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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Coisas da internet

Meu blog apareceu em uma lista esquisita:


Pingy Web Application - Ping Tool


Não faço ideia do que seja. Mas estão vindo vários cliques de lá. 
Obrigada ao fantasminha camarada.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Três coisas

Por esses últimos dias me encantei com três coisas e resolvi indicar aqui. Um filme, um livro e um videoclipe.

O filme é: “Eu não tenho medo”, dirigido pelo italiano Gabriele Salvatores, é baseado em fatos reais e conta uma história de descobertas, suspense, amizade, confiança e ausência dela... O personagem central, Michele (Giuseppe Cristiano) é um garoto de 9 anos que em uma de suas aventuras pelos campos de trigo descobre um garoto escondido em um buraco. Ele decide guardar o segrego e passa a ajudar o menino, seja com comida, água e uma simples conversa. Porém, Michele não faz idéia do que está por trás deste novo amiguinho.

“Eu não tenho medo” é o tipo de filme que muita informação pode estragar tudo. Por isso, apenas saliento que fiquei tão encantada... emocionada, alegre, triste, com ódio... Vale conferir.


 O livro é: “O Segredo de Joe Gould”, de Joseph Mitchell. Este é também daqueles onde muita informação estraga. Trata-se do perfil de um excêntrico morador de rua, que o jornalista Joseph Mitchell conheceu na boemia de Nova York.

Joe Gould vivia de: “ar, autoestima, guimba de cigarro, café de caubói, sanduíche de ovo frito e ketchup”. E vivia ainda para se dedicar a um livro que ele chamava de “História Oral”. Um livro que já tinha milhões de páginas e que, segundo ele, seria a obra literária inédita mais longa da história.

Incrível os caminhos que Joseph Mitchell tomou para contar a história de Joe Gould. Certamente um livro recomendadíssimo para quem gosta de Jornalismo Literário. Gostei do respeito que fica visível na narrativa, que Mitchell tinha pelo personagem. Seu grande foco era realmente tornar grandiosos “personagens pequenos” como dizia a crítica na época. Foi dando voz aos que não tinham que Mitchell tornou-se um dos principais jornalistas da revista The New Yorker.

O impressionante, e até mesmo curioso, é que, após revelar o então segredo de Joe Gould, Michell entrou em uma espécie de bloqueio e não conseguiu escrever mais nada. Mesmo assim, manteve seu emprego na revista e continuou a receber seu gordo salário. Até hoje não se sabe certamente o que aconteceu. Uma pena.

Bom, o videoclipe é novo do Brandon Boyd, “Courage and Control”. Não sei se foi influência por ser uma das minhas músicas preferidas do CD, mas... achei belo e meio artístico. Para vê-lo clique aqui.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

São Paulo - 457 anos

Esse texto é beemm velho. Fiz para uma revista há um tempo. Resolvi postar aqui devido ao aniversário de São Paulo.

***

“Alguma coisa acontece no meu coração. Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João”

E os versos de Caetano estão corretos. Muitas coisas acontecem não só nos corações que cruzam São Paulo, mas em tudo ao seu redor, ao redor da maior metrópole do país. São Paulo é assim: cheia, intensa - parece que todos estão sempre com pressa, e realmente estão. Pelo menos a maior parte.

Há fumaça quase que irrespirável, mas há também o verde, o ar puro que emana do Ibirapuera. Pessoas de todos os tipos, de todos os gêneros e raças. Elas circulam pelas ruas compondo uma harmonia de cores e sons. São empresários, mestres de obras, babás, educadores e socialites que encenam a Paulicéia Desvairada.

Os metrôs? Sempre lotados com pessoas que lêem, conversam, reclamam, suspiram. O trânsito? Continua devagar, mas ninguém desiste. Todos erguem a cabeça e seguem em frente. Ame ou odeie: parece que só o amor prevalece.

Nos finais de semana as opções são diversas, parece até feira livre em dia de domingo. Bares, casas noturnas, festas, feiras, shoppings como Iguatemi, Ibirapuera, Morumbi, Paulista... Os jovens podem até brincar de uni duni tê. E é lá, na Vila Olímpia, que os baladeiros se encontram. Já os amantes da gastronomia vão para o Bixiga e se deliciam em cantinas e restaurantes.

Os roqueiros vão à Galeria do Rock. E agora, os apaixonados por futebol contam com o Museu do Futebol. Quem gosta de comprar muito e gastar pouco prefere a tradicional 25 de Março. Os elegantes e fashionistas procuram a Rua Oscar Freire, que por sinal, é considerada uma das mais luxuosas do mundo. Lá, reúnem-se grifes como Tommy Hilfiger, Diesel, La Perla, Le Lis Blanc, Osklen, Ellus Camper, H. Stern e Forum.

Bancos, grandes empresas, hotéis, hospitais e restaurantes decoram a Avenida Paulista, que além de encantar turistas é um importante pólo econômico. São Paulo é assim: é glamour, é caos, é alegria, é tristeza. E é exatamente esse leque de opções e emoções que fazem dela essa cidade tão especial. Ela é tudo isso e muito mais. Os números ilustram sua imensidão: em seus 1.530 km² de área, cerca de 19 milhões de habitantes dividem o espaço.

Dez milhões de pessoas a cada ano visitam a cidade que tem: um evento a cada 6 minutos, 500 mil empregos diretos e indiretos, uma feira de negócios a cada três dias, 410 hotéis, 280 salas de cinema, 184 casas noturnas, 75 bibliotecas, 12,5 mil restaurantes, 72 shopping centers, 54 estações de metrô, 5,2 milhões de carros, 5.500 semáforos, 500 helicópteros, 1.000 academias de ginástica, 88 museus, 120 teatros, 12 clubes de golfe, 1.500 pizzarias que vendem juntas 1 milhão de pizzas por dia. Parece muito, mas é apenas uma prévia.

É por isso que lá, tudo acontece, as oportunidades surgem. São Paulo é expressiva, é cultural, tem gostos, sabores e segredos que se perdem em tanta grandeza. Ela não tem um Cristo Redentor, mas está sempre de braços abertos para receber a todos.
“E os novos baianos passeiam na tua garoa. E novos baianos te podem curtir numa boa”.
E não só os baianos, mas todos continuarão a curtir, e sim, sempre numa boa!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Caixa de lembranças

Lembranças que causam ternura. Lembranças que causam desgosto. Adoro relembrar. O que foi bom, claro. O que um dia me fez sorrir. Foi então que ontem, de repente, me lembrei da velha caixa de papelão onde dentro havia vida. Uma vida que ficou para trás e que talvez reflita o que sou hoje. A velha caixa de papelão que pai e mãe guardam há anos, cheias de álbuns de fotografias. Eu e meu irmão ainda bebês, as festas de aniversário, os passeios pelo parque, a reunião de família, a perda do primeiro dente, a primeira quadrilha na escola, a casa de onde tudo se via...

Sentei no sofá da sala e fiquei olhando aquilo tudo e foi tão bom... Algumas fotografias me deixaram tristes. De pessoas que já se foram, de pessoas que estão bem longe, de pessoas que não fazem mais parte.

Dei risada do mau gosto fashion, dos cabelos anos 80 da minha mãe, da vida de skatista do meu pai. Depois de horas, matutei por uns instantes e notei que minha adolescência não estava registrada. Não lembro se foi o desapego com câmeras fotográficas ou o advento da tecnologia que resolve tudo com apenas um delete.

Por causa dos bytes que cada imagem ocupa em nossos computadores, desocupamos uma passagem importante de nossas vidas. Deletamos cenas, apagamos histórias e quando se vê, tudo o que resta é uma vaga lembrança. Isso quando ela não resolve dar pau.

Mais tarde, saí de casa e minha fiel desorganização fez com que eu deixasse a caixa no canto da sala. Ninguém se habilitou. Dormiu lá, acordou lá e passou o dia abandonada. Hoje, cheguei e quando abri a porta vi meu pai sentado no sofá, acompanhado da caixa, revivendo lembranças e com o sorriso no canto da boca.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Livros e escolhas

Texto de Malu Giaffone

Sempre me pergunto o que me faz escolher um livro entre tantos na livraria?

Às vezes procuramos algum título específico porque alguém indicou, devido a alguma resenha positiva, porque adoramos aquele autor, ou ainda o tema nos é especialmente interessante.

Mas, há as escolhas onde nenhumas dessas alternativas se fizeram presente. É quando o livro simplesmente nos interessa por um detalhe na capa, pelo título sugestivo, pelo nome ou nacionalidade do autor. É uma escolha inteiramente emocional. Sem nenhuma informação prévia e de repente um simples detalhe nos captura.

Lembro de dois livros que escolhi pelos títulos, muito antes de fazerem sucesso. “A Sombra do Vento”, de Carlos Ruiz Zafon, porque achei linda essa imagem, do vento ter uma sombra. O outro foi “A Menina que Roubava Livros”, de Markus Suzak. Como não se interessar por essa pequena frase, com essa imagem de uma garota que goste tanto de livros a ponto de surrupiá-los? Em ambos os casos fui feliz nas escolhas.

Digo tudo isso porque foi assim que escolhi “A chave de casa”, de Tatiana Salem Levy. O título é inspirado, mas não tanto quanto os outros que mencionei. A capa é linda, com detalhes de um tapete que parece real, não uma imagem, dá vontade de tocar.
Entretanto, penso que o que realmente me capturou foi a ideia de reencontro com as origens, que pode ser visto de duas formas: origens familiares, ideia forte para todo descendente de estrangeiros, mas também entender a própria história através da história de nossos ancestrais, o que vai muito além dessa questão de imigração, de pertencer a uma cultura diferente. É o reconhecimento de que somos produto não só das nossas experiências, mas também da vida dos que nos precederam. Ainda assim, a nossa trajetória é única e individual... Paradoxal, não?

Feita a escolha, o livro já me encantou nas primeiras palavras. A narrativa não é linear, o que sempre me agrada. Gosto da espécie de labirinto que alguns autores conseguem construir, ou talvez seja melhor falar em um mosaico, nos dando as pecinhas que nos permitirão entender toda a história.

A história é contada em primeira pessoa. O tom muito íntimo, confidencial mesmo, que ela dá ao texto, é muito bonito. Todas as palavras estão ali, mesmo as muito duras, cruas, mas o resultado é uma narrativa sensível, bela, nada bruta.

Outra coisa que me agradou muito foi o fato da narradora ir se mostrando aos poucos. Os fatos que nos permitem entender a sua trajetória são revelados de uma forma vagarosa, como num streep tease caprichado. Sabe o que me lembrou? Sessões de terapia, em que o paciente, aos poucos, vai se sentindo à vontade e vai trazendo os fatos em seu próprio ritmo, sem se importar muito em satisfazer a curiosidade de quem escuta.

Mais não digo, porque a própria orelha do livro, em minha opinião, fala demais. É o tipo de livro em que muita informação estraga o prazer da leitura, porque perde o jogo de mostrar aos poucos, que é a grande força da narrativa.

Indico para todos que gostam de histórias sensíveis, contadas de uma forma muito pessoal, onde se pode ler a alma do narrador a cada linha.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

3meia5 - 365 dias, 365 autores diferentes


Um autor, uma história, um dia e um ano inteiro recheado de experiências. Paixão pela escrita e vontade de compartilhar. O projeto “3meia5 - 365 dias, 365 autores diferentes”, criado pelo blogueiro Ivan Niero, tem como proposta reunir em um único espaço o ponto de vista de uma pessoa e o que se passa com ela em uma determinada data. Assim, cada autor ficará responsável por um dia do ano. No final, o blog contará com 365 autores e histórias diferentes.
Ivan conta que a ideia de criar o 3meia5 surgiu quando ele navegava pela internet e se deparou com o projeto americano The3six5. “Encontrei esse blog por acaso no Twitter oficial do Posterous. Assim que entrei lá achei a proposta interessantíssima, e que tinha tudo para dar certo aqui no Brasil. As pessoas gostam de falar de si, e, no final de um ano, o blog formaria um quadro bonito”.

Assim que Ivan decidiu trazer o blog para os moldes tupiniquins, começou a divulgar pelo Twitter e convidar amigos próximos para participar. O retorno foi imediato e logo na primeira semana havia participantes para quase o ano todo. “Confesso que achei que se preenchesse o mês de fevereiro até o meio do mês de janeiro, já estaria ótimo. Não esperava mesmo tanta gente querendo participar. Acho que vou ter que criar mais dias nesse ano para caber todo mundo!”, brinca.  
Ele conta que até o momento ninguém comentou que “a ideia era furada ou coisa assim”. “Muitos falaram que eu teria um bom trabalho pela frente, mas acabaram me desejando coragem para continuar porque o projeto é bastante bacana. Praticamente o primeiro mês inteiro é de postagens só de amigos mais próximos. Isso vai ser bom para solidificar o projeto e dar a cara que eu busco”.
O ano só está começando e encarar a aventura de gerenciar tantas pessoas durante 365 dias seguidos, e ainda conciliar seu trabalho o deixa com alguns receios. Para ele, o ponto negativo é não conhecer o estilo da maioria dos autores. Além disso, acredita que muitos podem se esquecer de escrever no dia certo, e, por conta disso, já elaborou um banco de reservas que tem a participação especial de alguns amigos.
Mesmo diante de muito trabalho, Ivan está otimista, pois acredita que “tem tudo para ser um projeto bonito e que vá marcar algumas pessoas que estão lendo ou escrevendo”.
Como idealizador, ele inaugurou o blog e escreveu o post do primeiro dia do ano. “Confesso que fiquei pensando no texto o tempo todo. Qualquer foto que eu tirava naquele dia via como uma imagem potencial para ilustrar o texto. Mas, no final, deixei a cabeça produzir sem pensar muito no que estava escrevendo e quando vi, já tinha publicado”.

Ivan é formado em Ciências da Computação e sempre gostou de escrever. Para aliar as duas paixões, cursou uma pós-graduação em Jornalismo Literário. Para muitos, é curioso imaginar como um cientista da computação tem amor pela escrita e ainda organiza um projeto literário, mas para ele é algo bem natural.

“Sempre gostei de escrever e também sempre gostei de computação. Acho que independente da profissão que eu tenha escolhido, essas duas coisas sempre vão caminhar juntas. O que cabe a mim, é tentar administrá-las e acho que estou conseguindo até agora”.

Para conhecer o projeto acesse: http://www.3meia5.com/

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Hotel Novo Mundo

Eu sigo a @doidivana (Ivana Arruda Leite) no Twitter e sempre visito seu blog, o http://doidivana.wordpress.com/ . Acho divertidas as coisas que ela escreve nos dois espaços, e, por isso, acabei me interessando em ler seu primeiro romance “Hotel Novo Mundo”. 

Ivana conta a história de Renata, uma ex-prostituta que por escolha do destino conhece um homem rico e importante. Ela acaba virando socialite e passa a desfrutar de uma vida de rainha. Porém, César, seu marido, é um verdadeiro pilantra, mulherengo e sedutor. 

Cansada das traições e da vida inútil que tinha no Rio de Janeiro, Renata decidi sair de casa deixando para trás todo o conforto, levando apenas a coragem e vontade de mudar de vida. Escolhe ir para São Paulo onde aterrissa no Hotel Novo Mundo, uma pensão simples localizada no centro da cidade. Lá, conhece personagens humildes que vivem na metrópole em busca de seus ideais. Agora, o que busca Renata? Liberdade.   

A história é contada a partir dos sete dias seguintes, depois que a  personagem  decide sair de casa e ir para o hotel. Gostei bastante do estilo de Ivana. Ela conduz o texto de uma forma direta e simples, colocando o leitor dentro da situação logo no primeiro parágrafo:

“Detesto conversar com estranhos, todo mundo sabe disso, menos esse cara que sentou ao meu lado. Desde que saímos do Rio de Janeiro, ele não para de falar”. 
Como o texto é todo em primeira pessoa, dá ainda mais um sabor à leitura. O leitor se sente próximo da história. Logo é possível perceber também o tom bem-humorado da autora:
- Divino, ao seu dispor – ele disse, estendendo a mão numa formalidade desnecessária, e continuou a matraquear.
- Por enquanto, eu vou ficar no hotel de uma amiga, nos Campos Elíseos. Mas a agência onde vou trabalhar é no Paraíso. Você sabe se o Paraíso fica perto da região da Luz?
Divino no Paraíso? Próximo à Luz? Se eu estivesse bem teria caído na gargalhada. 

***

- A Jurema é bem grandinha e vai saber lidar com isso. Agora, se você me dá licença, eu tenho um ebó pra preparar – levantou-se e me pôs pra fora do quarto, sem aceitar o pagamento que eu lhe oferecia. Um pai de santo lacaniano, sem dúvida alguma. 

“Hotel Novo Mundo” foi um dos finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura do ano passado, na categoria Melhor Livro do Ano - Autor Estreante.  

Foi interessante ler este livro e ter a sensação de que a simplicidade, a linguagem direta e sem rodeios podem muito bem construir uma ótima história. O ritmo é bom, ágil, flui. Tanto que tive a sensação de que Ivana construiu a narrativa de uma só vez, como se tudo estivesse dentro de sua cabeça, e, como num passe de mágica, o texto saísse naturalmente. 

Claro que isso foi apenas sensação. Geralmente um autor leva muito tempo amarrando, reescrevendo e dando sintonia à sua obra. Mas achei o texto tão leve e empolgante que imaginei a escrita sendo feita em uma "tacada só".

Fica a dica: “Hotel Novo Mundo”, Ivana Arruda Leite