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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Londres - Cheguei, cadê aquilo tudo?


Eu não ia incluir Londres no meu mochilão. Minha primeira intenção era colocar Portugal. Mas meu amigo acabou me convencendo e eu também queria entender por que Londres era tão queridinha? Um ponto positivo na hora da decisão, confesso, foi no quesito moda. Precisava ver aquilo de perto e já tinha alguns mercados de rua que queria muito conhecer. Então, acabei deixando Portugal de lado e coloquei Londres.

Foi a única viagem que fiz de trem. Considerei que um dos trechos merecia isso, e, apesar de ter dormido boa parte do tempo, deu para ver umas paisagens belíssimas. Também foi o lugar onde planejei o menor número de dias, apenas três. Uma blasfêmia para os “It’s all London, baby”.

Antes mesmo de descer do trem, conheci dois brasileiros que vivem em Brasília e que já conheciam a cidade. Não deu outra: me orientaram sobre qual metrô eu deveria pegar e qual estação descer. Mas antes de entrar numa imensa fila para comprar o Oyster, que é o cartão de metrô da cidade -  caríssimo por sinal - precisava ir, por exigência do João, conhecer a plataforma 9 3/4, da estação King Cross St. Pancras. É que o local virou ponto turístico porque no livro do Harry Porter, de J.K. Rowlig, aparece como sendo o ponto de partida do Expresso de Hogwarts, onde apenas bruxos podem embarcar.  

Não sou fã de Harry Porter por pura falta de tempo. É que ainda não consegui ver nenhum filme da série, mas pelo que me contam os amigos que adoram, eu certamente iria gostar também. Passar na plataforma 9 3/4 é algo obrigatório para quem chega em Londres e, principalmente, para quem curte Harry Porter. Tudo para tirar uma foto carregando o carrinho de malas, e com um imenso cachecol. A ação é orientada por uma funcionária que faz o mínimo para você se sentir um pouco perto do bruxinho.

Como cheguei numa tarde de sábado, a fila estava enorme e é claro que eu não a enfrentaria. Fiquei pensando se fosse algo sobre Lost, aí sim consegui me colocar no lugar daquelas pessoas. As alegrias bobas e pequenas, aparentemente são as mais divertidas.

Quando saí da estação, e atravessei a rua para pegar o metrô que me levaria até o hostel, já começava a escurecer... o que seria aquilo, pensei, já que meu relógio, ainda com o fuso de Paris, marcava quase 4 da tarde... Só que no fuso de Londres seriam 3? Já não sei mais, é muita coisa pra mim!

Putz, lembrei... é quase noite porque em Londres, quando Inverno, escurece às 4 da tarde. 4 da tarde!!! Odiei isso. Já fiquei irritada. Desci do metrô e segui caminho para o hostel e tentava observar onde estaria a Londres dos amantes, a queridinha London, a Picadilly Circus dos Rollings Stones, a rua dos Beatles (Abbey Road)... Por essas coisitas a cidade já tinha minha admiração. Mas eu não via a Londres que os outros enxergavam. Achei a cidade bonitinha. Os nomes das ruas e bairros são legais. Lol. (João vai me atacar uma pedra neste momento).  

Gostei muito, muito mesmo da London Bridge e do Hyde Park, mas fiquei chateada demais porque eu só vi dois esquilos. Estava uma chuva terrível e certamente isso atrapalhou as travessuras desses pequenininhos tão fofos que eu adoro.


Talvez eu volte a Londres, talvez.   


London Bridge


Regents Park

London Eye


National Gallery

Big Ben


Visitando a rainha. Palácio de Buckingham.
Hyde Park



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Poema musical

Canções são teimosias
Uma entrega total
Humilhação sem vergonha alguma
Declarações não pensadas
Sofrimento puro e demasiado
Rompimentos aleatórios
Raivas jogadas no papel
Embelezadas por notas
Tudo para chamar a atenção
“Que é pra ver se você volta. Que é pra ver se você vem. Que é pra ver se você olha pra mim”.
Mentiras sinceras não me interessam. O poeta errou mais uma vez
É a verdade do momento. Que pode ser carinho, amor e ódio. Oras, somente ódio. Que logo passa
“Não me procure mais, assim vai ser melhor, meu bem”.
É o cérebro tentando enganar o coração
“É só isso, não tem mais jeito, acabou, boa sorte”
Quem dera assim fosse, rápido, tranquilo
Tenho muito o que dizer
Mas o que sinto não mudará em nada a sua atitude
Fico com as canções
E letras que dizem por mim

E o rio Sena inspirou...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Contrapontos e visões psicóticas na Gare du Nord


Deixei Barcelona rumo a Paris numa terça-feira, 21 de janeiro. Não poderia negar que estava um pouquinho assustada. Primeiro porque agora eu seguiria sozinha na viagem. Só iria encontrar minha amiga novamente em Roma, no dia 28. Em Paris e Londres eu estaria “sozinha”. Meu segundo receio era a “falta de paciência” dos franceses e ingleses, isso de ter ouvido dizer e lido em blogs de viagem. Na sala de embarque, ainda em Barcelona, sem querer encontrei uma francesa e fui lá confirmar uma informação. Ela foi um doce e logo começou a conversar comigo, em inglês, já que meu francês é 0. Ela começou a me contar o quanto estava chateada com os espanhóis.

- Aqui as pessoas não sorriem pra você. Você pede uma informação e eles são meio grosseiros.
Juro, eu não tinha presenciado nada daquilo. Todo mundo sorria pra mim. Eu pedia informação e eles me ajudavam, me ensinavam pelo mapa, um mexicano até segurou a porta do metrô para eu entrar. E depois se desculpou porque não sabia me informar o que eu tinha lhe perguntado. Enfim. Barcelona havia me recebido muito bem.

Aproveitei o tema e perguntei como era na França, Paris, precisamente.
- Lá eles dão informações sem nenhum problema.
- E eu posso perguntar as coisas em inglês? Ouvi dizer que eles não gostam muito, já que são apaixonados pelo idioma francês.
- Sim sim, não tem problema, eles respondem em inglês.

Aquilo me deixou mais calma. Conseguimos conversar bastante, ainda, e depois nos despedimos.
Sei que parece meio clichê eu dizer isso, mas quando desci no aeroporto Charles de Gaulle eu não estava acreditando. Havia entrado em outra dimensão. Estava tão acostumava a ver a cidade pelos filmes. Meia noite em Paris, do Woody Allen... tão divertido e agora ele fazia muito mais sentido. O casal de Antes de Por do Sol, bem à frente da Shakespare and Company. O extraordinário Ratatouille, o ratinho cozinheiro mais fofo de Paris. Enfim, a cidade já inspirou muita gente e agora eu sentia tudo aquilo de perto.
Assim que avistei o balcão de informações turísticas, me aproximei e a recepcionista disse:

- Bonjour, madame.
Eu estava em Paris!!!
Uma hora eu era madame, outras, mademoselle. Tão lindo! S’il vous plait. Pardon, Merci... ( Agora quero estudar francês :) )

Foi a cidade mais eficiente na hora de receber alguém e dar uma informação precisa. Eles imprimem o mapa do local onde você precisa chegar, no caso o hotel, e explicam as maneiras que você pode escolher. Peguei um trem rumo à Gare du Nord e lá eu teria que pegar um metrô para descer em Boucicaut. Meu hotel estaria ali.

Pelo trem, as primeiras cenas da cidade já me impressionaram. Um cenário meio escurecido pelo clima com pequenos castelinhos. Tudo era um filme. Só que quando cheguei à Gare du Nord eu quase tive um surto psicótico. Aquilo era uma bagunça. Não sabia para onde ir e acho que recebi uma cantada de um francês com cara de folgado. Ainda bem que não entendo patavinas do idioma, senão reforçaria meu pequeno mau humor.

Queria tentar resolver as coisas por mim mesma e andei um pouco aleatoriamente. A sensação que tive era de que eu nunca mais iria sair daquela Gare du Norde, um nome lindo e uma experiência terrível. Comecei a ter visões e me imaginei como no filme O Terminal. Sim, eu ia ficar os quatro dias presa naquela estação bagunçada, esqueça a Torre Eiffel, nada de Shakespare and Company, não vai ter café no Des 2 Moulins, você não vai subir os 387 degraus da Notre-Dame, não vai passar uma tarde apreciando o rio Sena, nada de artistas em Montmartre... Tudo aquilo parecia impossível. Como eu iria chegar aos monumentos, sendo que nem um metrô eu conseguia pegar? E também não iria chegar ao hotel. Adeus Paris, o sonho acabou.
Cansei e perguntei para o único homem que estava parado como se não houvesse o amanhã. O restante das pessoas corriam como se estivessem na Sé. É isso, a Gare du Nord é a nossa Sé.  

- Bonjour, please, i would like to arrives here. E mostrei o mapa para ele.

Ele explicou direitinho e eu segui na direção que ele mandou. Porém, eu teria que fazer a troca e lá, mais outro pequeno sufoco. Mas duas mulheres, acredito que mãe e filha, me ajudaram e disseram que eu não iria precisar mais trocar de metrô. Era só descer na Boucicaut.


Eu desci e finalmente eu subi aquelas escadas rumo ao paraíso e pude ver Paris, de perto. Eu saí exatamente na rua onde ficava o meu hotel. E a partir desse momento, tudo, tudo mesmo ficou fácil. Fiz o check in e corri, sim, eu ia ver a Torre Eiffel.     




387 degraus da Notre-Dame


Pont des Arts

Pedindo meu crepe com Nutella

Museu do Louvre

Montmartre


Des 2 Moulins, o café da Amèlie :)


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

30 dias


Já estou acostumada com o frio e não tenho mais problema em ficar sem café, sem as diversas doses diárias como era de costume. Sinto fome de outras coisas e estou com medo que não lembrem do meu rosto. E se eles me esquecerem? E se ele me esqueceu?

Ele já te esqueceu, querida, e faz tempo... Viver é doer. E as dores são lá e cá. E quem finge não sentir, sofre mais e eu acho é bem feito. Antes que eu me esqueça: uma vaia enorme para aqueles que pensam que já conquistaram e que não precisam fazer mais nada. Uma vaia maior ainda para quem se mostrou ser de um jeito no início e agora é outro, totalmente diferente. Um alguém que não aprovo mais. 

Trinta dias. Não preciso mais do barulho do ventilador para dormir e não subir na balança é uma libertação. Eu sei, era uma neura minha. Cada um que carregue sua cruz, não é mesmo? Cat Power continua caminhando comigo e dando todo o apoio quando preciso voltar para o meu eixo. Ontem eu sonhei que estava em um barco no meio do mar, perdida. Eu pedia ajuda para voltar para uma plataforma inicial. É a hora de regressar. O sonho queria me dizer isso.

Estou agradecida porque não me deslumbrei. Aprendi a usar mapas. Que orgulho de mim. Caminho sem rumo pela cidade e ganho alguns sorrisos. Eu releio coisas para não esquecer e faço as mesmas perguntas diárias para algumas pessoas que estão longe. Não sinto mais medo de me perder. Pelo contrário, me perder agora é meta.

Ainda não sei o que devo fazer quando chegar. Vou deixar que a vida se direcione da forma que ela achar melhor. Prometo obedecer.

Trinta dias. Reaprendi a beber vinho. O seco que antes descia com amargor e cara feia. Quando longe, a gente se permite e acaba aprendendo coisas. Deve ser isso. Dividir, respeitar, organizar, compreender. Tudo isso fica mais forte. Viver com as diferenças e jamais esquecer da gente. De onde vim e sei lá pra onde vou. Continuo com o desejo de viver aquela história bem simples. Será que continuarei rodando por aí sem ter isso?  

Você, que mora no meu destino precisa ser direto. Não temer se queres ficar por perto.
Ainda é fevereiro e parou de chover aqui dentro. Quero o claro a tranquilidade e o desequilíbrio ao mesmo tempo. Quero combinar coisas para assim que chegar. Quero que faça parte e não somente por 30 dias.

Tenho estado inspirada, mas continuo acreditando que tudo o que escrevo não serve pra nada. 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Moço, eu não ia fugir!


Barcelona, minha primeira parada, porém, uma conexão em Amsterdam. Na fila da imigração para ganhar o carimbinho no passaporte, encontrei uma brasileira que conseguia estar mais perdida do que eu. Assim que me ouviu falando português, se aproximou com muito entusiasmo: “Nossa, uma brasileira!”. Logo descobrimos que ambas estávamos indo para Barcelona, e que tínhamos que parar na mesma praça: Catalunha. Não deu outra. Juntamos as forças e saímos carregando malas, um tanto desajeitadas pelo aeroporto afora, e seguimos para pegar o voo para o destino (quase) final.

O problema é que, com a empolgação, assim que chegamos em Barcelona acabamos não passando no escritório da imigração. Eu até estava procurando, mas antes mesmo que encontrasse algo parecido, chegamos à porta de saída do aeroporto e não é que lá estava uma penca de policiais? Eles vieram em nossa direção e perguntaram de onde estávamos vindo.

Brasil.
Aha, encosta!

Depois de nos separar e fazer um monte de perguntas, um deles pediu para eu abrir minha mala e tirar algumas coisas, enquanto minha nova colega era levada para  o muro das lamentações.
Abri minha mala e depois de cair um disco voador, um martelo e uma bola de basquete, o policial desistiu de olhar e me deixou arrumando as coisas, dizendo apenas um OK antes de sair. Minha colega continuava sendo sabatinada no paredão da Catalunha. Como já estava liberada, achei melhor esperar do lado de fora. 

Depois de algum bom tempo, lá vem ela reclamando: “O problema é comigo, só pode ser”. É que ela já havia sido barrada para visitar os EUA e teve o visto negado. Tadinha. Não lembro mais o nome da menina... talvez Renata ou Mariana...

A policial que tinha lhe escolhido para “examinar” fez perguntas bastante pertinentes para um turista assalariado: “Quanto você pagou pela passagem? Por que que você não comprou de tal forma, teria saído mais barato”.

Oi? Na boa, o que ela tem a ver com isso?
Achei aquela abordagem da imigração muito esquisita, mesmo. Até porque, outros dois amigos que já tinham ido visitar a cidade comentaram que a polícia de lá era a mais sossegada, e que a de Londres sim, a mais chata e exigente. Fiquei sem entender, será que tínhamos cara de farsantes perigosas? Ou de mulheres bombas?   

Quando finalmente encontrei minha amiga que vive em Barcelona, depois de pegar o aerobus e metrô na praça Catalunha, contei a ela sobre o ocorrido com a querida imigração. “Eles acharam que vocês estavam tentando fugir”.

Oi?

Mas deu tudo certo e eu visitei Barcelona por quatro dias. Depois, parti para Paris... : ) 

Castelo de Montjuic

Parque Labirinto

Vista do Parque Turó de la Peira

Montjuic

Montjuic

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Guia do Mochileiro Perdido da Galáxia - Blog Escapada



"Enquanto este post é publicado, minha amiga Érika está na Europa, fazendo seu primeiro mochilão. Depois de me infernizar com infinitas perguntas, ela sugeriu que eu escrevesse um texto com dicas para quem vai se aventurar em terras desconhecidas pela primeira vez num esquema mais desencanado".


Sempre bom servir de inspiração... mesmo da forma mais irônica impossível do meu caro João. 
Leia tudo aqui


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Uma esticadinha na eurotrip. Mas e a saudade? : (

Nada de romântica, alegre, gelada, cinzenta, cidade luz, bonita ou um encanto. Prometo evitar obviedades nos próximos textos onde devo contar um pouco do que anda acontecendo por aqui, nas europa. Estaria eu de volta a Terras Tupiniquins nesta quarta-feira, 5 de fevereiro. Já estava preparada com minha fantasia de carnaval. Acontece que resolvi dar uma esticadinha e ficar em Barcelona até dia 13 de março.

Eu me arrependi de ter trocado minha passagem de volta por quê: estou morrendo de saudade dos meus gatos, sonho com eles quase todas as noites e já chorei sozinha enquanto pensava neles. Saudade da minha cama, da minha balança, da comida da minha mãe e, é claro que da família nem precisaria dizer. Saudade de comer espetinho na padoca e tomar uma cerveja com os amigos. De sair de chinelo na rua.

Eu não me arrependi por quê: em Barcelona tenho a companhia de uma grande amiga, onde posso chorar se der vontade, e rir em quase todos os momentos enquanto passeamos pela cidade. Estou livre do verão 40 graus que está fazendo no Brasil, o que sempre me irritou, de certa forma. Aqui, me inscrevi em um curso de Espanhol  (minha primeira aula foi hoje) e vou estudar praticamente 24 por dia, isso por conta de viver o idioma pelas ruas. Vou conhecer Barcelona com muito mais calma do que as outras cidades por onde já passei nesta eurotrip. Enfim, uma parte de mim está amando toda essa experiência. Outra parte, não vê a hora de chegar dia 13. Oremos.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Mas

Eu sinto, mas
Gosto, mas
Você sabe, mas
Eu quero, mas
Penso em você, mas
Tenho saudades, mas
Mas, preciso ir

Na boa, tem vezes que você me irrita, mas deixo isso com o tempo