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terça-feira, 8 de março de 2011

"Foi Assim"

Conhecer novos autores (novos para nós) é muito bacana. Sábado passado passei o dia na casa de um casal, amigos jornalistas e eles me apresentaram Natalia Ginzburg, uma escritora italiana, nascida em 1916 e que infelizmente já faleceu, em 1992.

O livro que eles me emprestaram chama-se “Foi Assim” e só ontem fui lê-lo, pois precisava terminar "Orgulho e Preconceito", da Jane Austen. Admiro quem se dedica a vários livros ao mesmo tempo. Não consigo. Leio um de cada vez.

“Foi Assim” me encantou logo nas primeiras frases pelo tom direto que a autora conta a história de um amor doentio, onde a personagem, após alguns anos de sofrimento e traição do marido, decide matá-lo. Na verdade, me encantei rapidamente pelo título, “Foi assim", achei tão belo!

Uma história realmente para as mulheres, onde Natalia despe a personagem com todos os conflitos que um sentimento doloroso acarreta.

Natalia transforma o banal em arte. Abre a narrativa com a cena do crime, e, ao decorrer do livro, nos conta os caminhos que a mulher passou, até tomar a decisão de assassinar o marido com um tiro no olho.

Difícil é não sentir raiva de alguém que aceita um relacionamento onde o outro não ama, onde o outro tem outro alguém, só que este outro, sempre fora sincero, avisando desde sempre que não a amava, e que amava outra mulher.

É fácil julgar, difícil é saber realmente quais são os limites do amor. Seja ele para o bem ou para o mal, me parece que é capaz de loucuras, como mostra a autora.

Separei alguns trechos interessantes:

“Então um dia disse-lhe que o amava, porque estava cansada de guardar aquele segredo dentro de mim e frequentemente me sentia sufocar sozinha no meu quarto de pensão com aquele segredo que crescia dentro de mim, e cada vez mais sentia que me tornava uma tola e não conseguia me interessar por ninguém e por nada...”


“Despia-me e olhei no espelho o meu corpo nu que agora não pertencia mais a nenhum homem. Podia fazer o que quisesse de mim. Podia fazer uma viagem com Francesca e a menina. Podia encontrar um homem e fazer amor se tivesse vontade. Podia ler livros, olhar países e olhar como viviam outras pessoas... Podia tornar-me uma outra mulher se me esforçasse...”


“Assim, não sei se gosto de Giovanna. Agora não a vejo faz vários meses e penso pouco nela. Sou um pouco preguiçoso e não gosto de sofrer”.


Bom, não falarei mais. Só acho que toda mulher certamente pode se identificar com essa personagem “meio romântica, meia tola, meio ingênua” e cheia de vontade de amar e ser correspondida.

Ah, outra coisa linda, e que resolvi mostrar aqui, são as ilustrações do livro. Olha só:



5 comentários:

Cecilia Nery disse...

Erika, este livro parece ser fascinante. Deu até vontade de ler depois de ler seu comentário. E que belo texto o seu! Como você, eu também leio um por vez, dois ao mesmo tempo confunde a minha mente e embaralho as histórias. Beijos!

Malu disse...

Érika, também não conheço essa autora, mas já me interessei! Belo texto! Eu também leio um livro de cada vez, porque um sempre me parece mais saboroso que o outro, então sempre acabo largando um pelo meio para ler só depois de terminado o eleito rsrsrs
beijo

Jeff Santos disse...

Érika!!!

Estas de férias? Passase alguma coisa? Não fazes um post à quase 20 dias!!!!

Érika Freire disse...

Pois é! Eu não escrevo, sabe, porque eu tenho uns amigos, assim, sabe, que não me lêem. Aí eu fico triste e desanimada pra escrever aqui! rsrsrsr
É que tá difícil arrumar tempo mesmo. Graças a Deus muito trabalho, mas vou voltar a publicar e espero que você volte a comentar, combinado? rsrsrs
TE AMOOOOOO
SAUDADESSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

Liliam disse...

Boa dica de literatura!