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quinta-feira, 27 de março de 2014

God, save the Primark

Eu não andava muito animada em Londres, só chovia, chovia e chovia e eu sempre com os pés molhados, um saco. Fora que não estava tendo a mesma sorte que tive em Paris onde eu apenas seguia caminhando pela cidade e os pontos turísticos iam brotando à minha frente. Antes de chegar em Londres, havia combinado de encontrar uma amiga que estava morando na cidade, e marcamos para nos encontrarmos no domingo à tarde, depois do almoço.

Fazia um tempão que não encontrava a Ana Maria. A Ana é tipo assim: um dia ela está em Santos, dois meses depois ela me conta que está morando na Turquia (não é ironia, ela morou mesmo). Depois, ela volta pro Brasil e decide novamente conhecer o Egito. Ela também já morou em Chicago. Ela não para! E em Londres foi a mesma coisa. Tinha ido para passar duas semanas e decidiu ficar. Sorte minha, pois pude encontrá-la.


A tarde de domingo continuava chuvosa dificultando toda e qualquer intenção de se visitar pontos turísticos. Daí a Aninha me contou sobre um lugar muito mágico que ficava na Oxford Street, seu nome era Primark.

- Érika, tá vendo esse cachecol, quanto você acha que eu paguei?

Como ele era lindo demais e muito, mas muito grosso e quentinho, chutei 10 pounds.

- 3 pounds, ela respondeu, dando risada.

Imediatamente respondi: quero ir prá lá agora!!!

E lá fomos nós.

É um paraíso, a Torra Torra elegante de Londres. A 25 de março com teto e paredes. Dois andares enormes, muito grandes mesmo e tudo é muito barato, sem exagero. Sapatos lindos por 7 pounds, camisetas por 5, 3 pounds. E tem de tudo o que você possa imaginar, desde um anel até um edredom fofinho. Bolsas com símbolos importantes de Londres, todas coloridas, uma mais fofa que a outra. Eu pirei total naquela tarde. Não sabia para onde olhar, pois eu queria ver tudo! Sabe aquele filme "Delírios de consumo de Becky Bloom? Então, eu era ela!
Becky Bloom enlouquecida!


E é claro que eu não era a única brasileira pirando. Eu vi famílias inteiras literalmente enlouquecidas colocando tudo dentro dos carrinhos. As cenas eram muito engraçadas. Foi a melhor coisa que eu encontrei e fiz em Londres.

Aliás, o que ficou marcado para mim na cidade foi a moda, o estilo das roupas que você vê por lá. Para quem quer voltar para o Brasil com algo bem exclusivo, vale a visita. Mas tem que ser no Primark para quem quer mesmo economizar. Comprar muita coisa gastando realmente bem pouco.  

Outro mercado muito famoso por lá é o de Camden Town. Cheguei lá numa segunda-feira muito cedo, muito mesmo. O pessoal ainda estava armando as barraquinhas, mas eu não quis nem saber. Já fui olhando as coisas e, gente, quem gosta de vestido como eu, tem que ir lá. Não resisti e comprei dois com uma comerciante japonesa muito bacana que me fez uma promoção. São simplesmente incríveis!!! Mas não achei tão baratos, não. É que tudo em vista do Primark fica caro.

God, save the queen. (Só que não!) 
God, save the Primark!!! 


PS: A ideia da minha viagem por Paris, Londres e Roma era fazer um mochilão, bem característico. Tanto que deixei a mala maior em Barcelona, e coloquei tudo o que iria precisar, dentro de uma mochila de 60 litros. Acontece que quando eu cheguei em Londres, no Primark, para ser mais exata, fui obrigada a comprar outra mala para colocar todas as bugigangas que havia adquirido até aquele momento. 
Adeus, mochilão. #traindoche


Apenas uma parte do que comprei nas Europa, e a malinha rosa de fundo, a que acabou com meu mochilão. 

Duas peças que eu amei no Primark. O vestido lindo paguei 5 pounds e o Oxford 10. 
Esse comprei em Camden Town. Eu sei que tenho bom gosto. 

domingo, 23 de março de 2014

Renúncia




Tem gente que se deixa aproximar
E te dá o mundo
Recita palavras-poemas
Te pega pela mão e sai madrugada afora
Te prende, deixando sem ar
Olha nos olhos e você acredita
Naquele potencial
De mãos e enlaços firmes
Quando o vento sopra
A lua muda
E tudo se vai
Ignora. Não responde. Te deixa
Abandono em escala crescente
Silêncio no caminho de volta


sábado, 22 de março de 2014

domingo, 16 de março de 2014

Doutor Dukan não tem vez em Roma

A dieta Dukan ficou mundialmente conhecida depois que a princesa Kate resolveu fazer o regime para ficar ainda mais fininha e aparecer com todo charme e elegância no dia do seu casamento. Quem inventou a Dukan, que basicamente se resume a comer proteínas e abolir os carboidratos foi o médico francês Pierry Dukan. Na França a dieta é um sucesso e não é à toa que em Paris eu encontrei produtos Dukan  em diversos  supermercados. 

No Brasil, já tem uma loja online e muitos grupos no facebook para quem faz a dieta e quer trocar experiências. A Dukan é ótima, eu já fiz e emagreci 6 quilos. A verdade é que eu ainda estava fazendo a dieta antes de viajar, pois queria emagrecer mais um pouquinho. 

E é claro que eu tive que parar durante a viagem porque que graça teria chegar em Barcelona e não comer Tapas? Chegar em Paris e não tomar café? Chegar em Londres e não comer Fish and fries? E chegar finalmente em Roma e não comer pizza e macarrão? O problema é que em Roma só tem pizza e macarrão. Na padaria tem pizza, na farmácia tem pizza, na barraquinha da rua tem pizza. Os complementos são todos à base de carboidratos. Frango e batata, peixe com batata e até macarrão com batata.

É muito carboidrato para uma cidade só. Pães, tudo é pão e as vitrines são muito exageradas. Não são bonitas como em Paris, onde cada prato é muito bem enfeitado e eles parecem até combinar as cores e composições. Em Roma você vê uma vitrine com um bolo todo enfeitado, ao lado de uma balança, e depois uma garrafa de cachaça. Caixinhas e vidros e pães, e pizzas e pasta. Não importa a ordem dos fatores, a exigência parece ser muita, mas muita comida, fartura mesmo.

-Moço, hoje eu queria tanto uma proteína...
-Prego, prego... Temos a La Carbonara, pizza Marguerita... prego.
-Pão francês com manteiga, e só isso, dá pra ser?
-Prego, pão com queijo e presunto e maionese e um pedaço de melancia no meio.

Comer em Roma é uma hipérbole. O café com leite em uma pasticceria perto do hostel era servido em um copo de dois litros. Pão com manteiga, nunca! Tem que ter um queijo. Desconfio que eles nem saibam o que é um simples pão na chapa com manteiga, hum!!!

Enfim, carboidrato é rei em Roma e, caro senhor Dukan, tu não tem vez na Itália, maledeto!     












terça-feira, 11 de março de 2014

Sob o céu de Girona


Como em Antes do Amanhecer, tomaram o trem.
Ele queria entrar em todos os museus. Ela, passear aleatoriamente.
Ele a fotografava sem ela ver.
Se preocupava com suas pernas.
E se estivessem com frio,  as pernas?
Hey, melhor você ficar aqui.
Pegou seu Iphone e mostrou a ela suas preferências musicais.
Indicou aplicativos essenciais.
Deitou por alguns segundos no ombro dela.
Dividiram sobremesas.
Caminharam pela muralha.
Ela pensava:
O que será isso? O que quer de mim esse destino?
Quer que eu siga em frente.
Quer que eu abra portas, gigantes e sem voltar atrás.
Ele confessou a ela enquanto olhava o horizonte: ainda tenho o plano da família.
Ela riu.
Era apenas um comentário sobre futuro. Sobre medos.
Os medos dela eram outros. As músicas também.
O show de ontem à noite havia sido ruim.
Riram disso enquanto comiam biscoitos.
Apenas uma vírgula na história mal resolvida.
Ela sabia.
Os dois compartilhavam sonhos com mochilas nas costas.
Era uma cena de filme.
Tempestade em preto e branco.
Podia ser assim, quase sempre essa vida.
Sem términos.
Sem despedidas.  

quinta-feira, 6 de março de 2014

O que fica desse não-amor?



E tento não repetir
Palavras
Conversas
Caminhos
Perguntas
Só que ontem à noite um sonho me disse
Seja leve
E parei no impossível
Quem sabe se eu não vivesse
Se não fosse de verdade
Talvez não me repetisse tanto
Como não tem jeito
É sem notar que retrocedo no pensamento
Foram tantas as vezes que disse
Sinto saudade
Quero te ver
Fiz cara de triste
Acordei nublada e corri para uma igreja
Fechava os olhos
Abria o peito
Apertava as mãos
Não sei se foi aviso dos céus
Você vem e diz
Não espere por mim
Vou ficar por aqui, talvez pra sempre
E agora, que tenho que ir
Ainda não sei qual é o eixo
Nem o trecho
Farei como Manuel
Vou pra Pasárgada
Lá não terá você
Porque sou real
E estou farta dos amores comedidos

quarta-feira, 5 de março de 2014

Amélie e o café mais esperado em Paris


Rua Lepic, 18º arrondissement. Neste endereço de Paris está o Café Des 2 Moulins, um dos cenários do filme “O Fabuloso Destino de Amèlie Polain”. A personagem trabalhava neste estabelecimento que hoje virou ponto turístico. Isso para quem gosta do filme-fofinho. Como eu adoro, iniciei meu roteiro do dia 23 de janeiro, quinta-feira, penúltimo dia na cidade, por Montmartre.

Na famosa região artística e boêmia de Paris eu veria: a basílica de Sacré Coeur, várias coisitas de Salvador Dali, inclusive um museu, o Moulin Rouge e o Café Des 2 Moulins. Antes disso tudo, pude observar os diversos artistas de rua que te chamam para uma caricatura, as inúmeras barraquinhas com artesanatos bem bonitos e todo o bairro que é já é uma bela experiência.

Muito bem... mas o “café da Amèlie”, para um tanto de decepção, não encontra-se exatamente da mesma forma como no filme. Pelo menos para mim, ele pareceu bem menor e a tabacaria onde a personagem hipocondríaca Georgette trabalhava não existe mais.

O proprietário poderia cobrar bem mais caro por conta do local ter se tornado famoso. Mas não. Os preços são bem acessíveis e a gente acaba tendo que dividir a mesa com outras pessoas, já que está sempre cheio. Nesta quinta-feira (23), o café estava bem tranquilo. Nada de mesinhas do lado de fora e, dentro, havia ainda alguns lugares disponíveis. Tudo bem sussa.

Depois de tirar umas fotos, sentei e um garçom me ofereceu dois menus, um em inglês e outro em francês. Estava louca por um café, já havia tomado vários, mas esse tinha todo um simbolismo. Para ficar um pouquinho mais naquele ambiente tão gostoso, pedi uma sobremesa que estava uma delícia.


Me despedi de Amèlie e segui para o cemitério Père Lachaise. Era chegada a hora de fazer um turismo mórbido, queria visitar os túmulos de Oscar Wilde e Jim Morrison. 






segunda-feira, 3 de março de 2014

Ela é um sistema operacional

O que é possível ou não no amor? A distância que separa humanos por uma tela é a mesma que nos aproxima através de sistemas que, quando "dão pau", nos enlouquecem. Perdas são sempre terríveis.

No novo filme de Spike Jonze, "Her", somos levados a um futuro próximo. Seres humanos dividem suas intimidades com máquinas. Sistemas operacionais que ajudam a organizar o dia a dia, leem e respondem a emails com um simples controle de voz, avisam sobre reuniões agendadas.  Conversam, riem, trocam, se apaixonam. E eu me pergunto: esse futuro é mesmo distante? 

Joaquim Phoenix é Theodore que, na mistura entre o antigo e o novo, trabalha escrevendo cartas e joga um videogame hiper-realista. Sozinho na assustadora Los Angeles, ele conhece Samantha, sua mais nova aquisição em formato de celular com inteligência artificial. Não demora e logo ele se encanta pela voz alegre e quase sedutora que está sob a responsabilidade de Scarlett Johansson.


Ainda se recuperando de uma recente separação, Theodore está entregue ao novo. Acomodado na cidade cheia e solitária. Ele destoa do trânsito caótico e do metrô. Ele parece não ter pressa e se deixa levar. Também não parece sentir vergonha e revela com normalidade a alguns amigos o seu envolvimento com Samantha:   

"A mulher com quem tenho saído é um sistema operacional".

E é nesse tom de normalidade que o envolvimento dos dois vai sendo construído ao longo do filme. Theodore caminha com Samantha pelas ruas, eles fazem piquenique, eles se amam. Acontece que Samantha não está só, e Theodore não é o único. Ela atende a outros  8 mil usuários. É a promiscuidade presente na tecnologia. É a banalização do amor mais uma vez. E eu me pergunto: esse futuro é mesmo distante?

Em determinado momento ele se questiona: "Será que estou com ela por que não sou forte o bastante para ter um relacionamento de verdade? Em apoio, a amiga Amy, vivida por Amy Adams, responde: "E esse não é um relacionamento de verdade?"

"Her" vai ao Oscar com cinco indicações, inclusive de melhor filme, e já venceu o Globo de Ouro na categoria de Melhor Roteiro. O diretor, Spyke Jonze, tem em seu repertório filmes como “Onde Vivem os Monstros”, "Quero Ser John Malkovich" e "Adaptação ".

Em "Her" o que fica é a reflexão. O jeito como cada um lida com sua felicidade é o que menos importa. 



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Update: Ontem, "Her" ganhou o Oscar de melhor roteiro original. Mais que merecido.


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