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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Sobre esperanças, ventos e merecimentos

Essa porta que está constantemente escancarada conta todos os meus anseios e segredos. Nem sempre foi assim, a realidade é que nunca foi. Só agora quando a gente se vê diante de alguém que vale muito a pena. A gente se despe e começa a contar tudo, a ser transparente sobre os sentimentos. Se cheguei atrasada, seria mesmo uma culpa, uma cruz espinhosa e pesada que devo continuar a carregar? Lamento, ainda não descobri uma resposta. Como em conversas sobre a mesa farta, eu digo diariamente tudo o que sinto vontade. Como geralmente tomo essa iniciativa de contar sinceridades, recebo de volta o “eu também”. E sim, precisa dizer. A gente ainda quer ouvir um afago de palavras. Eu não sei exatamente o que esse tipo de gente tem a esconder, o que teme, ou o que quer de mim. Uma coisa é certa, não quero machucar ninguém. Às vezes, quando paramos no silêncio, eu, pelo menos, tenho ainda muito a dizer. E outras coisas que adoraria ouvir. E você se esconde, e se esconde. Enquanto inúmeras vezes vou dormir sem respostas. Quando chegam as crises de consciência ou sobre o que eu estou fazendo da vida, ou esperando qualquer tipo de milagre... Quando você corre, praticamente foge sem ao menos se despedir, temeroso, eu penso: sou do tipo que também merece essa preocupação e cuidado. Sou mais normal do que possa imaginar e gostaria sim de uma ventania enorme, capaz de tirar certas peças de lugar. Não sei como te mostrar quem sou de fato, talvez até já saiba, apesar de tudo e, cá, mesmo com tanto frio e bagunça, ainda tenho grandes esperanças que você tenha me notado, percebido minha essência. E que se as coisas no passado tivessem sido diferentes, certamente eu estaria reinando no seu trono, ganhando todo o seu zelo e atenção que de fato mereço e, claro, retribuindo tudo em dobro. 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Nós que não nos amamos mais

Queria que ele fosse embora, ela dizia enquanto a lágrima escorria. Mas ele ficava. Permaneceu nos últimos 20 anos. Estou cansada, estou casada. Ela completava. Só que a televisão continuava ligada. A vida ainda não deu respostas sobre o motivo deles ainda continuarem no mesmo lugar, sem se darem as mãos, apenas um bom dia frio durante as manhãs de domingo.  Quando ocorria uma briga mais séria, não bem uma briga, mas aquelas conversas prolongadas onde problemas e frases se repetem, assim como os sorrisos sem graça. Nessas conversas, várias ao longo dos anos, ele dizia que ia mudar. Ela acreditava e continuavam até o próximo bocejo. Tudo era de dar sono. Tinha vezes que se vestia um pouco melhor, quem sabe ele a notaria. Ela queria que ele a acompanhasse em festas com as amigas, todo mundo ia com os maridos, é claro, e ela não gostava de se sentir sozinha. Só que era assim há tanto tempo. Como ela ainda não reconhecia seu jeito alheio, morno, morto. Como quem se contenta com muito pouco, dizia que pelo menos ele não era de viver no bar. E voltava pra casa logo depois do trabalho. Sinto que não sou mais nada por aqui. Ela dizia quase sempre. Se ele não sair, eu saio. Ela parecia mais determinada desta vez. Os psicanalistas ainda discutem sobre o motivo de casais que permanecem juntos, mesmo distastes há tanto tempo. Mesmo sem conversar, sem afinidades, sem delírios, sem agrados. Como se um torturasse o outro, como se fossem castigos e cruzes pesadas. Nada poderia ser mais duro do que aguentar alguém que não se pode mais. Que não se consegue. As músicas terríveis que ela coloca para tocar deviam incomodá-lo, assim como essa mania ridícula que ele tinha de limpar ferramentas e comprar ferramentas que nunca iria usar. Ela desperdiça comida, ele reclama. Ela não tem senso de solidariedade. Ele nunca a cativa, ela nunca o elogia. Fica como um vidro embaçado, onde estaria wally no meio daquilo tudo. Onde foi parar a tal da reciprocidade? Se nem ao menos conseguem rir um do outro, como vão sustentar suas rugas da velhice? Não há desculpas, não há falta de grana que supere essa falta de respeito por si próprio. Há os que colocam as culpas nos filhos. Bobagem. Sempre é bobagem. Não se deveria nem discutir motivos. Mas sim repensar numa vida, duas vidas infelizes jamais se tornarão únicas. E completas. Ela costura uma calça jeans. Ele chega e coloca a mochila atrás do sofá. Ela suspira de nervoso. Mais um Natal se aproxima. Mais uma vez que não se terminam.  


sábado, 6 de dezembro de 2014

Nesses desencontros
Ficamos enrolados
Há que se desatar esses nós
Mas primeiro é você que precisa se perder por inteiro 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Não há como não se arrebatar. Ele me lê, me curte e me beija.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Cat e a dor que nunca termina

Ela entrou timidamente no palco, quase que de mansinho. Segurava sua guitarra com delicadeza. Um piano à sua disposição e durante uma hora e meia se dividiu entre os dois instrumentos. Cat Power estava atrapalhada. Parava no meio de canções, recomeçava e pedia desculpas. Foram muitos “I’m sorry’s”. 

Bateu a mão sem querer no microfone enquanto tocava o piano. Fez revelações... “tem um bebê aqui comigo”. “Cuide de quem te ama, e não apenas de quem você ama”. E não negou estar totalmente “pra baixo”. A good woman continua triste.

Será que Chan Marshall é uma dor que nunca termina? Seu poder é sua voz, os olhos pretos delineados dão o tom da vida de Cat, e seu coração de artista, que se esconde atrás do microfone. Até seu sorriso é tacanho. A delicadeza vem nas flores brancas jogadas ao público, sua marca.

No show de sexta, ela já havia se aborrecido com um alguém inoportuno que a havia xingado. Após alguns fuck you’s, deixou o palco. Abandonou o show depois de cantar Metal Heart, a música que eu tanto sonhava em ouvir.

Fiquei sem essa e sem outras tantas importantes, e que jamais deveriam ter sido deixadas de lado. Acompanhei apenas o show de sábado após ter trocado de ingresso. Observei que a confusão da cantora afetou o público. Caras de incompreensão, gente que parecia estar ali por bandas como The Lumineers e Metronomy. E quando elas se apresentaram, foi fácil notar a diferença, a energia depositada por cada uma delas. 

Cat fez uma apresentação intimista, quase confessional. Do tipo que não esconde agonias, e nem tem receio de dizer que ainda dói. Deixou o palco com olhos marejados, parecia que era até sua primeira vez cantando, tamanha era sua singeleza, quase uma timidez adolescente.

Porém, tudo tão verdadeiro que te arranca reflexões. Era visível que ela dava o seu melhor, que se esforçava. Sinceridade também em dizer que não é fácil permanecer sóbria, sem cigarros. Afinal, agora uma vida depende da sua.

Quando conversava, quase não se entendia porque ela falava baixo e um pouco longe do microfone.

Eu queria muito mais, mas ver a verdade de uma artista como Chan Marshall, e ouvir de perto aquela voz única e sincera, silencia qualquer lamuriazinha insignificante de fã mimado.          






quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Amiga da dieta e da academia. Só que não.

A apostila que a nutricionista te deu foi para embaixo da cama em menos de duas semanas. Duas nozes de lanche da tarde é a pura falta de sacanagem. Só pode ser pegadinha do malandro, me mata logo de fome, lazarenta!

Caminhar na praia com os amigos pode ser uma atividade muito prazerosa, desde que você não pare nos quiosques do CPE e peça um X Tudo e uma cerveja.

E por falar em comida... Uma prova de que a academia nunca será sua amiga é quando você sente cheiros enquanto treina, claro, sempre com aquela animação. As pessoas se apertam na salinha do abdominal, a janela aberta traz aquele aroma delicioso e você, quase que sem querer, comenta em voz alta: nossa, que cheiro de churrasco!

Apesar de você frequentar o local há um bom tempo, ainda não decorou o nome dos aparelhos e vive enchendo o saco do professor... esse triceps pulley é qual mesmo? E eu tenho que fazer de verdade essas cinco séries, você acha mesmo que é necessário tudo isso?

Geralmente às segundas-feiras são dias que estou sempre animada. Porém...

-Hoje você vai fazer 40 minutos na esteira, vai pro abdominal, depois volta e faz mais 30 de bicicleta.
No seu pensamento: nem fudendo, seu desgraçado, só porque tu tem essa barriga tanquinho não significa que eu também queira. Vou fugir antes.


Enquanto você faz o stiff, o carinha para do seu lado e parece esperar que você termine seu exercício. Você nota que parou bem embaixo daquele bagulhinho que fica pregado no teto. Você olha pra ele e diz:

- Você vai se pendurar aí?

Todos os meus amigos comentam que eu devia ser obesa porque só penso em comida. Eles estão certo, confesso. Comida é sempre recompensa. Se estou feliz, vou lá e me dou uma barra de chocolate. Se estou triste, faço o mesmo. Depois eu pego e preparo um chá de gengibre, ohww, delícia!

Se quer levar a dieta a sério, fuja da sua mãe: você vai comer só isso?!
Mas depois ela mesmo cobra: toma chá de segunda a quinta e sexta vai beber cerveja.

Não existe coisa pior do que voltar da academia e encontrar aquele filho da puta daquele vizinho marombeiro que não sai do carrinho de lanches que tem na esquina da sua casa.

E o pior ainda é quando você vai até o carrinho de lanche e o infeliz ainda comenta: Ué, olha a academia, heim... Desgraçado é que nem mato.

A parte da academia que eu mais gosto é a esteira, desde que o cara do lado não esteja suando que nem um bode véio e fique tudo respingando em você. #aff

Outra coisa: academia cheia me tira todo e qualquer bom humor. É batata, é só chegar novembro que a galera que viveu de big mac o ano inteiro, se ajoelha, olha pro céu e pede: faz um milagre em mim! Aí eles se matriculam com a quase certeza de que em janeiro estarão iguais a Gisele Bündchen.

O texto tá ficando grande, então, deixa eu correr antes que o brigadeiro queime.

domingo, 23 de novembro de 2014

Aquela bagunça de sempre

Agora sou daquelas que toma suco verde, substituí tudo pelos integrais e semana passada fui à feira comprar nozes e castanhas para o lanche da tarde. Passei a adotar pensamentos mais positivos e decidi acreditar em planos de fundos de gaveta. Alguns desejos bobos de fazer compras no supermercado de mãos dadas, com ele, ainda passam pela minha cabeça.

E noto aquela mudança brusca entre raivas repentinas com coisas do trabalho, com aquela linha tênue e sensível que coloca tudo no lugar, e faz me lembrar de que nada daquilo me pertence. E que tenho outras prioridades na vida, muito maiores do que coisas materiais. E fico tão grata por ter nascido assim, meio torta e alheia.

Ando contente porque ele sempre tenta me animar e diz que preciso me dedicar mais aos meus projetos. E penso de repente: não dizem que quem gosta, cuida?
Ainda acho graça porque tem dias que decido mudar todos os meus planos para os próximos três meses. Depois rabisco tudo, ligo o som, abro uma cerveja. Eu deveria ter mais juízo. Só isso. Depois esqueço tudo que prometi a mim mesma e vou levando... porque sei que posso mudar de opinião daqui a pouco.

Apesar de estar toda nessa onda do bem, e tentando levar uma vida mais saudável, como qualquer ser humano normal, caio em tentação, como besteiras, reproduzo um pensamento negativo... e abro uma cerveja. O que fode tudo. Mas tudo bem, a intenção não é  virar nenhum Gandhi nem aquelas pentelhas que ficam levando marmita fitness pro casamento. Ou ainda entrar na onda do whey protein.

Há coisas que me preocupam muito mais do que isso. Viver sonhos alheios, por exemplo. Entrar em uma frequência achando que o outro também está na mesma que a sua, mas não está. E você ainda não consegue ter certeza sobre o que o outro quer, deseja, ou pensa.

Você faz planos de um final de semana, mas o outro... Sei lá. Será que ele também planeja isso?
Isso tudo não são reclamações, não são tristezas, porque, ainda bem, Saturno passou e eu entrei nos eixos. Nem todos os momentos são perfeitos, todo mundo sabe. Sexta-feira eu fui feliz. Sábado, eu estava ainda feliz por sexta. E domingo estava normal... e é assim. Isso eu já aprendi.

O defeito maior é adiar planos, procrastinar. Ele já identificou isso e parece que anda puxando minha orelha. Acho engraçado e sei que ele está certo quando diz algumas coisas. Aí eu encosto a cabeça no ombro dele e só fico pedindo para que aquele momento dure mais. Enquanto todos os outros problemas e neuras permanecem guardados.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Eu quero umas noites

Que tal transformar aquele poema, Ella, em realidade?
Pela manhã, você faz o café, o cheiro me inebria e deixa tudo mais feliz
Penso que eu poderia cozinhar
Só que temo pelo resultado
Quem sabe não seja melhor que fique com você?
Também essa tarefa artística 
Eu posso servir uma bebida
Olhar o molho que ferve no fogão
Tem Billie no rádio
Descalços na cozinha
O que tenho pra te oferecer é quase nada
Só sinceridades

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Sufoco


E eu ouvi dizer que a coisa ali tá preta
Gente cortando palavras e deixando tudo na incoerência da razão
Tá faltando noção, verbo e poesia
Tem ego estragando a arte
Corações em conflito e um eterno pedido de fuga
Naquela quarta ensandecida
Eu quase abdiquei daquele nada
Imaginei corredores vazios
E eu em uma corrida de minutos, horas
O tempo me sufoca
Segue me matando nas oito horas diárias
A coragem. Ela há de chegar

domingo, 19 de outubro de 2014

No turbilhão de ideias, nas planilhas, anotações sobre os próximos passos, na lista de entrevistados e transcrições... Bem no meio das minhas inúmeras tarefas, eu te vejo. É a pausa, o suspiro leve que me arranca um sorriso bobo. Abro a janela para deixar entrar o cheiro da chuva, tão bem vinda.
Ontem, aflição, nervosismo, ansiedade. Hoje, calmaria, brisa, esperança. O mundo tem que ficar em cores, porque somos muito mais do que gente que vomita regras. E eu suspiro aliviada por estar a quilômetros de distância disso tudo.
Continuo curiosa, firme. E confiando... em ti. Em mim.

Please, aperte o play :)



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Sou apaixonada por blogs e internet porque são os espaços mais democráticos onde qualquer pessoa pode expor suas ideias e, na maioria das vezes, soltando coisas lindas, poéticas e geniais.

A de hoje é: “A lubrificação vaginal é o que torna a penetração agradável e é uma forma da moça dizer que está feliz em te ver”.


Olha como isso ficou lindo, gente. 
Aproveita pra ler o texto na íntegra. Aqui.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Anoiteci você

Eu só queria grudar meu cheiro na sua pele
Deixar marcas de unhas nas suas costas
Mordidas
Peguei mais um aviso do Manuel
Deixe seu corpo se entender com o meu
Não fuja e seja honesto contigo
Inventei noites
Lancei notas sobre o teu guardanapo
Quando te ouvia de longe
Te mergulhei em copos de vinho
E novamente eu roubo o eterno poeta
O que não tenho e desejo
É o que melhor me enriquece

sábado, 11 de outubro de 2014

Amanheci você

Papel amassado no fundo do peito
Vida que se desenrola
Envia algumas coragens para a moça do canto esquerdo
Acordou desafiadora
Fez uma troca instantânea
Quando você tem um encontro sexy
Acorda mais iluminada no dia seguinte

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Duas mochilas

Eu tenho mapas guardados, enrolados e rabiscados
Ele calcula rotas e verifica os horários dos trens
Seremos invadidos pelo frio, menos de 10 graus
Mas depois vem uma road trip pelo deserto
Planejo diariamente novos destinos
Porque sei, e ele também sabe que essa é a única saída
De sermos livres para criar novos modelos
Antes disso tudo, passei vários dias por sua janela
Deixei cair respiros. Eu queria que ele acordasse logo
Eu avisei: veja antes aquele poema do Manuel
E ele, obediente, foi lá e fez
Diariamente ele me oferece uma nova perspectiva
E todo anoitecer eu durmo sorrindo
Parafraseio o Eddie: Já te disse que eu preciso de você?
Oh, se eu não disse eu sou uma boba, sabe?


domingo, 5 de outubro de 2014

Somos todos interrompidos

Certa vez, numa conversa, alguém levanta o suposto desejo de se refugiar em qualquer lugar que seja, e dar as costas a esse mundo e sociedade doentes. Acho que o tema surgiu quando falávamos sobre o personagem Hugo, de Lost, que escolhe ir para um hospício mesmo estando bem.

Naquele momento, a vida se tornaria mais fácil para Hugo se ele não precisasse conviver com os outros. Enfrentar problemas existenciais e aceitar que um pouco de loucura é melhor do que as dores que qualquer ser humano “normal” enfrenta.

Não saber qual caminho seguir, sentir que a vida ainda não deu liga, que parece te passar pra trás fazendo você ser obrigado a recomeçar com frequência. Tudo isso gera uma crise quase que infinita.
Hoje, tardiamente, assisti a "Garota, Interrompida", filme de 1999, dirigido por James Mangold e com um elenco de peso: Winona Ryder, Angelina Jolie, Brittany Murphy, Elisabeth Moss e Jared Leto.



Winona Ryder é Susanna Kaysen que, após uma sessão com um psicanalista que nunca havia visto antes, é diagnosticada com Transtorno Borderline. O médico a envia para um hospital psiquiátrico e lá, ela passa a conviver com outras garotas com comportamentos mais complicados que o dela.
Mesmo quando um ex-namorado, Jared Leto, a visita e convida para fugir, ela não quer. Diz que não poderia deixar suas amigas.

Como ocorre com a personagem, muitas vezes nossos planos são pequenos aos olhos dos demais. O que você quer, qual é o seu plano? Escrever. Susanna só pretende escrever.

Sem saber nosso diagnóstico, quase que diariamente também nos internamos em um mundo particular, torcendo para que quando sairmos dali tudo esteja resolvido. Entre pequenas doses de ansiolíticos e florais, o desejo para que essas gotas aliviem nosso desespero. Somos interrompidos com uma frequência exaustiva. Pelas dúvidas, pelo medo, pela dor, pela rejeição, pela falta de planos grandiosos. Por ter que recomeçar e essa eterna sensação de que a vida dá uma rasteira quando tudo parece calmo, ou quando se está próximo de alguma vitória. 

Aí a gente vem e se dá alta. Sai do casulo para se interromper outra vez, quem sabe até no dia seguinte, depois de uma tempestade sufocante.    





sábado, 4 de outubro de 2014

É sempre o Manuel que me conforta

Roubando versos de Manuel nesta manhã cheia de dúvidas.

"Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir
Hei de aprender com ele
A partir de uma vez
Sem medo
Sem remorsos
Sem saudade"


Do poema Lua Nova, Manuel Bandeira 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Futuro da zueira

Uma boa maneira de aferir o grau de responsabilidade entre dois seres distintos é se atentar a seus planos e metas. Enquanto um dedica boa parte do dia aos estudos para passar em um concurso público, o outro esquematiza a criação de um blog.
Ok, vamos tentar valorizar a ideia do humilde blogueiro e defendê-la, pois, acredite, a jornada em busca de informações e estudo pode ser parecida com a de quem se dedica para conseguir uma vaga no Estado. Quem quer entrar de verdade, de cabeça e ainda monetizar um blog, vê-lo com uma futura profissão, há que se familiarizar com termos esquisitóides como, nicho, elevator pitch, tag, wordpress, layout, plug-ins, adsense, adwords, broken link checker, hootsuite, dashboard, SEO, gadget, feed, snippet,... 
E pode ficar de queixo caído, ainda tem muito mais. Tá pensando o que? Blogar é fácil, blogar como eu blogo, sem compromisso algum e sem nenhum tipo de divulgação. Agora ter um blog de sucesso e rentável, minha fia, como diz Criolo: SÓ POR DEUS.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Vendi meu fígado, mas já comprei o ingresso para ver a Cat...
Talvez eu chore. Mas vai estar escuro, logo, tudo se resolve e se acalma. A única coisa que ainda não está em paz são minhas neuras. Ainda falta um pouco de realidade nos homens. Eles exigem algo que nem eles dão conta. Algo que eles também não são e que estão longe, fora do patamar daquilo que eles desejam. Aí, eu broxo. 
A vida tem que ser mais alguma coisa além dessa poluição visual plastificada. 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Viajar e não visitar pontos turísticos também é ótimo. Ficar sem programação, não ter um roteiro e simplesmente fazer o que der na telha. Sentar em um café qualquer e passar quase uma tarde inteira conversando sobre os mais diversos assuntos. Rir, discutir, dizer “sim” com um sorriso, e “não” com um gesto de cabeça. Levantar e ir para outro lugar. Caminhar sem pressa. Estava precisando de um feriado assim, e voltar a Curitiba foi um ganho enorme.

Não sei como cada um entra em contato consigo mesmo mas, eu, me conecto quando passeio por aí. Seja sozinha ou acompanhada, visitar um lugar é voltar inspirado, cheio de ideias e vontades. É ver a vida um pouco melhor. Renovar algumas velhas esperanças.

Eu não visitei museus, nem fui a monumentos. Mas aprendi um monte de coisas novas com pessoas. O melhor de uma viagem, de qualquer viagem, longa ou curta, não importa o destino, são as pessoas que se encontra pelo caminho. Em Paris, por exemplo, encontrei um cara da Síria que havia saído do seu país por conta da guerra. Ele estava feliz com a nova vida. Em Roma, um cara de Cabo Verde me deu de presente a miniatura de um elefante. No hostel, uma mulher da Sibéria... Eu ganhei tantos sorrisos.

Neste feriado eu ganhei várias outras coisas também. Relembrei músicas enquanto aguardava os amigos. Era Beatles que tocava na casa momentos antes de sairmos para um bar. Eu voltei no tempo e meus olhos se encheram de lágrimas. Apenas uma emoção boba e momentânea.

Ganhei uma pequena listinha de outras músicas que eu precisava ouvir, de filmes bons para ver, de acordo com um monte de gente legal e que tem um tantão a ver comigo. Os gostos, os olhares sobre o mundo, a sensibilidade de poder chorar por qualquer coisa, os autores, os filmes, coisas sobre o jornalismo literário...

Fiquei pensando nas afinidades. É preciso dela para que as relações se tornem mais confortáveis. É preciso se juntar a quem também queira se transformar.   



Calculando rotas


terça-feira, 9 de setembro de 2014

Sinceridades de Julio Damasio:


"Casamento duradouro até a morte; eu no sul, você no norte!" JDamasio 

#sensacional

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Essa semana eu fugi da oficina de crônicas. Não que eu me orgulhe disso, mas eu ando desviando de coisas que me torturam. De coisas que me deixam com a sensação de desperdício de tempo. Logo na primeira aula eu notei: não vai rolar. Não que eu não precise de uma oficina, ou de qualquer outra atividade onde eu possa me aprimorar. Preciso e muito. Mas preciso mais ainda é de vergonha na cara. Deixar as séries de lado, os bares, os filmes, as ideias de jerico e sentar a bunda pra escrever. Fui uma péssima aluna e nem me recordo o nome da professora. Ela não me empolgou, confesso. “Escrever bem é escrever mais”. Só isso que meu cérebro confuso registrou. Uma coisa ajudou, a tirar as teias de aranha desse blog. O tempo está correndo tão depressa. Começo, agora, a organizar a casinha. Que tal começar pela estante?



sábado, 30 de agosto de 2014

Rejeição

Foi o cabelo, só pode. Deveria ter tingido, cortado as pontas e feito um degradê. A gordurinha localizada. Os abdominais que sabotei durante o treino. As bolachas com Nutella. Deveria ter mudado o look romântico. Abandonado a meia calça com saia. Deveria ter borrado mais o batom, vermelho. Trocado a cor do esmalte. Investido nas clínicas de estética. Limpeza de pele. Creme para as mãos. Já sei. Não deveria ter desistido do silicone. Deveria ter virado outra. Mulherzinha tom pastel. Sem perguntas. Só dizendo amém. Ouvido menos músicas melancólicas. Mudado a playlist do Deezer. Deveria ter diminuído o tempo de espera. Deveria ter olhado melhor nos olhos. Deveria ter dado aquela chance no meio do caminho. Rejeição se cura como? Não se cura. Vai para o baú das indesejadas. Mais um leque de mentiras e eu me demito do mundo. Deveria ter desconfiado das coisas mais bonitas. Deveria agora jogar fora os presentinhos miseráveis. E aproveitar a faxina para trocar o guarda roupa. Para renovar os sonhos. Sou lenta para as decepções. Sofro por temporadas. Deixei minha defesa falhar outra vez. E ainda chove muito no meu jardim.

terça-feira, 15 de julho de 2014

A gente se perde pelo caminho

Ontem eu recebi um email de uma editora com a negativa de um livro que já foi publicado há quase dois anos. Quando vi, nem acreditei. Porque na verdade eu tinha até esquecido que havia enviado o original da Firmina Dalva para avaliação naquela editora.

O email de contato é de maio de 2012. Mais de dois anos. Pude ver de perto aquela história que muitos escritores contam sobre a demora das editoras para dar uma resposta, muitas das vezes, negativa como a que recebi. Dizia que o livro era interessante, mas que não se encaixava no perfil editorial.

O livro em questão já foi publicado e lançado no dia 12 de outubro de 2012. Incrível. Eu escrevi meu primeiro e único livro infantil, até o momento, e ele já foi publicado. Talvez porque a sorte estivesse ao meu lado naquela época. Do livro, surgiram algumas visitas em escolas e bibliotecas, crianças me dando beijo e dizendo que gostaram da história.

Quase dois anos depois, tem dias que eu esqueço dessa conquista. Desse sonho realizado. Esqueço dentro das abas do cotidiano, quando exerço minhas obrigações e adio minhas vontades. Quando penso em escrever e já desisto porque tem o quarto para arrumar, uma vida inteira para organizar. Finjo que escrever não é mais importante para mim, porque tenho que ganhar dinheiro ao invés de planejar tantas histórias que rondam minha cabeça. É como se um lado obscuro da mente me dissesse: não perca tempo com bobagens.

Assim que fechei o email me senti mal-agradecida por não estar até hoje comemorando a publicação. Lamentei por não ter escrito tantas outras que, quem sabe, dariam outros livros. Fiquei pensando na minha memória fraca, na minha ansiedade e inquietude de pular para a próxima etapa sem ao menos viver um pouco o período presente. O livro, que também era um projeto cultural, terminou e eu fiquei pelo caminho... Quase parada por pensar e não fazer.

O livro é lindo. A ilustradora, que hoje virou amiga, cuidou de cada cena com tanta delicadeza, transmitindo tudo o que eu imaginava. Eu gostei de verdade do que fizemos, mesmo sendo suspeita. Só não gostei por não ter prolongado minha comemoração.  

Não sei como vai ser por agora. Não sei se vai sair outra história, muito menos se irei publicar. Só que eu quero me acalmar, mesmo tardiamente, e ficar naquela marola. Respirar calmamente e enxergar. Notar, perceber e se entregar nas coisas que realmente fazem sentido. O que vale a pena para nós, nos traduz. 
E eu tenho que tirar o pé do freio para viver cada uma delas. 



sexta-feira, 11 de julho de 2014

Alabama Shakes - Hold On

Eu só tenho uma coisa a dizer para meus caros três leitores (agora deve ter diminuído), vocês precisam ouvir minha nova descoberta: Alabama Shakes.


Porque a música não para, minha gente! Beijos no coração. 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Noite floral

Foi Bach que me acolheu hoje e me fez sorrir de leve
Eu errei e errei muito
Agora conserto oferecendo bondades
E esquecendo as promessas de afagos
Prometo deixar em paz
Você que se perdeu de mim
Prometo rumar pra longe
E aproveitar o silêncio
Não posso mais negar
Eu amo o ócio
Surpresas
E dias com pensamentos livres 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Aquele arrependimento mortal por ter feito merda.
Porque disse que sentia saudade e não recebeu nada de volta.
Por ter chorado mais tarde, de raiva por você ser assim, uma boba.
Essa é umas das piores coisas dessa vidinha. Sentar e esperar. Porque vai passar.
Cada dia eu te odeio mais.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

10 rabiscos sobre a relação mal acabada


**

Tem dias que bate uma vontade de conversar com ele
Ligar, escrever, chamar
Ainda bem que eu sempre desisto
Desanimo porque todo aquele ardor já se foi  

**

Antes de dormir eu sento na cama e penso
E agora, pra onde vou sem toda aquela atenção?

**

Sábado à noite e aquele lugar lotado
Todo mundo dançando
Drinks e performances de gente perdida
É bom estar submergida ali também
Estou feliz
Até que um lembrete me diz
Onde será que ele está agora?

**

Felicidade me tomou hoje do nada
Vontade de andar de bicicleta
Vejo toda aquela gente na orla
É um dia alegre
Só por hoje, não preciso de ninguém

**

Hoje mais um dia sem notícias
Sem contato
Odeio a saudade

**                          
                                                                                                 
Tudo culpa das besteiras que escrevo aqui
Agora ele pensa que meus textos giram em torno dele
Tadinho... é tudo ficção

**

Cada dia é uma vontade
A de hoje é de tocar piano
Tomara que amanhã seja a de sambar na sua cara      

**

O cara que eu conheci no pet shop
Conversamos sobre nossos gatos
Temos afinidades
Mas eu já pedi desculpas a ele
Dessa vez não terá versos e prosas

**

O cara do bar da esquina, ele
Que bebia com a mão no bolso
Me trouxe coisas boas
Ganhei concurso literário por causa dele

**

É a minha teimosia
Não é paixão
É cisma

A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer

Esse texto foi compartilhado mais de 757 mil vezes no facebook e realmente merece ser lido.



RUTH MANUS

Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:

“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.

Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.

Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.

Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”

Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.

O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens,  homens e velhos homens.

O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?

Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.

Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.

Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro.  Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.

Mas, escuta, alguém  lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?

Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.

“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”

Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.

O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?

E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.

No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Eu adoro os dias cinzas, porque parecem que esperanças brotam dali. 
É fácil gostar de dias ensolarados 
Difícil é ver ternura nas tempestades 

sábado, 14 de junho de 2014

O que "Into the wild" deixa

Também quero sair por aí, como Christopher.
Eu fico o tempo todo pensando no meu próximo destino. Ainda mais agora com essa onda de se tornar um nômade digital e morar a cada dois meses em um lugar diferente. Sonho. Para alguns já é realidade. Enquanto a coragem deles não me acomete. Eu sigo planejando.
É que a coisa piora quando você lê histórias de “quem largou tudo para viajar o mundo”. Elas pipocam na minha timeline. Só pode ser perseguição. Aí sem querer você assiste a um filme também sobre isso, Into the wild.

Muitas das inquietudes daquele jovem são as mesmas que as minhas e de alguns amigos meus também. Talvez a “geração” anterior soubesse lidar melhor com as regras e não se sentissem tão aprisionados como nos sentimos atualmente. Cada dia é como se fosse mais um dia perdido, um dia em que eu não vivi por não ter feito exatamente aquilo que eu queria.
A culpa é do capitalismo? O personagem tem certeza disso. Além de saber exatamente sobre a vida que seus pais vivem e que tentam levá-lo para também.
Já na estrada, conversando com uma das pessoas que ele encontra pelo caminho, esse alguém pergunta:
- E seus pais?
- Estão vivendo suas mentiras.
A resposta é dura. E tudo que é verdade dói mesmo. 

O personagem existiu, de fato. Christopher McCandless, nasceu na Califórnia em 1968, na cidade de El Segundo. “Um viajante americano”, descreve em dos sites... Da sua vida, originou-se o livro, Into the Wild, escrito pelo jornalista Jon Krakauer e também o filme, dirigido por Sean Penn, em 2007.
Ah, a trilha sonora... Combina com tudo, deixando o filme ainda mais envolvente. É a busca do jovem que quer fazer algo a mais, valorizando as coisas mais banais da vida. Dando as costas para a família e para o dinheiro. É um tapa na cara.
“Você pensa que você tem que querer mais do que precisa. Até você ter isso tudo, você não estará livre”, Eddie Vedder enfatiza na trilha sonora.

Várias cenas e momentos preciosos, mas esse pequeno diálogo para mim foi um tremendo aprendizado:





quarta-feira, 11 de junho de 2014

Eu estava em paz quando você chegou
Volta e bagunça minha vida outra vez

terça-feira, 3 de junho de 2014

Poema sem lirismo

Agora que sei que me rodeia
Lê o que escrevo
Fico tímida
Contida nas palavras
Ao som da valsa de Amélie
Não queria mais
Escrever de ti e sobre ti
Queria embarcar em um voo qualquer
Sem volta

E te afogar no Mediterrâneo

      
Foto - Érika Freire

domingo, 1 de junho de 2014

Sobre dores e adeus

Ainda não sei qual a necessidade das tempestades. Aprender, superar, levantar. Palavras que não gosto e que muitas vezes tenho que usar. Raiva, dor, ressentimento, mágoa. Combinam melhor com minha insignificante literatura. Por que tem escrito tão pouco?, pergunta alguém. Porque não tenho muito mais o que dizer. Como não? Sempre há o que dizer. No momento só iriam sair tristezas, raiva. E isso eu não queria sentir. Então você precisa escrever. Sei que ela está certa, que tem razão no que diz. E eu tento me entregar assim que ela se vai. Sem taças de vinho. A dor é pura e está só. Não precisa de companhia para nascerem os primeiros cortes e o sangue é intenso. Como tanta dor cabe aqui? Lágrimas para limpar, encerrar e se conformar com a falha. Ou com as coisas que não estão em nosso poder. Talvez eu tenha errado com palavras e gestos. Mas erra muito mais quem engana e quem trata mal. Indiferença. Por que tanta indiferença? Nem há preocupação se estou bem e se vou ficar calma com meu coração. Não, não quer saber de nada dessas coisas que fazem machucar. Cada um que cuide de si. Que vire a esquina e não olhe mais para trás simplesmente porque o outro decidiu sair sem dizer um até logo. Você deveria saber, diria algum mago cheio de poderes e sabedorias. Eu consigo imaginá-lo sobre a minha cabeça apontando lições. E quem é que vive bloqueada nessa vida? Parada para não ser atingida, tocada. Coração blindado, seria isso? Dói mais o jeito do outro com a gente do que a impossibilidade da entrega. Total.  E o ódio? É de mim, não se preocupe. Por ter dito coisas e feito poemas para quem não merecia. A palavra é sagrada e as que eu usei se perderam. Foram em vão. Queria guardar bons momentos e frases sobre o tempo que foram usadas no auge da história. Só que a dor apagou tudo, ela me faz questionar se eram verdades aquelas belas frases. Ficção e realidade. Ou mentiras mesmo, descaradas de quem não sente dó do próximo. Não é possível, meu outro eu sugere: é claro que foi verdade. Os sentimentos, eles se entregam. Foram verdadeiros. E então, o que justificaria toda essa indiferença? Quem gosta tem o cuidado do artista que pinta. Toca a tela com delicadeza, escolhe as cores, os tons. Pinta aberrações quando necessário, sem perder a elegância e a destreza que a arte exige. Falta-me sabedoria, caro senhor mago. Eu não sei definir ainda os seres humanos. Nem sentimentos exaustos ou pouco claros. De gente que não se entrega nunca. Ou quando faz, recolhe a rede sem ressentimentos. O que eu sinto ou senti, não interessa mais. Se você vai ficar bem, também não é da minha conta. Isso, não sou eu que penso. Mas você sim. O que eu penso não cabe, por enquanto, por aqui.    


terça-feira, 27 de maio de 2014

Um pouco de Paris...

Tarantino que se cuide. Olha o talento da garota.

Acontece que eu percebi que o material que adquiri durante a viagem ia acabar se perdendo. As pastas do note somem, arquivos são deletados sem querer, pen drives que desaparecem. Aí eu decidi guardar algumas fotos no flickr e editar alguns videozinhos e "guardar" no you tube. Claro que não o material bruto, porque tem vários micos meus, quando, por exemplo, eu saio correndo ao ver a Shakespeare and Company e dizendo "Não acredito, não acredito".

Enquanto não decido o futuro do blog, aqui vai:

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Impulso



Hoje eu queria algumas coragens

Como deletar esse blog, por exemplo

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Duas soundtracks para a alma

Uso música pra tudo. Ultimamente, para ser mais criativa depois do almoço. Lá no trampo, sendo obrigada a escrever e cumprir horário. Dei adeus à vida de home office. É bom variar também, mas no início é difícil se adaptar às mudanças que a vida traz. Neste ano, várias e, ainda bem, a maioria, boas. 

Eu costumava desligar o som quando começava a escrever, porque ficava sempre prestando atenção somente na música e ainda queria cantar. Não tinha como conseguir escrever. Quando estava em Barcelona, minha amiga, também jornalista, era o oposto. Ela escrevia com música. Colocava um “Why does my heart feel so bad”, do Moby, naquela casa repleta de arte. No meu quarto, eu dormia com o Jimi Hendrix. Vinis, livros e quadros por todos os lados.
Jimi!!!!!!

Acho que acabei me acostumando com a música sempre ligada e eu escrevendo. Eu escrevi muito em Barcelona. O frio me inspira e também minha rotina por lá era completamente diferente, o que ajuda.
Agora, de volta, trouxe isso comigo. Ainda bem. Já não me atrapalha se o Brandon Boyd canta em meu ouvido, ou se James Hetfield dá uns gritinhos. 

Caros três leitores, se vocês também não dispensam uma musiquinha, eu tenho que pedir pra ouvirem duas trilhas sonoras. A primeira é a do filme querido "O Fabuloso Destino de Amèlie Polain". Músicas instrumentais lindíssimas! 

A outra, uma mistura repleta de coisas boas. De Smiths a Carla Bruni, a trilha de "500 Days of Summer", outro filme que eu amo. Já escrevi sobre ele aqui. Esse CD tem história na minha vida desde 2010. Sempre que ficava triste, colocava o fone no ouvido (o cd rolando), pegava a bicicleta e saia pelas ruas. Ou então, sentava lá na ponta da praia, perto dos pescadores, enquanto olhava o por do sol. Eu tinha companhia de gente igual a mim, que se isolava para colocar os pensamentos em ordem. 

Acontece que o CD é tão bom e misto que eu também ouvia quando estava alegre, enfim. Ouça. E veja o filme! 



segunda-feira, 28 de abril de 2014

Ausência

Fiquei parada por horas
Com música triste
Li alguns poemas, dos outros
Os que fiz pra ti, de nada serviram
Coloquei minha ausência ao lado da sua
E os dois solitários
Ainda estão e deverão ficar
Sentindo saudades como bobos
E morrerão enforcados pelo orgulho
E falta de coragem

terça-feira, 15 de abril de 2014

Procura-se personagem

Tem que saber sair de linha
Se jogar sem ter certeza se tem volta
Sem ter certeza de nada
Saber reconhecer sentimentos
E respeitá-los
Tem que viver seus desejos
E deixar transparecer uma ternura
Pode se embebedar
Só vou te observar
Depois escrevo tudo
Dessa vez, sem paixão
Apenas trabalho ficcional
Como o pintor que tem seu modelo
Nu é melhor
Que não mude de comportamento depois de seis meses
Que não tenha medo
Educação é importante
Que saiba fugir
E se perder por aí


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Trago seu amor de volta em três dias. Só que não

Desculpe por decepcioná-lo, mas eu não posso trazer seu amor de volta em três dias. Nem tirar seu nome do SPC, nem mandar sua sogra pra China só com passagem de ida, nem fazer com que sua esposa peça o divórcio... Estatísticas comprovam: os leitores do meu blog são macumbeiros.

E não falo dos caros três leitores fiéis que possuo. Falo da massa que invade esse blog diariamente, deixa o tráfego lento e quase que tira o danado do ar com tantos acessos, deixando o blog do Xico Sá no chinelo. Desculpa ae, cara.

Pra que poesia? Quem se importa com crônicas de viagem? E divagações aleatórias sobre filmes, livros e séries? Tudo isso é bobagem. O que realmente dá lucro, ou melhor, visitas, é uma macumbinha esperta.

Banho de sal grosso, cabeça de alho, pé de galinha, cidra cereser... tudo pra deixar Oxossi  feliz e o blogueiro contente. Estou mudando agora mesmo de tema, e quem sabe até de profissão. 

São seis anos de blog e um único texto que sustenta tudo isso: “Vou colocar teu nome no formigueiro”. Tem dias que o danado recebe cerca de 100 acessos, número esse que quase triplica em sextas-feiras 13, e também no aniversário do Tranca Rua. No total, já são quase 10 mil visualizações só desse texto ritualístico. Os pedidos de aconselhamento que chegam por email também são efusivos e constantes:

“Oi, bruxinha, isso funciona mesmo? Eu quero fazer...”

“Você atende pelo telefone? E por Skype é mais barato?”

“Eu posso fazer essa macumba em quintal que tem formigueiro? Me responde, por favor!”

Fico muito feliz com tamanho prestígio e, por favor, continuem acessando e preparando seus despachos.

O famoso texto, como quase tudo por aqui, não passa de uma crônica, uma narrativa quase real da vida loca que me cerca. Sou prestigiada por ter acesso a histórias meio doidas, e por morar perto de pessoas insanas. Isso contribui para quem gosta de escrever umas coisas.

Tem dias que acordo com batidas na janela. É alguém que vem me procurar para contar uma história. Tem gente que evita, já sabendo o que isso pode acontecer. Um tio quase me processou por colocar suas intimidades na rede. Eu não ligo, é o preço do sucesso.

Prometo voltar em breve com mais rituais. E quem souber de algum porreta pra desfazer um ebó, favor compartilhar. A blogueira agradece.

Até a próxima, pessoal. 


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Preâmbulo

O começo das coisas
Belas e puras
Esperança como segundas-feiras
Onde se vive com o pé no novo
Início
Páginas em branco
Chuva levando mágoas
Limpeza
E músicas que dizem verdades

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Convite pra viver sem medo

Pra que aliança? 
Pode ser de supetão pelas esquinas
Escuras
Quase um vento
E os cabelos grudando no braço. Dele
Pode ser de vez em quando
Desde que seja sincero
Esse sentimento sem nome
Nada de paixão muito menos amor
Não vamos classificar
Pode bilhetinhos eletrônicos. Pode
Pra comentar o ontem
E planejar uma viagem
Não pode sumir. Ficar sem dizer olá
Tem que ouvir música para recordar
No meio do poema inacabado, me pergunto
Para que servem palavras?
É possível recuperar encantos?
Ser livre por algumas horas?
Viver o desejo
Voltar naquele Outono
De sonhos reais
Onde vivíamos sem receios
Onde éramos de verdade



Cupido

Um curta pra quem é um eterno apaixonado... : )








quinta-feira, 27 de março de 2014

God, save the Primark

Eu não andava muito animada em Londres, só chovia, chovia e chovia e eu sempre com os pés molhados, um saco. Fora que não estava tendo a mesma sorte que tive em Paris onde eu apenas seguia caminhando pela cidade e os pontos turísticos iam brotando à minha frente. Antes de chegar em Londres, havia combinado de encontrar uma amiga que estava morando na cidade, e marcamos para nos encontrarmos no domingo à tarde, depois do almoço.

Fazia um tempão que não encontrava a Ana Maria. A Ana é tipo assim: um dia ela está em Santos, dois meses depois ela me conta que está morando na Turquia (não é ironia, ela morou mesmo). Depois, ela volta pro Brasil e decide novamente conhecer o Egito. Ela também já morou em Chicago. Ela não para! E em Londres foi a mesma coisa. Tinha ido para passar duas semanas e decidiu ficar. Sorte minha, pois pude encontrá-la.


A tarde de domingo continuava chuvosa dificultando toda e qualquer intenção de se visitar pontos turísticos. Daí a Aninha me contou sobre um lugar muito mágico que ficava na Oxford Street, seu nome era Primark.

- Érika, tá vendo esse cachecol, quanto você acha que eu paguei?

Como ele era lindo demais e muito, mas muito grosso e quentinho, chutei 10 pounds.

- 3 pounds, ela respondeu, dando risada.

Imediatamente respondi: quero ir prá lá agora!!!

E lá fomos nós.

É um paraíso, a Torra Torra elegante de Londres. A 25 de março com teto e paredes. Dois andares enormes, muito grandes mesmo e tudo é muito barato, sem exagero. Sapatos lindos por 7 pounds, camisetas por 5, 3 pounds. E tem de tudo o que você possa imaginar, desde um anel até um edredom fofinho. Bolsas com símbolos importantes de Londres, todas coloridas, uma mais fofa que a outra. Eu pirei total naquela tarde. Não sabia para onde olhar, pois eu queria ver tudo! Sabe aquele filme "Delírios de consumo de Becky Bloom? Então, eu era ela!
Becky Bloom enlouquecida!


E é claro que eu não era a única brasileira pirando. Eu vi famílias inteiras literalmente enlouquecidas colocando tudo dentro dos carrinhos. As cenas eram muito engraçadas. Foi a melhor coisa que eu encontrei e fiz em Londres.

Aliás, o que ficou marcado para mim na cidade foi a moda, o estilo das roupas que você vê por lá. Para quem quer voltar para o Brasil com algo bem exclusivo, vale a visita. Mas tem que ser no Primark para quem quer mesmo economizar. Comprar muita coisa gastando realmente bem pouco.  

Outro mercado muito famoso por lá é o de Camden Town. Cheguei lá numa segunda-feira muito cedo, muito mesmo. O pessoal ainda estava armando as barraquinhas, mas eu não quis nem saber. Já fui olhando as coisas e, gente, quem gosta de vestido como eu, tem que ir lá. Não resisti e comprei dois com uma comerciante japonesa muito bacana que me fez uma promoção. São simplesmente incríveis!!! Mas não achei tão baratos, não. É que tudo em vista do Primark fica caro.

God, save the queen. (Só que não!) 
God, save the Primark!!! 


PS: A ideia da minha viagem por Paris, Londres e Roma era fazer um mochilão, bem característico. Tanto que deixei a mala maior em Barcelona, e coloquei tudo o que iria precisar, dentro de uma mochila de 60 litros. Acontece que quando eu cheguei em Londres, no Primark, para ser mais exata, fui obrigada a comprar outra mala para colocar todas as bugigangas que havia adquirido até aquele momento. 
Adeus, mochilão. #traindoche


Apenas uma parte do que comprei nas Europa, e a malinha rosa de fundo, a que acabou com meu mochilão. 

Duas peças que eu amei no Primark. O vestido lindo paguei 5 pounds e o Oxford 10. 
Esse comprei em Camden Town. Eu sei que tenho bom gosto. 

domingo, 23 de março de 2014

Renúncia




Tem gente que se deixa aproximar
E te dá o mundo
Recita palavras-poemas
Te pega pela mão e sai madrugada afora
Te prende, deixando sem ar
Olha nos olhos e você acredita
Naquele potencial
De mãos e enlaços firmes
Quando o vento sopra
A lua muda
E tudo se vai
Ignora. Não responde. Te deixa
Abandono em escala crescente
Silêncio no caminho de volta


sábado, 22 de março de 2014

domingo, 16 de março de 2014

Doutor Dukan não tem vez em Roma

A dieta Dukan ficou mundialmente conhecida depois que a princesa Kate resolveu fazer o regime para ficar ainda mais fininha e aparecer com todo charme e elegância no dia do seu casamento. Quem inventou a Dukan, que basicamente se resume a comer proteínas e abolir os carboidratos foi o médico francês Pierry Dukan. Na França a dieta é um sucesso e não é à toa que em Paris eu encontrei produtos Dukan  em diversos  supermercados. 

No Brasil, já tem uma loja online e muitos grupos no facebook para quem faz a dieta e quer trocar experiências. A Dukan é ótima, eu já fiz e emagreci 6 quilos. A verdade é que eu ainda estava fazendo a dieta antes de viajar, pois queria emagrecer mais um pouquinho. 

E é claro que eu tive que parar durante a viagem porque que graça teria chegar em Barcelona e não comer Tapas? Chegar em Paris e não tomar café? Chegar em Londres e não comer Fish and fries? E chegar finalmente em Roma e não comer pizza e macarrão? O problema é que em Roma só tem pizza e macarrão. Na padaria tem pizza, na farmácia tem pizza, na barraquinha da rua tem pizza. Os complementos são todos à base de carboidratos. Frango e batata, peixe com batata e até macarrão com batata.

É muito carboidrato para uma cidade só. Pães, tudo é pão e as vitrines são muito exageradas. Não são bonitas como em Paris, onde cada prato é muito bem enfeitado e eles parecem até combinar as cores e composições. Em Roma você vê uma vitrine com um bolo todo enfeitado, ao lado de uma balança, e depois uma garrafa de cachaça. Caixinhas e vidros e pães, e pizzas e pasta. Não importa a ordem dos fatores, a exigência parece ser muita, mas muita comida, fartura mesmo.

-Moço, hoje eu queria tanto uma proteína...
-Prego, prego... Temos a La Carbonara, pizza Marguerita... prego.
-Pão francês com manteiga, e só isso, dá pra ser?
-Prego, pão com queijo e presunto e maionese e um pedaço de melancia no meio.

Comer em Roma é uma hipérbole. O café com leite em uma pasticceria perto do hostel era servido em um copo de dois litros. Pão com manteiga, nunca! Tem que ter um queijo. Desconfio que eles nem saibam o que é um simples pão na chapa com manteiga, hum!!!

Enfim, carboidrato é rei em Roma e, caro senhor Dukan, tu não tem vez na Itália, maledeto!