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terça-feira, 11 de março de 2014

Sob o céu de Girona


Como em Antes do Amanhecer, tomaram o trem.
Ele queria entrar em todos os museus. Ela, passear aleatoriamente.
Ele a fotografava sem ela ver.
Se preocupava com suas pernas.
E se estivessem com frio,  as pernas?
Hey, melhor você ficar aqui.
Pegou seu Iphone e mostrou a ela suas preferências musicais.
Indicou aplicativos essenciais.
Deitou por alguns segundos no ombro dela.
Dividiram sobremesas.
Caminharam pela muralha.
Ela pensava:
O que será isso? O que quer de mim esse destino?
Quer que eu siga em frente.
Quer que eu abra portas, gigantes e sem voltar atrás.
Ele confessou a ela enquanto olhava o horizonte: ainda tenho o plano da família.
Ela riu.
Era apenas um comentário sobre futuro. Sobre medos.
Os medos dela eram outros. As músicas também.
O show de ontem à noite havia sido ruim.
Riram disso enquanto comiam biscoitos.
Apenas uma vírgula na história mal resolvida.
Ela sabia.
Os dois compartilhavam sonhos com mochilas nas costas.
Era uma cena de filme.
Tempestade em preto e branco.
Podia ser assim, quase sempre essa vida.
Sem términos.
Sem despedidas.  

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