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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Caixa de lembranças

Lembranças que causam ternura. Lembranças que causam desgosto. Adoro relembrar. O que foi bom, claro. O que um dia me fez sorrir. Foi então que ontem, de repente, me lembrei da velha caixa de papelão onde dentro havia vida. Uma vida que ficou para trás e que talvez reflita o que sou hoje. A velha caixa de papelão que pai e mãe guardam há anos, cheias de álbuns de fotografias. Eu e meu irmão ainda bebês, as festas de aniversário, os passeios pelo parque, a reunião de família, a perda do primeiro dente, a primeira quadrilha na escola, a casa de onde tudo se via...

Sentei no sofá da sala e fiquei olhando aquilo tudo e foi tão bom... Algumas fotografias me deixaram tristes. De pessoas que já se foram, de pessoas que estão bem longe, de pessoas que não fazem mais parte.

Dei risada do mau gosto fashion, dos cabelos anos 80 da minha mãe, da vida de skatista do meu pai. Depois de horas, matutei por uns instantes e notei que minha adolescência não estava registrada. Não lembro se foi o desapego com câmeras fotográficas ou o advento da tecnologia que resolve tudo com apenas um delete.

Por causa dos bytes que cada imagem ocupa em nossos computadores, desocupamos uma passagem importante de nossas vidas. Deletamos cenas, apagamos histórias e quando se vê, tudo o que resta é uma vaga lembrança. Isso quando ela não resolve dar pau.

Mais tarde, saí de casa e minha fiel desorganização fez com que eu deixasse a caixa no canto da sala. Ninguém se habilitou. Dormiu lá, acordou lá e passou o dia abandonada. Hoje, cheguei e quando abri a porta vi meu pai sentado no sofá, acompanhado da caixa, revivendo lembranças e com o sorriso no canto da boca.

4 comentários:

Malu disse...

Que texto lindo, Érika!
Todos nós da era pré- (histórica?) digital temos essa caixa. É tão bom, né? tocar um pedacinho da nossa história. Muito melhor que ver numa tela...
bjs

Ana Lúcia disse...

Esse texto também me despertou um sorriso no canto da boca... Obrigada, Érika.

Érika Freire disse...

Ana Lúcia, mas que alegria ver você por aqui!!! Obrigada pela visita e espero que possa vê-la mais vezes por aqui. Beijos ;)

Liliam disse...

Adoroooo reviver as fotografias antigas. Observar a moda da época, os cortes de cabelo... rsrsrsrsrs... A era digital nos deixou perfeccionistas a ponto de podermos ver a foto e decidir se vamos publicá-las ou não. Dá a possibilidade de ver se ficamos bem ao nosso gosto ou não. Perdeu aquela expectativa anunciada antes da revelação do rolo... E qdo o rolo queimava? Putz! Não abre a máquina... só no escuro! Rs!
Por acaso também não tenho mts fotos da fase teenager. Há amigas de escola que as tem...