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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

30 dias


Já estou acostumada com o frio e não tenho mais problema em ficar sem café, sem as diversas doses diárias como era de costume. Sinto fome de outras coisas e estou com medo que não lembrem do meu rosto. E se eles me esquecerem? E se ele me esqueceu?

Ele já te esqueceu, querida, e faz tempo... Viver é doer. E as dores são lá e cá. E quem finge não sentir, sofre mais e eu acho é bem feito. Antes que eu me esqueça: uma vaia enorme para aqueles que pensam que já conquistaram e que não precisam fazer mais nada. Uma vaia maior ainda para quem se mostrou ser de um jeito no início e agora é outro, totalmente diferente. Um alguém que não aprovo mais. 

Trinta dias. Não preciso mais do barulho do ventilador para dormir e não subir na balança é uma libertação. Eu sei, era uma neura minha. Cada um que carregue sua cruz, não é mesmo? Cat Power continua caminhando comigo e dando todo o apoio quando preciso voltar para o meu eixo. Ontem eu sonhei que estava em um barco no meio do mar, perdida. Eu pedia ajuda para voltar para uma plataforma inicial. É a hora de regressar. O sonho queria me dizer isso.

Estou agradecida porque não me deslumbrei. Aprendi a usar mapas. Que orgulho de mim. Caminho sem rumo pela cidade e ganho alguns sorrisos. Eu releio coisas para não esquecer e faço as mesmas perguntas diárias para algumas pessoas que estão longe. Não sinto mais medo de me perder. Pelo contrário, me perder agora é meta.

Ainda não sei o que devo fazer quando chegar. Vou deixar que a vida se direcione da forma que ela achar melhor. Prometo obedecer.

Trinta dias. Reaprendi a beber vinho. O seco que antes descia com amargor e cara feia. Quando longe, a gente se permite e acaba aprendendo coisas. Deve ser isso. Dividir, respeitar, organizar, compreender. Tudo isso fica mais forte. Viver com as diferenças e jamais esquecer da gente. De onde vim e sei lá pra onde vou. Continuo com o desejo de viver aquela história bem simples. Será que continuarei rodando por aí sem ter isso?  

Você, que mora no meu destino precisa ser direto. Não temer se queres ficar por perto.
Ainda é fevereiro e parou de chover aqui dentro. Quero o claro a tranquilidade e o desequilíbrio ao mesmo tempo. Quero combinar coisas para assim que chegar. Quero que faça parte e não somente por 30 dias.

Tenho estado inspirada, mas continuo acreditando que tudo o que escrevo não serve pra nada. 

8 comentários:

Anônimo disse...

A cada texto que passa sinto mais orgulho de você. Embora em vários deles, como neste, tenha eu tomado seguidos puxões de orelha.
Mr.H

Érika Freire disse...

Minha vó dizia que só toma puxão de orelha quem merece. : ) rs

Anônimo disse...

Sua avó era uma mulher inteligente : )
Mr.H

Érika Freire disse...

Mr. H, quando toma puxão de orelha, o que você faz?
E sim, vovó era linda e sábia. : )

Anônimo disse...

Quando é merecido, aceito.
Se não mereço, relevo.
Mr.H

Érika Freire disse...

Tá certo...

Malu disse...

sem querer atrapalhar a conversa, passo por aqui apenas para dizer que amei o texto... beijoca

Érika Freire disse...

Malu, quem bom te encontrar por aqui!!!
Eu respondi seu email, chegou?
bjs.