Páginas

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Cat Power no seu tempo

Deve ter sido em 2004 quando vi o nome da Cat Power pela primeira vez. Eu participava de um fórum na internet e um dos tópicos servia para os integrantes postarem as músicas que estavam ouvindo naquele momento. E tinha sempre uma menina que ouvia Cat Power.

Cat, diva.
Ainda não tinha chegado minha hora. Tudo tem seu tempo, até para ouvir Cat Power, porque o som precisa ir ao encontro do seu estado emocional. Depois de muitos anos, cá estou eu, entregue. Me rendi. Na verdade, eu tenho até diminuído um pouco nas últimas três semanas. Porém, passei os três últimos meses só ouvindo Cat Power. 

Misto de dor, às vezes uma breve alegria, mais pela sensação de “nossa, como tenho bom gosto”, do que pela melodia em si. Porque Cat Power é doído. É solidão. É carro na estrada deserta com óculos escuros e cabelos ao vento. É acordar sem ter vontade e se obrigar a levantar da cama, porque é preciso ganhar dinheiro. E aí você coloca Cat Power e vai se machucando por dentro, deixa uma melancolia quase boa tomar conta do seu dia, enquanto você reza para as crises passarem logo. Crise dos quase 30, crise da balança, das afetividades. Cat Power dói, mas dói bonito.

Aquela introduçãozinha de “Good Woman” me sufocou por dias e dias, e eu via tudo cinza. Mas eu queria continuar com todas as melodias. Não podia mudar a canção. Depois, a alegria breve de "Free" me fazia sentir melhor, não sei por que, mas me fazia me sentir ainda mais jovem. Dava vontade de sair correndo pra viver. Mas aí,  "The Greatest" roubava tudo de mim. E lá estava eu, novamente entregue em minha nuvem preta.

Hoje a Cat está um pouco de lado. Mas lembro de tudo, até com carinho, confesso, mesmo daqueles dias sombrios em que ela cantava pra mim.


Nenhum comentário: