Páginas

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Contrapontos e visões psicóticas na Gare du Nord


Deixei Barcelona rumo a Paris numa terça-feira, 21 de janeiro. Não poderia negar que estava um pouquinho assustada. Primeiro porque agora eu seguiria sozinha na viagem. Só iria encontrar minha amiga novamente em Roma, no dia 28. Em Paris e Londres eu estaria “sozinha”. Meu segundo receio era a “falta de paciência” dos franceses e ingleses, isso de ter ouvido dizer e lido em blogs de viagem. Na sala de embarque, ainda em Barcelona, sem querer encontrei uma francesa e fui lá confirmar uma informação. Ela foi um doce e logo começou a conversar comigo, em inglês, já que meu francês é 0. Ela começou a me contar o quanto estava chateada com os espanhóis.

- Aqui as pessoas não sorriem pra você. Você pede uma informação e eles são meio grosseiros.
Juro, eu não tinha presenciado nada daquilo. Todo mundo sorria pra mim. Eu pedia informação e eles me ajudavam, me ensinavam pelo mapa, um mexicano até segurou a porta do metrô para eu entrar. E depois se desculpou porque não sabia me informar o que eu tinha lhe perguntado. Enfim. Barcelona havia me recebido muito bem.

Aproveitei o tema e perguntei como era na França, Paris, precisamente.
- Lá eles dão informações sem nenhum problema.
- E eu posso perguntar as coisas em inglês? Ouvi dizer que eles não gostam muito, já que são apaixonados pelo idioma francês.
- Sim sim, não tem problema, eles respondem em inglês.

Aquilo me deixou mais calma. Conseguimos conversar bastante, ainda, e depois nos despedimos.
Sei que parece meio clichê eu dizer isso, mas quando desci no aeroporto Charles de Gaulle eu não estava acreditando. Havia entrado em outra dimensão. Estava tão acostumava a ver a cidade pelos filmes. Meia noite em Paris, do Woody Allen... tão divertido e agora ele fazia muito mais sentido. O casal de Antes de Por do Sol, bem à frente da Shakespare and Company. O extraordinário Ratatouille, o ratinho cozinheiro mais fofo de Paris. Enfim, a cidade já inspirou muita gente e agora eu sentia tudo aquilo de perto.
Assim que avistei o balcão de informações turísticas, me aproximei e a recepcionista disse:

- Bonjour, madame.
Eu estava em Paris!!!
Uma hora eu era madame, outras, mademoselle. Tão lindo! S’il vous plait. Pardon, Merci... ( Agora quero estudar francês :) )

Foi a cidade mais eficiente na hora de receber alguém e dar uma informação precisa. Eles imprimem o mapa do local onde você precisa chegar, no caso o hotel, e explicam as maneiras que você pode escolher. Peguei um trem rumo à Gare du Nord e lá eu teria que pegar um metrô para descer em Boucicaut. Meu hotel estaria ali.

Pelo trem, as primeiras cenas da cidade já me impressionaram. Um cenário meio escurecido pelo clima com pequenos castelinhos. Tudo era um filme. Só que quando cheguei à Gare du Nord eu quase tive um surto psicótico. Aquilo era uma bagunça. Não sabia para onde ir e acho que recebi uma cantada de um francês com cara de folgado. Ainda bem que não entendo patavinas do idioma, senão reforçaria meu pequeno mau humor.

Queria tentar resolver as coisas por mim mesma e andei um pouco aleatoriamente. A sensação que tive era de que eu nunca mais iria sair daquela Gare du Norde, um nome lindo e uma experiência terrível. Comecei a ter visões e me imaginei como no filme O Terminal. Sim, eu ia ficar os quatro dias presa naquela estação bagunçada, esqueça a Torre Eiffel, nada de Shakespare and Company, não vai ter café no Des 2 Moulins, você não vai subir os 387 degraus da Notre-Dame, não vai passar uma tarde apreciando o rio Sena, nada de artistas em Montmartre... Tudo aquilo parecia impossível. Como eu iria chegar aos monumentos, sendo que nem um metrô eu conseguia pegar? E também não iria chegar ao hotel. Adeus Paris, o sonho acabou.
Cansei e perguntei para o único homem que estava parado como se não houvesse o amanhã. O restante das pessoas corriam como se estivessem na Sé. É isso, a Gare du Nord é a nossa Sé.  

- Bonjour, please, i would like to arrives here. E mostrei o mapa para ele.

Ele explicou direitinho e eu segui na direção que ele mandou. Porém, eu teria que fazer a troca e lá, mais outro pequeno sufoco. Mas duas mulheres, acredito que mãe e filha, me ajudaram e disseram que eu não iria precisar mais trocar de metrô. Era só descer na Boucicaut.


Eu desci e finalmente eu subi aquelas escadas rumo ao paraíso e pude ver Paris, de perto. Eu saí exatamente na rua onde ficava o meu hotel. E a partir desse momento, tudo, tudo mesmo ficou fácil. Fiz o check in e corri, sim, eu ia ver a Torre Eiffel.     




387 degraus da Notre-Dame


Pont des Arts

Pedindo meu crepe com Nutella

Museu do Louvre

Montmartre


Des 2 Moulins, o café da Amèlie :)


5 comentários:

Lúcia disse...

A Gare du Nord é mesmo uma confusão.

Fernando disse...

Paris é legalzinha. Quem sabe eu volte lá num verão.

Érika Freire disse...

kkkkkk tu não vai acreditar, mas no meu texto sobre Londres eu disse quase isso: "Talvez eu volte a Londres" rsrs

MARIANA ESTEVES disse...

Adorei!!!!!!

MARIANA ESTEVES disse...

Adorei!!!!!!