Páginas

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Ausência

Fiquei parada por horas
Com música triste
Li alguns poemas, dos outros
Os que fiz pra ti, de nada serviram
Coloquei minha ausência ao lado da sua
E os dois solitários
Ainda estão e deverão ficar
Sentindo saudades como bobos
E morrerão enforcados pelo orgulho
E falta de coragem

terça-feira, 15 de abril de 2014

Procura-se personagem

Tem que saber sair de linha
Se jogar sem ter certeza se tem volta
Sem ter certeza de nada
Saber reconhecer sentimentos
E respeitá-los
Tem que viver seus desejos
E deixar transparecer uma ternura
Pode se embebedar
Só vou te observar
Depois escrevo tudo
Dessa vez, sem paixão
Apenas trabalho ficcional
Como o pintor que tem seu modelo
Nu é melhor
Que não mude de comportamento depois de seis meses
Que não tenha medo
Educação é importante
Que saiba fugir
E se perder por aí


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Trago seu amor de volta em três dias. Só que não

Desculpe por decepcioná-lo, mas eu não posso trazer seu amor de volta em três dias. Nem tirar seu nome do SPC, nem mandar sua sogra pra China só com passagem de ida, nem fazer com que sua esposa peça o divórcio... Estatísticas comprovam: os leitores do meu blog são macumbeiros.

E não falo dos caros três leitores fiéis que possuo. Falo da massa que invade esse blog diariamente, deixa o tráfego lento e quase que tira o danado do ar com tantos acessos, deixando o blog do Xico Sá no chinelo. Desculpa ae, cara.

Pra que poesia? Quem se importa com crônicas de viagem? E divagações aleatórias sobre filmes, livros e séries? Tudo isso é bobagem. O que realmente dá lucro, ou melhor, visitas, é uma macumbinha esperta.

Banho de sal grosso, cabeça de alho, pé de galinha, cidra cereser... tudo pra deixar Oxossi  feliz e o blogueiro contente. Estou mudando agora mesmo de tema, e quem sabe até de profissão. 

São seis anos de blog e um único texto que sustenta tudo isso: “Vou colocar teu nome no formigueiro”. Tem dias que o danado recebe cerca de 100 acessos, número esse que quase triplica em sextas-feiras 13, e também no aniversário do Tranca Rua. No total, já são quase 10 mil visualizações só desse texto ritualístico. Os pedidos de aconselhamento que chegam por email também são efusivos e constantes:

“Oi, bruxinha, isso funciona mesmo? Eu quero fazer...”

“Você atende pelo telefone? E por Skype é mais barato?”

“Eu posso fazer essa macumba em quintal que tem formigueiro? Me responde, por favor!”

Fico muito feliz com tamanho prestígio e, por favor, continuem acessando e preparando seus despachos.

O famoso texto, como quase tudo por aqui, não passa de uma crônica, uma narrativa quase real da vida loca que me cerca. Sou prestigiada por ter acesso a histórias meio doidas, e por morar perto de pessoas insanas. Isso contribui para quem gosta de escrever umas coisas.

Tem dias que acordo com batidas na janela. É alguém que vem me procurar para contar uma história. Tem gente que evita, já sabendo o que isso pode acontecer. Um tio quase me processou por colocar suas intimidades na rede. Eu não ligo, é o preço do sucesso.

Prometo voltar em breve com mais rituais. E quem souber de algum porreta pra desfazer um ebó, favor compartilhar. A blogueira agradece.

Até a próxima, pessoal. 


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Preâmbulo

O começo das coisas
Belas e puras
Esperança como segundas-feiras
Onde se vive com o pé no novo
Início
Páginas em branco
Chuva levando mágoas
Limpeza
E músicas que dizem verdades

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Convite pra viver sem medo

Pra que aliança? 
Pode ser de supetão pelas esquinas
Escuras
Quase um vento
E os cabelos grudando no braço. Dele
Pode ser de vez em quando
Desde que seja sincero
Esse sentimento sem nome
Nada de paixão muito menos amor
Não vamos classificar
Pode bilhetinhos eletrônicos. Pode
Pra comentar o ontem
E planejar uma viagem
Não pode sumir. Ficar sem dizer olá
Tem que ouvir música para recordar
No meio do poema inacabado, me pergunto
Para que servem palavras?
É possível recuperar encantos?
Ser livre por algumas horas?
Viver o desejo
Voltar naquele Outono
De sonhos reais
Onde vivíamos sem receios
Onde éramos de verdade



Cupido

Um curta pra quem é um eterno apaixonado... : )