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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Vento no Litoral

Ilhabela, by me : )

O vento que soprou na Ilha me disse:

Tenha calma. Ele vem, na ponta do pé, beirando a madrugada. Fugindo sem anel. De braços abertos para o novo. 

domingo, 27 de outubro de 2013

Solidão em dó maior



O tempo ficou parado em quatro meses
Madrugadas sem fim e manhãs de sonolência 
A cama grudou em mim. Billie Holiday cantou pra mim 
Sonhei que passava uns dias na casa dele. Fingindo condolências 
Acordei em prantos. Aquela não era eu 
E a vida tinha que sorrir de alguma forma
Ela tinha que se virar para me jogar na estrada
Outra vez, assim daquele jeito que sempre foi 
Correndo e fazendo mil coisas no mesmo minuto 
Em dimensões diferentes e dando conta de ainda escrever no futuro 
Foram tantas as noites que grudei no seu pescoço como quem dizia:
Não quero que vá agora! Fique mais!
 E ele ria. Ele estava sempre precisando ir 
E eu ficava com os pensamentos em preto e branco 
Demora muito. Demora ainda mais para ser de verdade 
E quando acontece. Fica pouco 
E permanece nos rodeando porque a distância não é um fim

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Cat Power no seu tempo

Deve ter sido em 2004 quando vi o nome da Cat Power pela primeira vez. Eu participava de um fórum na internet e um dos tópicos servia para os integrantes postarem as músicas que estavam ouvindo naquele momento. E tinha sempre uma menina que ouvia Cat Power.

Cat, diva.
Ainda não tinha chegado minha hora. Tudo tem seu tempo, até para ouvir Cat Power, porque o som precisa ir ao encontro do seu estado emocional. Depois de muitos anos, cá estou eu, entregue. Me rendi. Na verdade, eu tenho até diminuído um pouco nas últimas três semanas. Porém, passei os três últimos meses só ouvindo Cat Power. 

Misto de dor, às vezes uma breve alegria, mais pela sensação de “nossa, como tenho bom gosto”, do que pela melodia em si. Porque Cat Power é doído. É solidão. É carro na estrada deserta com óculos escuros e cabelos ao vento. É acordar sem ter vontade e se obrigar a levantar da cama, porque é preciso ganhar dinheiro. E aí você coloca Cat Power e vai se machucando por dentro, deixa uma melancolia quase boa tomar conta do seu dia, enquanto você reza para as crises passarem logo. Crise dos quase 30, crise da balança, das afetividades. Cat Power dói, mas dói bonito.

Aquela introduçãozinha de “Good Woman” me sufocou por dias e dias, e eu via tudo cinza. Mas eu queria continuar com todas as melodias. Não podia mudar a canção. Depois, a alegria breve de "Free" me fazia sentir melhor, não sei por que, mas me fazia me sentir ainda mais jovem. Dava vontade de sair correndo pra viver. Mas aí,  "The Greatest" roubava tudo de mim. E lá estava eu, novamente entregue em minha nuvem preta.

Hoje a Cat está um pouco de lado. Mas lembro de tudo, até com carinho, confesso, mesmo daqueles dias sombrios em que ela cantava pra mim.


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Separados pelo casamento?

Mais uma da Regina Navarro Lins:

"O tesão no casamento pode acabar por vários motivos: rotina, brigas e, principalmente pela falta de mistério, quando se sabe tudo sobre o outro".


E essa, heim?! :(


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Nota sobre o amor romântico


Olha só o que a psicanalista Regina Navarro Lins disse:

“O amor romântico é regido pela impossibilidade. Quanto mais difícil, mais apaixonada a pessoa fica pelo outro”.


Será?!?

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Poema de nós dois


Sempre que me vem uma inspiração para escrever, envolve amores
Fico brava comigo. Não tem outro tema não, é?
Não é o amor na palavra, no sentido de amor de novela
É um amor embaraçoso. Amor que não dá certo
Mas aí, se não dá certo não é amor, né?
Então, penso que escrevo sobre teimosias
Sobre o escuro
Escrevo de lado olhando o horizonte em uma tela
Nunca me ocorrem as certezas
Se há conexões
Nem se termino os verbos
E muito menos se estão no tempo correto
O tempo é sempre às sextas-feiras
O cenário é uma rua pouco iluminada onde um carro foi abandonado
Tem paredes com plantas grudadas
E árvores que guardam segredos
Não dá para ver a lua
Só um canal escoando mágoas
E uma felicidade de três horas