Páginas

domingo, 23 de outubro de 2011

Lost e a minha melancolia


Nunca compreendi o fanatismo de alguns colegas por Senhor dos Anéis, Harry Potter ou Jornada nas Estrelas. Meu olhar não era de crítica e muito menos de ridicularizar aquele envolvimento desmedido. Isso nunca. Mas achava tudo muito curioso. Aliás, sentia até uma pontinha de inveja. Afinal, é legal gostar das coisas e, saber negociar os sentidos, faz bem.

Até que durante uma tarde de sábado de 2007, eu vi um olho se abrir e de repente tudo era caos. Alguns personagens corriam desesperados para tentar salvar o pouco do que restara de um acidente de avião. Lost. Foi então que me perdi junto com todos os sobreviventes do vôo 185 da Oceanic.

Não se trata aqui de um texto tardio sobre o seriado, não farei resumo, nem resenha e muito menos tentar explicar o que todos os blogs e sites já tentaram. O fato é que eu consegui me manter longe de todos os spoilers possíveis, o que, cá entre nós, é uma façanha em uma Era onde a gente acaba por descobrir até as informações que não desejamos.

Escolhi assistir ao seriado aos poucos, devagar e torcendo para que, no fundo, aquilo não tivesse fim. Hoje, os milhares de fãs já sabem o desfecho que Jeffrey Lieber, J. J. Abrams e Damon Lindelof deram ao seriado. Eu soube hoje, agora há pouco e estou num misto de melancolia e surpresa. Há uma espécie de vazio aqui dentro que ainda não descobri o que é.

Lá atrás, quando comecei a assistir, pegava os DVDs das temporadas e ficava horas e horas durante os finais de semana. Foi assim até a 3º temporada. Depois, parei por conta das outras coisas que acontecem na vida. Aí você é obrigado a deixar de lado algumas “bobagens”.

Só há poucos dias é que resolvi voltar de onde parei. Isso deve fazer um mês. Hoje, enfim, terminei e como é triste chegar ao fim das coisas.

Alguns amigos me questionaram “e se você não gostar do final e se decepcionar?” Eu sabia que isso não importaria, porque o meio de tudo isso foi tão incrível e já teria valido muito a pena. O final, mais do que me surpreendeu, me deixou sem fôlego e com lágrimas nos olhos.

Sentirei falta das paranóias que deixaram muitos telespectadores doidos e que acabaram abandonando a série. Uma pena... Dos questionamentos sobre o que é a ilha, qual é a nossa missão aqui, sobre se tudo tem um propósito, das pessoas que a gente encontra por aí... Lost, mais do que um seriado, foi um mergulho no conhecimento sobre as coisas que nos cercam. Propagação do amor, da fé, da esperança. Com fundamentos gnósticos sobre os sentidos e os caminhos que cada um segue e como deve seguir.

Deixo aqui, meu registro melancólico sobre uma das coisas mais incríveis que já assisti.

Nenhum comentário: