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quinta-feira, 31 de março de 2011

domingo, 27 de março de 2011

O tudo e o nada

Bom mesmo é sair sem rumo




Sempre se chega a algum lugar



Encontra pelo caminho a vergonha do medo de altura



A coragem de outros



O encanto de um bicho preguiça fazendo malabarismo



Vê-se os carros na avenida. A cidade não para



Mas eu paro


Pra olhar o verde, o nada, as pessoas...



Bom mesmo é ver tudo lá de cima



Nem o cinza do céu é o limite



Bom mesmo é ficar assim, de pernas pro alto


sábado, 26 de março de 2011

Patti Smith - “só garotos”

“só garotos”, livro da Patti Smith, é incrível! Visceral, belo, emocionante, triste, alegre. É um mergulho no que significa se entregar à arte. É um encanto. Um livraço!




Uma carta de Patti para Robert Mapplethorpe, retirada do livro:


“Sempre que estou na cama acordada me pergunto se você também está acordado na cama. Você está com alguma dor ou se sentindo sozinho? Você me tirou do período mais negro da minha juventude, dividindo comigo o mistério sagrado do que é ser artista. Aprendi a ver com você e nunca faço um verso ou desenho uma curva que não venha do conhecimento que consegui durante nosso valioso tempo juntos. O seu trabalho, oriundo de uma fonte fluida, remonta à canção nua da sua juventude. E você fala em ficar de mãos dadas com Deus. Lembre-se, aconteça o que acontecer, você sempre esteve segurando essa mão, aperte-a com força, Robert, não solte.

Na outra tarde, quando você dormiu no meu ombro, eu também cochilei. Mas antes pensei em dar uma olhada nas suas coisas e no seu trabalho e, passando por anos de trabalho na minha cabeça, vi que, de todos os seus trabalhos, você ainda é o mais bonito. O trabalho mais lindo de todos”.


domingo, 20 de março de 2011

Berry - Mademoiselle

Ontem o sábado foi de muita coisa boa. Grupo de literatura, teatro e showzinho pra finalizar bem a noite. Demos a sorte de assistir à apresentação da cantora francesa Berry, no Sesc. Que voz! Não há como não lembrar de Carla Bruni. Bom, eu adoro a Carla Bruni, então, adorei ouvir a Berry e aquele violãozinho maravilhoso.
Ouve só:

terça-feira, 8 de março de 2011

"Foi Assim"

Conhecer novos autores (novos para nós) é muito bacana. Sábado passado passei o dia na casa de um casal, amigos jornalistas e eles me apresentaram Natalia Ginzburg, uma escritora italiana, nascida em 1916 e que infelizmente já faleceu, em 1992.

O livro que eles me emprestaram chama-se “Foi Assim” e só ontem fui lê-lo, pois precisava terminar "Orgulho e Preconceito", da Jane Austen. Admiro quem se dedica a vários livros ao mesmo tempo. Não consigo. Leio um de cada vez.

“Foi Assim” me encantou logo nas primeiras frases pelo tom direto que a autora conta a história de um amor doentio, onde a personagem, após alguns anos de sofrimento e traição do marido, decide matá-lo. Na verdade, me encantei rapidamente pelo título, “Foi assim", achei tão belo!

Uma história realmente para as mulheres, onde Natalia despe a personagem com todos os conflitos que um sentimento doloroso acarreta.

Natalia transforma o banal em arte. Abre a narrativa com a cena do crime, e, ao decorrer do livro, nos conta os caminhos que a mulher passou, até tomar a decisão de assassinar o marido com um tiro no olho.

Difícil é não sentir raiva de alguém que aceita um relacionamento onde o outro não ama, onde o outro tem outro alguém, só que este outro, sempre fora sincero, avisando desde sempre que não a amava, e que amava outra mulher.

É fácil julgar, difícil é saber realmente quais são os limites do amor. Seja ele para o bem ou para o mal, me parece que é capaz de loucuras, como mostra a autora.

Separei alguns trechos interessantes:

“Então um dia disse-lhe que o amava, porque estava cansada de guardar aquele segredo dentro de mim e frequentemente me sentia sufocar sozinha no meu quarto de pensão com aquele segredo que crescia dentro de mim, e cada vez mais sentia que me tornava uma tola e não conseguia me interessar por ninguém e por nada...”


“Despia-me e olhei no espelho o meu corpo nu que agora não pertencia mais a nenhum homem. Podia fazer o que quisesse de mim. Podia fazer uma viagem com Francesca e a menina. Podia encontrar um homem e fazer amor se tivesse vontade. Podia ler livros, olhar países e olhar como viviam outras pessoas... Podia tornar-me uma outra mulher se me esforçasse...”


“Assim, não sei se gosto de Giovanna. Agora não a vejo faz vários meses e penso pouco nela. Sou um pouco preguiçoso e não gosto de sofrer”.


Bom, não falarei mais. Só acho que toda mulher certamente pode se identificar com essa personagem “meio romântica, meia tola, meio ingênua” e cheia de vontade de amar e ser correspondida.

Ah, outra coisa linda, e que resolvi mostrar aqui, são as ilustrações do livro. Olha só:



segunda-feira, 7 de março de 2011

Marca livro da Mafalda

Olha que fofo! É um marca livro da Mafalda que ganhei de uma amiga.

domingo, 6 de março de 2011

Respeito a individualidade e admiro o silêncio estrondoso
Preciso caminhar além da estrada para ter um destino incerto
Não importa se não quero chegar. Importa apenas quem vou encontrar no caminho
Nem tudo o que se faz na vida precisa ter sentido. Tem algo que se faz por nada e para nada
Tem algo que se gosta, apenas para desgostar do outro
Um dia a gente se nota e se percebe viva. E gosta do jeito, do cheiro e das cores
Gosta da teimosia e do falar desajeitado
Resolve aceitar aquela bagunça organizada. E gosta. Ama. Sente. Tudo.