que me perdi junto com todos os sobreviventes do vôo 185 da Oceanic.

Não se trata aqui de um texto tardio sobre o seriado, não farei resumo, nem resenha e muito menos tentar explicar o que todos os blogs e sites já tentaram. O fato é que eu consegui me manter longe de todos os spoilers possíveis, o que, cá entre nós, é uma façanha em uma Era onde a gente acaba por descobrir até as informações que não desejamos.

Escolhi assistir ao seriado aos poucos, devagar e torcendo para que, no fundo, aquilo não tivesse fim. Hoje, os milhares de fãs já sabem o desfecho que Jeffrey Lieber, J. J. Abrams e Damon Lindelof deram ao seriado. Eu soube hoje, agora há pouco e estou num misto de melancolia e surpresa. Há uma espécie de vazio aqui dentro que ainda não descobri o que é.

Lá atrás, quando comecei a assistir, pegava os DVDs das temporadas e ficava horas e horas durante os finais de semana. Foi assim até a 3º temporada. Depois, parei por conta das outras coisas que acontecem na vida. Aí você é obrigado a deixar de lado algumas “bobagens”.

Só há poucos dias é que resolvi voltar de onde parei. Isso deve fazer um mês. Hoje, enfim, terminei e como é triste chegar ao fim das coisas.

Alguns amigos me questionaram “e se você não gostar do final e se decepcionar?” Eu sabia que isso não importaria, porque o meio de tudo isso foi tão incrível e já teria valido muito a pena. O final, mais do que me surpreendeu, me deixou sem fôlego e com lágrimas nos olhos.

Sentirei falta das paranóias que deixaram muitos telespectadores doidos e que acabaram abandonando a série. Uma pena... Dos questionamentos sobre o que é a ilha, qual é a nossa missão aqui, sobre se tudo tem um propósito, das pessoas que a gente encontra por aí... Lost, mais do que um seriado, foi um mergulho no conhecimento sobre as coisas que nos cercam. Propagação do amor, da fé, da esperança. Com fundamentos gnósticos sobre os sentidos e os caminhos que cada um segue e como deve seguir.

Deixo aqui, meu registro melancólico sobre uma das coisas mais incríveis que já assisti.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Vick Cristina Barcelona

Finalizei o domingo com Vick Cristina Barcelona, coisa belíssima de Woody Allen. O filme não comprometeu minha semana, e sim a vida inteira. Isso porque me fez pensar que, tudo bem, cada um com as incompletudes. Mas, por favor, cada um que cuide das suas, né não? Porque, cá entre nós, as nossas já nos dão tanto trabalho. E, sim, sempre estaremos insatisfeitos, então, por favor, paremos de buscar esse tal  momento ideal e extraordinário na vida. Pelo menos só por hoje.


sábado, 24 de setembro de 2011

Rota Literária - Passeio Poético pelo Porto de Santos

Embarque nesse evento que mistura turismo e literatura (domingo, 02 de outubro)




A bordo de uma escuna, visitantes e moradores de Santos irão repetir no domingo (02 de outubro) o trajeto de poetas que chegaram ao porto, como Pablo Neruda, Elizabeth Bishop e Blaise Cendrars. Estes grandes nomes da literatura têm algo em comum: todos eles deixaram sobre o maior porto da América Latina impressões que serão revividas no “Rota Literária”, um passeio em que duas atrizes encenam trechos de poetas que abordam o porto e a cidade de Santos, que volta ser encenado a partir das 11 horas, dentro da programação de Turismo do Sesc Santos.

O passeio literário sai da ponte Edgar Perdigão, na Ponta da Praia. As vagas na escuna são limitadas. As inscrições devem ser feitas na Central de Atendimento do Sesc Santos. Informações pelo telefone (13) 3278-9800.

No palco navegante, as atrizes Marisa Matos e Cláudia Nascimento, da Cia Periscópio de Arte, fazem as vezes de guias em um passeio que intercala paisagens e letras pelo canal do estuário. Não poderiam também faltar ao passeio menções às obras de escritores de Santos como Roldão Mendes Rosa, Rui Ribeiro Couto e Narciso de Andrade ou dos contemporâneos Madô Martins, Flávio Viegas Amoreira, Ademir Demarchi e Alberto Martins.

O texto é baseado nas pesquisas do jornalista Alessandro Atanes, mestre em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) com uma dissertação sobre os textos de ficção que tem o porto de Santos como cenário. São dele também as versões musicadas dos poemas que serão apresentadas durante a rota e a trilha que acompanha os poemas interpretados. A produção e direção geral são de Márcia Costa, do Instituto Artefato Cultural, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – Oscip – voltada para a produção cultural.

A ideia de reunir passeio e poesia é apresentar um panorama de cenas literárias escritas ao longo dos últimos 100 anos sobre o porto de Santos. A escolha da escuna se deve ao fato de que o passeio pelo estuário é uma das últimas formas de conhecer o porto livremente, ao contrário dos acessos por terra, cada vez mais controlados. Desta forma, a Rota Literária contribui para a integração porto-cidade através da produção artística, tornando o porto de Santos mais familiar tanto para moradores da cidade como para turistas.

Outro objetivo da produção é colaborar para promover Santos como destino de turismo literário – a exemplo do que ocorre com Cordisburgo, cidade mineira onde nasceu João Guimarães Rosa que promove uma série de eventos em torno da obra do escritor. “Santos tem uma tradição literária e uma série de autores contemporâneos reconhecidos nacional e internacionalmente, sem contar que por causa do porto passaram por aqui nomes como Neruda e Elizabeth Bishop. Não aproveitar essa matéria-prima, tanto no turismo como em eventos literários, é um desperdício”, avalia Atanes.

A proposta do Artefato Cultural é transformar o passeio em um roteiro turístico da cidade, contínuo, tanto para moradores de Santos quanto para quem visita a cidade. Para isso, o Artefato Cultural está aberto às empresas que queiram patrocinar o projeto por meio de incentivos fiscais.

A primeira saída da escuna literária ocorreu no ano passado, como parte da programação do seminário “Literatura: por quê? Desafios na Formação de Leitores”, realizado pelo Sesc Santos em maio de 2010. Em julho, o grupo adaptou o “Rota Literária” para o palco, com uma apresentação no auditório do próprio Sesc, com cenário, luzes e a adição de mais um instrumento, o piano, interpretado por Tarso Ramos. “Cada uma de sua maneira, as duas versões, escuna e palco, contribuem para divulgar a poesia escrita em e sobre nossa cidade”, completa o autor.



Serviço:

Rota Literária: um passeio poético pelo porto de Santos

Horários, datas e preços

Dia 25/09: 11 horas, saída na Ponte Edgard Perdigão, Ponta da Praia

(Comerciário, R$ 37,00; usuário, R$ 43,00; e público geral, R$ 56,00).

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Caipiranet

Estava lendo o blog de um amigo e fiquei encucada. Ele dizia que uma colega de trabalho havia brigado com ele porque ele disse que seu iPhone era melhor que o Blackberry dela. Aí meu amigo reclamava que a moça estava sem falar com ele e emendou: “Depois são os donos de iPhone que são fanáticos. E ela só usa o celular pra conversar e mandar mensagem”.

Sem pestanejar, soltei toda minha indignação na caixa de comentários: “O que você tem contra as pessoas que só usam o celular pra conversar e mandar mensagem?”

Poucas horas depois, conversava com uma colega jornalista no MSN e ela pedia o LINK do meu currículo para um freela. Aí eu falei: “Ok, eu mando, mas pode ser pelo Word, porque não tenho online?”

E ela: “Pode, mas vê se cria um, porque hoje em dia é mancada”

Lá estava eu preocupada outra vez. Será que sou um dinossauro? E olha que vivo tirando sarro de uma prima porque ela não sabe usar o Twitter direito, não abre emails e fica constantemente offline, dificultando a comunicação rápida e direta.

Olha, eu me viro muito bem na internet, mas não sou uma compulsiva por novidades. Só agora, por exemplo, é que tenho usando mais o Facebook e isso aconteceu por obrigação. É que, de repente, o Twitter não é mais o mesmo e todo mundo parece ter migrado para o Facebook.

Devo estar usando o Google Reader há apenas três meses e fiquei realmente fascinada com a praticidade. Pois é, eu me deslumbro com coisas que já foram lançadas há "dois meses" e que já "caíram em desuso” pelo povo.

Torci pelo Orkut, mas minha luta em vão. Achava disquetes revolucionários e hoje a gente nem encontra mais pra vender. Isso me faz pensar que essa rapidez da tecnologia não é nada democrática. Ora, deixa eu ficar sozinha lá no Twitter, que que tem? E se eu quiser guardar meus arquivos no disquete? Qual é o problema?

Beleza, posso até abrir mão de tudo isso, mas meu Nintendo ninguém tira.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Novo mundo


Cansei de aguardar a inspiração chegar e decidi atirar indecisões pela janela. Logo, um tornado de soluções apareceu me fazendo companhia naquela noite acinzentada.


Já não compartilhava mais minhas dores e me sentia responsável pela primeira vez, sem medo de ser acometida por ilusões. Quando uma dor se esvai, vem a calmaria de um coração vazio e logo uma sensação de morbidez. Parece que se está morto. Mas para se entrar em um novo planeta, é preciso morrer aqui. A gente se despe das inquietudes e se lança como se fosse um outro alguém. A certeza de que não vai errar é nula, mas se erra de outro jeito.

Deixar as tolices de lado é impossível, mas viver com as próprias tolices é melhor. Porque se nota que o tempo perdido foi com as bobagens do outro.

Pega sua cara de volta, seu cheiro, sua preferência e faz uma mala bem grande. Nada pode faltar no novo mundo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Livro – Concurso Conto Vidas


O livro coletivo de contos, resultado de um concurso literário realizado pela blogueira Elaine Gaspareto ficou pronto. O livro contém os textos selecionados, mais quatro nunca publicados. Esses nunca publicados são de quatro autores que tiveram maior número de votos. Eu sou um deles, por isso, tenho dois textos dentro do livro. (Mais um motivo para você comprar, né? hehe)

A Elaine abriu semana passada a pré-venda dos exemplares e quem quiser já pode colaborar com a galera comprando um, dois, três, quantos quiser.

O lançamento será dia 15 de setembro de 2011, mas como está na pré-venda, tem promoção!

Veja como comprar:


Envie um email para elainegasparetoparada@gmail.com informando quantos exemplares deseja, seu nome completo e seus dados para envio. Você vai receber um email com os dados bancários para efetuar o pagamento e depois é preciso enviar para a Elaine o comprovante de pagamento. Só isso. O resto ela resolve.  

O valor de cada exemplar é de R$21,90 + frete. O valor aproximado do frete é de 3 reais.

Promoção: Quem comprar agora, na pré-venda e encomendar mais de 1 exemplar o frete é grátis.
Forma de pagamento: depósito bancário em conta ou transferência eletrônica.

Depois de efetuado o seu pedido e confirmado o pagamento seu livro será enviado ao seu endereço. Se for mais de 1 exemplar o frete é gratuito! O lançamento será dia 15 de setembro de 2011, então seu livro estará em suas mãos, caso encomende-o na fase de pré-venda, em no máximo 4 dias, ou seja, até o dia 19 de setembro. Mas é preciso fazer seu pedido já para podermos manter o valor e o frete zero (acima de 1 exemplar).

Gente, quem tiver alguma dúvida pode clicar aqui e ler todos os detalhes.

Obrigada a todos que votaram no meu conto. Graças a vocês, ganhei o direito de ter mais um texto dentro do livro. MUITO OBRIGADA! 


***
PS: Eu participei de outro concurso realizado pela Incult e Clube dos Autores e meus textos ficarão entre os selecionados. Sinto um cheiro de sorte ultimamente. A verdade é que isso me dá um ânimo para continuar me intrometendo no meio da literatura.  

domingo, 4 de setembro de 2011

Leitor, fiel leitor


Ler: olhar atentamente para entender o significado; pronunciar em voz alta; revisar; interpretar mentalmente; prever.
O dicionário precisa se apropriar da exatidão e ausência de sentimentos para definir um... clique aqui e continue lendo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

domingo, 28 de agosto de 2011

Urbanarte discute o teatro contemporâneo



O teatro contemporâneo produzido em Santos é o tema do próximo evento do Urbanarte, que ocorre no dia 31 de agosto (quarta-feira), às 20h, na Estação da Cidadania de Santos (Avenida Ana Costa, 340) com a presença dos diretores e atores Maria Tornatore, Miriam Vieira e André Leahun. A entrada é gratuita.

O Urbanarte é um evento que reúne artistas e produtores de arte para discutirem uma linguagem (dança, música, literatura, teatro, etc) e, em seguida, apresentam uma pequena performance para fazer “aparecer” as criações após a exposição de seu método. A intenção é abrir espaço para discussão da arte contemporânea, apresentando seus procedimentos, desafios e rupturas.

A iniciativa do Instituto Artefato Cultural (www.artefatocultural.com.br) em parceria com o Fórum (www.forumdacidadania.org.br) e a Revista Pausa (http://revistapausa.blogspot.com) procura atualizar na cidade as discussões sobre produção artísticas em âmbito local e global, levando em conta seus diálogos e influências, debater as tendências da arte, valorizar e difundir o trabalho de pesquisa realizado pelos artistas na Baixada Santista.

O evento tem curadoria da jornalista, produtora e pesquisadora cultural Márcia Costa, do Instituto Artefato Cultural. A mediação fica a cargo do escritor e agitador cultural Flávio Viegas Amoreira, que fará o papel de provocador frente às amplas questões que abrangem o universo artístico.

O UrbanARTE já teve duas edições este ano: a primeira, sobre artes plásticas, e a segunda, sobre dança. Na discussão sobre o teatro contemporâneo (dia 31) o público vai conhecer mais sobre o trabalho de Maria Tornatore, que acumula ampla experiência na área artística como professora de teatro e dança, bailarina, atriz e coreógrafa, além de diretora teatral. Entre as diversas produções das quais já participou, estão a peça 
“Homens de Papel”, de Plínio Marcos; o trabalho realizado no Projeto Arte no Dique com o Grupo Bando do Dique e Grupo Taetro de Teatro para criação do espetáculo “Sem perder a ternura jamais”, de Plínio Marcos. Outra experiência marcante no currículo de Tornatore foi o espetáculo dirigido por ela em uma casa do Centro de Santos pelo Grupo Taetro de Teatro, “Nossa vida como ela é...”, do Grupo Taetro de Teatro, baseado na obra de Nelson Rodrigues.  Entre outras atividades, atualmente, atua na Secretaria de Turismo e Cultura de São Vicente na Encenação da Fundação da Vila de São Vicente.

André Leahun, premiado como ator, diretor, iluminador e cenógrafo em festivais municipais, estaduais e nacionais, é sócio-proprietário da Confraria Produções Artísticas e diretor artístico da Associação Cultural Afro-Brasileira Luz das Candeias do Litoral da Costa da Mata Atlântica. Como diretor realizou, entre diversos trabalhos, “Bailei Na Curva”, “Bodas de Sangue”, “Projeto Carne de Segunda”, e atualmente dirige os espetáculos “Dama da Noite”, texto de Caio Fernando Abreu e “O Que Terá Acontecido A Rosemary”? É o realizador pelo décimo ano consecutivo da pesquisa, elaboração e concepção artística do Evento Carnabonde, da Secretaria Municipal de Cultura de Santos.

Miriam Vieira, atriz, diretora e produtora cultural, foi secretária da Confederação de Teatro Amador do Estado de São Paulo, presidente da Confederação Nacional de Teatro Amador e da Federação Santista de Teatro Amador, entre os diversos cargos em que atuou. Dirigiu muitos trabalhos, a exemplo de "Amor Por Anexins", com o Grupo de Teatro Temetal, e o espetáculo “Mac&Beth”, produzido pala Cia Trilha de Teatro, o espetáculo “Minha Nossa” com a Cia Cenicomania e “Quando os Olhos se Fecham”, com a Cia Confrarial Teatral. É produtora do espetáculo “De Onde Vem o Verão”, de Carlos Alberto Soffredini, com direção de Neyde Veneziano. Trabalha para At Comunicação, em eventos, propaganda, encenações e projetos culturais, artísticos e empresariais.

sábado, 30 de julho de 2011

sexta-feira, 29 de julho de 2011

“A morte do gourmet”

Sempre penso que há livros que devem ser lidos apenas devido ao título. “A morte do gourmet” é um exemplo. Adorei esse título. É claro que ao desfilarmos pelas páginas, quando a obra nos chega às mãos, corre-se o risco de não corresponder à expectativa. 

Escritora francesa, Muriel Barbery
Quando um livro me interessa, procuro ler várias resenhas, opiniões, enfim. Mas confesso que raramente desisto de ler caso tenha me deparado com críticas negativas. “A morte do gourmet” me encantou logo de cara pelo título, assim como aconteceu com o segundo romance da escritora francesa, Muriel Barbery, “A elegância do ouriço”. Outro nome incrível. 

Muriel, coloca em sua literatura, vestígios de Filosofia. Ela é formada pela École Normale Supérieur e deu aulas de Filosofia em Saint-Lô, na Normandia.  Seu primeiro livro foi publicado em 2000, “A morte do gourmet”, mas lançado somente em 2009 aqui no Brasil, depois do sucesso do segundo livro, “A elegância do ouriço”, lançado por aqui em 2008, pela Companhia das Letras. 

O primeiro que li foi “A elegância do ouriço”, um romance filosófico e muito bem humorado. Acabei não falando sobre ele aqui no blog por conta daquele problema da preguiça. Mas a jornalista Cecilia Nery leu o livro recentemente e fez um texto maravilhoso. Clique e leia. 

Em a “A morte do gourmet”, um crítico de gastronomia, Pierre Arthens, descobre que lhe restam apenas 48 horas de vida. Neste tempo, mergulha no passado para relembrar os sabores dos melhores pratos que teve a oportunidade de degustar. Seu desejo é recordar um sabor específico. 

Entre camarões, sardinhas e sorvete, fazemos uma imersão na vida do personagem, desde a infância, até a consagração, como crítico de gastronomia respeitado. Muriel também dá voz a outros personagens que recordam passagens da vida de Pierre. Em alguns momentos, é possível notar a personalidade ambígua do crítico, oras sensível, irônico e até arrogante. Porém, pensando melhor, será que todos nós também não somos assim em momentos diferentes? 

Neste livro, Muriel também deixa escapar através de Pierre seu senso de humor, o que é sempre bacana em uma obra. A passagem da empregada é impagável:

“A segunda razão pela qual gosto do patrão é um pouco difícil de dizer... é porque ele peida na cama! A primeira vez que ouvi, não entendi o que tinha ouvido, por assim dizer... E depois a coisa aconteceu mais uma vez, eram sete da manhã, a coisa vinha do corredor do salãozinho onde o patrão às vezes dormia quando voltava tarde da noite, uma espécie de detonação, uma fífia, mas aí, realmente, alto pra chuchu, eu nunca tinha ouvido nada parecido!... Desde esse dia senti simpatia pelo patrão, sim, simpatia, porque meu marido também peida na cama ( mas não tão alto). Um homem que peida na cama, minha avó dizia, é um homem que ama a vida. E depois, sei lá: isso o tornou mais próximo...”

“A morte do gourmet” é uma leitura rápida e descompromissada. Mas gostei bem mais de “A elegância do ouriço”, pois tem uma profundidade mais saborosa e deixa o leitor mais próximo das personagens principais, Renée e Paloma. 

Em breve, poderemos assistir o resultado da adaptação do livro no cinema.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Rota Literária, o recital poético que tem o porto de Santos como tema

Bora lá, gente? Eu já vi e é sensacional!

Evento ocorre neste domingo, às 18h, no Sesc, e tem entrada gratuita

O Sesc Santos apresenta neste domingo (24) o recital poético Rota Literária, que tem a literatura portuária como tema. O espetáculo acontece às 18h, no Auditório, com participação especial do pianista Tarso Ramos. A entrada é gratuita.

O público conhecerá um panorama de cenas literárias escritas ao longo dos últimos 100 anos sobre o porto de Santos. O texto é baseado nos 10 anos de pesquisas do jornalista Alessandro Atanes, autor também das versões musicadas dos poemas. A direção é de Anderson de Oliveira e a realização do espetáculo é do Instituto Artefato Cultural. A empresa Armada Rossi é apoiadora cultural do evento.

Ao som do piano de Tarso e do violão de Alessandro Atanes, duas atrizes cantam, dançam e interpretam poemas que falam do porto e da cidade de Santos. O recital é uma versão para o palco do passeio poético realizado em 2010 pelo canal do estuário de Santos a bordo de uma escuna, e fala do trajeto de poetas que por lá passaram, como Pablo Neruda, Elizabeth Bishop e Blaise Cendrars. Estes grandes nomes da literatura têm algo em comum: todos eles deixaram sobre o maior porto da América Latina impressões que serão revividas neste espetáculo.

No palco navegante, as atrizes Marisa Matos e Cláudia Nascimento fazem as vezes de guias em um passeio que intercala paisagens e letras pelo porto. Não poderiam também faltar menções às obras de escritores de Santos como Roldão Mendes Rosa, Rui Ribeiro Couto e Narciso de Andrade ou dos contemporâneos Flávio Viegas Amoreira, Ademir Demarchi e Alberto Martins. A novidade deste ano é a inclusão também da obra de Madô Martins, jornalista e escritora.

A Rota Literária contribui para a integração porto-cidade através da produção artística, tornando o porto de Santos mais familiar tanto para moradores da cidade como para turistas. Outro objetivo da produção é colaborar para promover Santos como destino de turismo literário. O Instituto Artefato Cultural vem trabalhando para transformar o passeio em um roteiro turístico-cultural da cidade, e está aberto à participação de empresas interessadas em obter benefícios fiscais investindo nesse espetáculo que valoriza a história e a literatura de Santos.

Minha amiguinha Márcia destacou o Rota Literária em sua coluna no Jornal da Orla:

terça-feira, 19 de julho de 2011

“O Passado” é um mergulho nos amores doentes e fantasmagóricos

Alan Pauls, escritor argentino, chegou a pensar em dar o título de “A Mulher Zumbi” para o seu romance “O Passado”. Eu jamais teria lido se ele tivesse insistido nisso.

O livro, lançado no Brasil em 2007, recorre aos amores desesperançados para contar a história de Rímini e Sofía, que decidem se separar após 12 anos de casamento. O amor doentio de Sofía é o fio condutor que mantém o casal ainda ligado depois do rompimento. Rímini tenta continuar dando um sentido para sua existência, mas parece sempre esbarrar nas sombras de um passado feliz e ao mesmo tempo nebuloso ao lado da ex-mulher.

A narrativa de Alan Pauls é de um fôlego surpreendente, mas que em alguns momentos peca pelo excesso. O autor coloca o leitor sempre à frente dos acontecimentos e, aos poucos, vai contando os caminhos até chegar aos fatos. É isso que faz com que você leia e, muitas vezes, sinta raiva por Pauls esconder tanto o jogo. Ótima estratégia!

O protagonista, Rímini, passa por diferentes fases após o término da relação, mudando desde o estilo de vida até a profissão. Chega a se fissurar pela cocaína, masturbação, tradução (que era a sua principal atividade no início da história). Depois, passa a ser intérprete e até professor de tênis. Entre essas trajetórias se envolve com outras mulheres e chega a ter filho com uma delas. E a loucura de Sofía é tamanha que ela sequestra o menino.

Em determinado momento cheguei a pensar que a segunda mulher com que Rímini se envolve, Vera, lhe daria mais problemas do que Sofía. Ela tinha um ciúme perto da banalidade e, se continuasse na narração, certamente seria ela a responsável por transformar a vida do rapaz num inferno. Depois, notei que Sofía libera suas insanidades em doses homeopáticas e diferentes. 

A riqueza de detalhes presente na obra faz com que as cenas sejam criadas na imaginação do leitor como um filme. Talvez essa preocupação de Pauls com o detalhamento ocorra por ele também ser roteirista, o que certamente interfere em sua prosa. O escritor chileno Roberto Bolaño, falecido em 2003, chegou a saudar Alan Pauls “como um dos maiores escritores latino-americanos vivos”.

Em 2003, a obra ganhou o Prêmio Herralde e em 2007 foi adaptada para o cinema por Hector Babenco. Quem faz Rímini é o ator mexicano Gael García Bernal, fato que não me deixou criar meu próprio Rímini durante a leitura, mesmo não tendo assistido ao filme. Acho que isso aconteceu porque o livro veio com esse encarte:


Aliás, a edição belíssima é da Cosac Naify:



Trecho de “O Passado”, pág. 407

“... Rímini pôs-se ao seu lado, mas a manteve enlaçada com um braço, muito consciente, em seu papel de amante profissional, do alívio que lhe proporcionaria ao liberá-la de seu peso, mas também do desamparo que as mulheres sentem depois do sexo, quando a satisfação devolve os corpos à solidão”.

Alan Pauls participou da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) na edição de 2007. Chegou a afirmar durante o evento que o amor é uma doença. Em texto publicado no portal G1, ele diz: “Sou uma vítima e não um especialista do amor e não poderia escrever sobre o amor que não fosse patológico”.

A voz do livro é extremamente masculina. Comento isso porque há autores que conseguem transmitir sensações com um ponto de vista feminino, como o Fabrício Carpinejar, por exemplo. No caso de “O Passado”, mesmo se não tivesse o nome do autor impresso na capa, nossa imaginação certamente levaria a crer: “só pode ter sido escrito por um homem”. 

Veja abaixo, um vídeo com o escritor argentino, Alan Pauls.


PS - Tinha decidido não escrever mais aqui no blog sobre livros. Acho que é um pouco preguiça, mesmo. E também, aquela impressão ainda prevalece: ler e guardar para si as sensações é mais divertido e dá menos trabalho. Mas esse, achei que valia muito a pena comentar. 

PS1 – Ainda na linha dos autores latinos, li “O Sonho do Celta”, do Mario Vargas Llosa. Um livraço que cheguei a pensar que não gostaria. Achei bem diferente das coisas que já li dele. Vargas Llosa é realmente incrível!

Publicado no Artefato Cultural

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Tarrafa Literária

A Tarrafa Literária será de 24 a 28 de agosto e a programação está interessante! Fiquei bastante animada com as oficinas que serão ministradas.

Confira a programação clicando aqui.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A gente se acostuma



A gente se acostuma assim, com um abraço meio folgado, com um bom dia mal dado e com o gosto insosso do entardecer.
Gosta de viver com o normal ligado, economizando dinheiro sem saber por quê. Caminha com o olho grudado no nada, planejando o passado e sonhando pesadelos. Não gosta da finitude das coisas, porque cá entre nós, recomeçar dá preguiça. Empurra o mundo pra trás para sentir o sabor do mofo.
A gente se acostuma com o nada e quando o tudo vem mal sabemos o que fazer com ele. A gente faz uma leitura das cenas e busca fundamentos ao invés de sentir. A gente se mostra para os outros e se esconde da gente. Quando o diferente chega, negamos a vontade de conhecer e repetimos vivências.
Coloca-se um status na cabeça e outro no coração, fazendo um desencontro de verdades e mentiras. Nem sabemos quem somos, mas decora-se o outro com plenitude e voracidade.
Por dentro, nos perdemos na escuridão enquanto lá fora só há holofotes nos cegando de quem realmente somos.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

"É fácil desistir de nossos sonhos"

Em sua coluna de hoje, na Folha de São Paulo, Contardo Calligaris falou sobre o último filme de Woody Allen, "Meia-Noite em Paris" (Eu já assisti e recomendo).

Contardo comentou sobre o desejo do protagonista Gil Pender, de abandonar seu trabalho como roteirista para se dedicar a escrever um romance. Atitude vista pela noiva como algo sem sentido.

O fato é que escrever um romance é um tanto ainda mais sério dentro da vida do personagem. É, na verdade, um sonho que ele vem adiando por causa de seu trabalho em Hollywood, e também por causa da frustração que certamente causaria em sua esposa e sogros que vêem tudo como uma bobagem.

E é exatamente sobre esse ponto que Contardo escreveu mais um de seus incríveis textos. Coloco alguns trechos importantes:

“Todo o mundo acaba desprezando o desejo de quem despreza seu próprio desejo”

“O que emperra a vida de Pender não é seu sonho nostálgico, é o presente. A nostalgia, aliás, é seu recurso para não se esquecer completamente de seus próprios sonhos. É como se, para preservar seu desejo, ele o situasse numa outra época. Mas preservá-lo de quem?

“O fato é que somos complacentes com as expectativas dos outros (que amamos ou não) à condição que elas nos convidem a desistir de nosso desejo. É isso mesmo, a frase que precede não saiu errada: adoramos nos conformar (ou nos resignar) às expectativas que mais nos afastam de nossos sonhos. Aparentemente, preferimos ser o romancista potencial que foi impedido de mostrar seu talento a ser o romancista que tentou e revelou ao mundo que não tinha talento. Desistindo de nossos sonhos, evitamos fracassar nos projetos que mais nos importam”.


“Todos nós, em média, dedicamos mais energia à tentativa de silenciar nossos sonhos do que à tentativa de realizá-los”.


Então, finalizo aqui ainda com a dúvida: quando começamos a ser leais com nós mesmos?

terça-feira, 5 de julho de 2011

Você, de novo?





Parece que foi ontem que te vi. Acho que tenho essa impressão porque o tempo voa, amor. Você tá bem? Jura? Não parece... E essas olheiras? Caramba... Que triste. Ah, foi embora, é? Pra onde? Pra longe? Xi, que chato. Mas fica assim, não. Logo passa. Lembra que você me disse isso? Então, e passa mesmo. Quer café? Acabei de passar.

Por que você veio, heim? Pra me dizer o que preciso fazer, né? Essa sua mania é tão feia. Por que você acha que tenho que fazer aquilo que você pensa ser correto? E mais, você me perguntou se eu estou bem? Se estou satisfeita? Então, gosto assim. De viver assim. Que mania de ficar olhando na janela dos outros...

Vem cá, me diz uma coisa, vai demorar muito, é? Preciso sair. Sabe como é, né? A vida continua. Vai ficar mais um pouco? Mas pra quê? Quer recordar? Sentir o cheiro? Tudo bem, eu deixo. Quando sair, fecha a porta.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Procrastinar



Hoje só quero ler o que os outros escreveram para adiar o que preciso escrever. 

terça-feira, 28 de junho de 2011

Mostra de Música Contemporânea acontece em julho, no Teatro Guarany


Sucesso de crítica e público no ano passado, a Mostra da Música Contemporânea (MuC) ocupará o Teatro Guarany, em Santos, nos dias 15 de julho, 05 de agosto e 14 de outubro, sempre às 20h. Com o tema “A música do século XXI”, o evento inclui, em seu repertório, composições de Gilberto Mendes, Almeida Prado e Roberto Martins. 

A Mostra vem sendo comparada e até confundida com o Festival Música Nova. O pianista e professor Antonio Eduardo, idealizador do evento, considera a MuC um complemento do Festival. E afirma: “Nós podemos muito bem ter o papel de formar um público  e integrá-lo à estética proposta pelo Música Nova, que é um patrimônio cultural da cidade”. 

A MuC vem ganhando força porque visa a formação de um público diferenciado para concertos, realizando parceria com estudantes de música. Antonio lembra que é preciso criar oportunidades para que os jovens permaneçam na região, e a arte é um destes vetores. “Quero também enfatizar o aspecto pedagógico importante para que assim possamos informar não apenas músicos, mas, principalmente, formar público”.

Artistas convidados: Adriana Bernardes (soprano), Cibele Palopoli, Edson Santos (bailarino), José Simonian (flauta), Gustavo Fiel (piano), Mireille Gleizes, Sandra Alves (bailarina) e Thiago Abdalla (violão). A curadoria da MuC é do pianista Antonio Eduardo e Marli Nunes. O apoio, da Secretaria de Cultura de Santos e do Instituto Artefato Cultural. 

Todas as entradas são francas. O Teatro Guarany fica no Centro Histórico de Santos, Praça dos Andradas, s/nº. Programação completa no link: www.muc2011.artefatocultural.com.br.