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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Hotel Novo Mundo

Eu sigo a @doidivana (Ivana Arruda Leite) no Twitter e sempre visito seu blog, o http://doidivana.wordpress.com/ . Acho divertidas as coisas que ela escreve nos dois espaços, e, por isso, acabei me interessando em ler seu primeiro romance “Hotel Novo Mundo”. 

Ivana conta a história de Renata, uma ex-prostituta que por escolha do destino conhece um homem rico e importante. Ela acaba virando socialite e passa a desfrutar de uma vida de rainha. Porém, César, seu marido, é um verdadeiro pilantra, mulherengo e sedutor. 

Cansada das traições e da vida inútil que tinha no Rio de Janeiro, Renata decidi sair de casa deixando para trás todo o conforto, levando apenas a coragem e vontade de mudar de vida. Escolhe ir para São Paulo onde aterrissa no Hotel Novo Mundo, uma pensão simples localizada no centro da cidade. Lá, conhece personagens humildes que vivem na metrópole em busca de seus ideais. Agora, o que busca Renata? Liberdade.   

A história é contada a partir dos sete dias seguintes, depois que a  personagem  decide sair de casa e ir para o hotel. Gostei bastante do estilo de Ivana. Ela conduz o texto de uma forma direta e simples, colocando o leitor dentro da situação logo no primeiro parágrafo:

“Detesto conversar com estranhos, todo mundo sabe disso, menos esse cara que sentou ao meu lado. Desde que saímos do Rio de Janeiro, ele não para de falar”. 
Como o texto é todo em primeira pessoa, dá ainda mais um sabor à leitura. O leitor se sente próximo da história. Logo é possível perceber também o tom bem-humorado da autora:
- Divino, ao seu dispor – ele disse, estendendo a mão numa formalidade desnecessária, e continuou a matraquear.
- Por enquanto, eu vou ficar no hotel de uma amiga, nos Campos Elíseos. Mas a agência onde vou trabalhar é no Paraíso. Você sabe se o Paraíso fica perto da região da Luz?
Divino no Paraíso? Próximo à Luz? Se eu estivesse bem teria caído na gargalhada. 

***

- A Jurema é bem grandinha e vai saber lidar com isso. Agora, se você me dá licença, eu tenho um ebó pra preparar – levantou-se e me pôs pra fora do quarto, sem aceitar o pagamento que eu lhe oferecia. Um pai de santo lacaniano, sem dúvida alguma. 

“Hotel Novo Mundo” foi um dos finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura do ano passado, na categoria Melhor Livro do Ano - Autor Estreante.  

Foi interessante ler este livro e ter a sensação de que a simplicidade, a linguagem direta e sem rodeios podem muito bem construir uma ótima história. O ritmo é bom, ágil, flui. Tanto que tive a sensação de que Ivana construiu a narrativa de uma só vez, como se tudo estivesse dentro de sua cabeça, e, como num passe de mágica, o texto saísse naturalmente. 

Claro que isso foi apenas sensação. Geralmente um autor leva muito tempo amarrando, reescrevendo e dando sintonia à sua obra. Mas achei o texto tão leve e empolgante que imaginei a escrita sendo feita em uma "tacada só".

Fica a dica: “Hotel Novo Mundo”, Ivana Arruda Leite

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