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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Razão de Ser


Acordei e me deparei com esse poema de Paulo Leminski:

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.

Tem que ter por quê?

É a razão de ser de alguns amigos e eu fico tão encantada. Admiro a coragem de quem se joga nas palavras,  sem pudor algum. 

domingo, 23 de junho de 2013

Dez páginas por dia, assim decretou Bukowski


Decidi me impor 10 páginas por dia, assim como Bukowski fazia. Ele se obrigava a isso. Tudo bem que com várias doses de whisky e cerveja tudo fica bem mais inspirador. Mas escrever tem que ser também uma obrigação, da mesma forma que o seu trabalho te exige fazer aquela ligação chata para cobrar, ou escrever aquele texto que nem você entendeu sobre o que se trata.

Estou lendo Bukowski e quero pra mim esse jeito direto e sem rodeios. A leitura simplesmente flui porque ele não fica floreando, sabe? Tentando escrever bonito. Ele pega e conta, tipo, como se estivesse na mesa do bar contando pros amigos como foi a noite anterior, como foi fazer a leitura de poesias em determinado lugar. Tipo assim:

“Tirei meus sapatos, calças e cuecas. Ajoelhei no chão de linóleo e fui deslizando lentamente sobre ela, até me esticar. Comecei a beijá-la. Logo fiquei duro; senti que a penetrava. Comecei a bombar... uma, duas, três...”

E também assim:

“Ele nos levou até lá. Fomos de carro até o centro do campus e estacionamos no gramado em frente ao auditório. Quinze minutos de atraso apenas. Saí do carro, vomitei, e entramos juntos. Tínhamos comprado meio litro de vodca no caminho pra me segurar durante a leitura. Li durante uns vinte minutos, daí larguei os poemas.
- Essa merda está me entendiando – eu disse. – Vamos conversar um pouco".   


Mais Bukowski, por favor. 

sábado, 22 de junho de 2013

Elena



Acabei de ver Elena. É lindo. A arte mexe, machuca e para quem se identifica da forma que Elena se identificava certamente daria em algo doentio.

O documentário conta a história da irmã da diretora, Petra Costa, Elena, que sonha em ser atriz e viaja para Nova Iorque para estudar e tentar tornar o sonho realidade. Por aqui ainda, ainda o período militar, o que tornava o sonho quase que impossível. Vinte anos depois, Petra viaja para encontrar a irmã e conta com pequenas pistas que a levam a um fato pouco feliz. Para Elena, se a arte não estivesse em sua vida, não valeria a pena viver. E essa desilusão com as coisas que não dão certo tornam seu caminho tortuoso, suicida.

Gostei muito do jeito que o filme foi feito, a narração deu um tom ainda mais sensível...  Petra, cumpriu bem com a “homenagem” à irmã e se mostrou muito talentosa ao dirigir seu primeiro longa.

A história tinha tudo para arrancar lágrimas, mas isso não ocorre. Concordo com a escritora Ivana Arruda Leite: “Hoje fui ver Elena preparada pra morrer de chorar. Acreditem, não tive nem o mais leve nó na garganta. Nem de longe. O filme é lindo. Um poema de imagens, palavras e cores. Mas é um filme doente sobre mulheres doentes. E a loucura não me emociona."

Vale sim a pena ver o filme que se difere bastante do que tem sido feito no cinema nacional recentemente. Se bem que "Insolação" está bem no topo. Bom mesmo.

Que Petra viva e muito para fazer mais obras de arte como “Elena”.

Corre lá no Espaço Unibanco (atual Miramar Cinemas) que logo deve sair de cartaz. Todos os dias, às 18 horas.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Ella na cozinha


Ninguém sabe da barreira que existe aqui dentro
Hoje, acabei com ela
Prometo ir ainda mais fundo
Assim que ele chegar na noite de primavera
Sem flores na mão
Apenas desejo no coração e vontades
Liberto das agonias e alegre como uma blusa azul
Não demora porque o tempo já foi cruel
Paciência. Tive que aprender 
Aprendi também a tecer memórias futuras 
Sem ter vivido na pele
Sem ter doído de fato
Falta pouco para escrever junto com você
Falta pouco para aquele café que me prometeu coar
Na cozinha cinza e cheia de vida
Vou escolher uma música, Ella, tudo bem? 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Perdas


Perdi o que se passou contigo, me perdi de você depois de uma conversa desconexa. Te perdi. Para o tempo e sobre o tempo. Me perdi em você. Que não se perdeu, não se desprendeu. Daquilo que não te agrada, mas que tem que ficar. Ficar como punição para adiar o amor. Não haverá fotografias, nem cartas para contar os planos. E que planos? Não dá certo. Mesmo se combina. Mesmo que se queira. Não dá certo. Não teve música. Nem despedida, porque ninguém consegue admitir que não dá para viver agora. Por que é tão difícil romper? Quem é capaz de esperar? Que a vida resolva por nós. Aqui, fracos, se conformando com os fracassos dos amores de verão.  

sábado, 1 de junho de 2013

Zen e a Arte da escrita... e a leitura no Iphone


Ler no Iphone. Está aí algo que eu nunca havia feito. Isso porque ainda tenho minhas reticências sobre o e-book e os leitores digitais. Pegar no livro é bom e melhor ainda é rabiscá-lo.

Há alguns dias o cronista da Folha Xico Sá escreveu em seu blog sobre o livro “Zen e a Arte da escrita”, de Ray Bradbury. Foi imediato meu interesse em ler a obra e logo pesquisei pelo livro, e também aproveitei para compartilhar minha descoberta com meu amigo João que, assim como eu, desfruta do prazer (ou não) de escrever.

Eu e ele vivemos trocando figurinhas sobre o assunto. João é um cara mega tecnológico e, ao contrário de mim, já lê e defende e-books e leitores digitais. Ele me “humilha” por eu rabiscar os livros, acha isso um disparate. Além disso, ele diz que os leitores digitais também oferecem ferramentas para marcar os trechos, etc. Eu ainda prefiro sair andando com o livro na mão...

Hoje, porém, fiz o teste com a ajuda de meu amigo, que havia me mandado o arquivo de “Zen e a Arte da escrita”, que eu abri no Iphone através do Ibooks. É prático e realmente tem as ferramentas de marcação e tal. Mas dá uma agonia ver aquela telinha... e você virando as páginas a cada 10 segundos...
Mas o danado deixa tudo bonitinho e ainda te dá opções para mudar a cor da página, alterar tamanho de fonte, etc.






Certamente eu logo irei encomendar o livro na Saraiva, mas a experiência de pelo menos saber como funciona sempre é válida.

Agora o mais interessante são as dicas de Ray Bradbury que, resumidamente são: escreva sem saber aonde vai parar, faça listas de substantivos...

Ainda não cheguei ao fim da leitura, mas o apoio de Ray é muito animador. Ainda mais para mim que ando com uma preguiça, boicotando todas as minhas ideias.



Ah, nesse texto eu acho que usei a dica de Ray, pois saí escrevendo sem pensar. Desculpe se estiver faltado coerência