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sexta-feira, 29 de julho de 2011

“A morte do gourmet”

Sempre penso que há livros que devem ser lidos apenas devido ao título. “A morte do gourmet” é um exemplo. Adorei esse título. É claro que ao desfilarmos pelas páginas, quando a obra nos chega às mãos, corre-se o risco de não corresponder à expectativa. 

Escritora francesa, Muriel Barbery
Quando um livro me interessa, procuro ler várias resenhas, opiniões, enfim. Mas confesso que raramente desisto de ler caso tenha me deparado com críticas negativas. “A morte do gourmet” me encantou logo de cara pelo título, assim como aconteceu com o segundo romance da escritora francesa, Muriel Barbery, “A elegância do ouriço”. Outro nome incrível. 

Muriel, coloca em sua literatura, vestígios de Filosofia. Ela é formada pela École Normale Supérieur e deu aulas de Filosofia em Saint-Lô, na Normandia.  Seu primeiro livro foi publicado em 2000, “A morte do gourmet”, mas lançado somente em 2009 aqui no Brasil, depois do sucesso do segundo livro, “A elegância do ouriço”, lançado por aqui em 2008, pela Companhia das Letras. 

O primeiro que li foi “A elegância do ouriço”, um romance filosófico e muito bem humorado. Acabei não falando sobre ele aqui no blog por conta daquele problema da preguiça. Mas a jornalista Cecilia Nery leu o livro recentemente e fez um texto maravilhoso. Clique e leia. 

Em a “A morte do gourmet”, um crítico de gastronomia, Pierre Arthens, descobre que lhe restam apenas 48 horas de vida. Neste tempo, mergulha no passado para relembrar os sabores dos melhores pratos que teve a oportunidade de degustar. Seu desejo é recordar um sabor específico. 

Entre camarões, sardinhas e sorvete, fazemos uma imersão na vida do personagem, desde a infância, até a consagração, como crítico de gastronomia respeitado. Muriel também dá voz a outros personagens que recordam passagens da vida de Pierre. Em alguns momentos, é possível notar a personalidade ambígua do crítico, oras sensível, irônico e até arrogante. Porém, pensando melhor, será que todos nós também não somos assim em momentos diferentes? 

Neste livro, Muriel também deixa escapar através de Pierre seu senso de humor, o que é sempre bacana em uma obra. A passagem da empregada é impagável:

“A segunda razão pela qual gosto do patrão é um pouco difícil de dizer... é porque ele peida na cama! A primeira vez que ouvi, não entendi o que tinha ouvido, por assim dizer... E depois a coisa aconteceu mais uma vez, eram sete da manhã, a coisa vinha do corredor do salãozinho onde o patrão às vezes dormia quando voltava tarde da noite, uma espécie de detonação, uma fífia, mas aí, realmente, alto pra chuchu, eu nunca tinha ouvido nada parecido!... Desde esse dia senti simpatia pelo patrão, sim, simpatia, porque meu marido também peida na cama ( mas não tão alto). Um homem que peida na cama, minha avó dizia, é um homem que ama a vida. E depois, sei lá: isso o tornou mais próximo...”

“A morte do gourmet” é uma leitura rápida e descompromissada. Mas gostei bem mais de “A elegância do ouriço”, pois tem uma profundidade mais saborosa e deixa o leitor mais próximo das personagens principais, Renée e Paloma. 

Em breve, poderemos assistir o resultado da adaptação do livro no cinema.

5 comentários:

CEM PALAVRAS disse...

:)
Bom fim de semana.
beijos

Artes e escritas disse...

Rsrs. Um abraço, Yayá.

Érika Freire disse...

Pra vocês também, obrigada! rsrs

Vanessa disse...

Érika, obrigada pela dica, interessou.

abraço!

Cecilia Nery disse...

Érika, fiquei sabendo deste livro depois que li A Elegância do Ouriço, e confesso que fiquei interessada em ler, pois gostei muito daquele. Ler seu comentário aqui só aumentou minha vontade, mesmo sendo uma leitura descompromissada. Valeu pela dica e obrigada pelo link. Beijos.