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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Noite floral

Foi Bach que me acolheu hoje e me fez sorrir de leve
Eu errei e errei muito
Agora conserto oferecendo bondades
E esquecendo as promessas de afagos
Prometo deixar em paz
Você que se perdeu de mim
Prometo rumar pra longe
E aproveitar o silêncio
Não posso mais negar
Eu amo o ócio
Surpresas
E dias com pensamentos livres 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Aquele arrependimento mortal por ter feito merda.
Porque disse que sentia saudade e não recebeu nada de volta.
Por ter chorado mais tarde, de raiva por você ser assim, uma boba.
Essa é umas das piores coisas dessa vidinha. Sentar e esperar. Porque vai passar.
Cada dia eu te odeio mais.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

10 rabiscos sobre a relação mal acabada


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Tem dias que bate uma vontade de conversar com ele
Ligar, escrever, chamar
Ainda bem que eu sempre desisto
Desanimo porque todo aquele ardor já se foi  

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Antes de dormir eu sento na cama e penso
E agora, pra onde vou sem toda aquela atenção?

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Sábado à noite e aquele lugar lotado
Todo mundo dançando
Drinks e performances de gente perdida
É bom estar submergida ali também
Estou feliz
Até que um lembrete me diz
Onde será que ele está agora?

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Felicidade me tomou hoje do nada
Vontade de andar de bicicleta
Vejo toda aquela gente na orla
É um dia alegre
Só por hoje, não preciso de ninguém

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Hoje mais um dia sem notícias
Sem contato
Odeio a saudade

**                          
                                                                                                 
Tudo culpa das besteiras que escrevo aqui
Agora ele pensa que meus textos giram em torno dele
Tadinho... é tudo ficção

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Cada dia é uma vontade
A de hoje é de tocar piano
Tomara que amanhã seja a de sambar na sua cara      

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O cara que eu conheci no pet shop
Conversamos sobre nossos gatos
Temos afinidades
Mas eu já pedi desculpas a ele
Dessa vez não terá versos e prosas

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O cara do bar da esquina, ele
Que bebia com a mão no bolso
Me trouxe coisas boas
Ganhei concurso literário por causa dele

**

É a minha teimosia
Não é paixão
É cisma

A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer

Esse texto foi compartilhado mais de 757 mil vezes no facebook e realmente merece ser lido.



RUTH MANUS

Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:

“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.

Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.

Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.

Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”

Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.

O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens,  homens e velhos homens.

O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?

Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.

Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.

Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro.  Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.

Mas, escuta, alguém  lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?

Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.

“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”

Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.

O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?

E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.

No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Eu adoro os dias cinzas, porque parecem que esperanças brotam dali. 
É fácil gostar de dias ensolarados 
Difícil é ver ternura nas tempestades 

sábado, 14 de junho de 2014

O que "Into the wild" deixa

Também quero sair por aí, como Christopher.
Eu fico o tempo todo pensando no meu próximo destino. Ainda mais agora com essa onda de se tornar um nômade digital e morar a cada dois meses em um lugar diferente. Sonho. Para alguns já é realidade. Enquanto a coragem deles não me acomete. Eu sigo planejando.
É que a coisa piora quando você lê histórias de “quem largou tudo para viajar o mundo”. Elas pipocam na minha timeline. Só pode ser perseguição. Aí sem querer você assiste a um filme também sobre isso, Into the wild.

Muitas das inquietudes daquele jovem são as mesmas que as minhas e de alguns amigos meus também. Talvez a “geração” anterior soubesse lidar melhor com as regras e não se sentissem tão aprisionados como nos sentimos atualmente. Cada dia é como se fosse mais um dia perdido, um dia em que eu não vivi por não ter feito exatamente aquilo que eu queria.
A culpa é do capitalismo? O personagem tem certeza disso. Além de saber exatamente sobre a vida que seus pais vivem e que tentam levá-lo para também.
Já na estrada, conversando com uma das pessoas que ele encontra pelo caminho, esse alguém pergunta:
- E seus pais?
- Estão vivendo suas mentiras.
A resposta é dura. E tudo que é verdade dói mesmo. 

O personagem existiu, de fato. Christopher McCandless, nasceu na Califórnia em 1968, na cidade de El Segundo. “Um viajante americano”, descreve em dos sites... Da sua vida, originou-se o livro, Into the Wild, escrito pelo jornalista Jon Krakauer e também o filme, dirigido por Sean Penn, em 2007.
Ah, a trilha sonora... Combina com tudo, deixando o filme ainda mais envolvente. É a busca do jovem que quer fazer algo a mais, valorizando as coisas mais banais da vida. Dando as costas para a família e para o dinheiro. É um tapa na cara.
“Você pensa que você tem que querer mais do que precisa. Até você ter isso tudo, você não estará livre”, Eddie Vedder enfatiza na trilha sonora.

Várias cenas e momentos preciosos, mas esse pequeno diálogo para mim foi um tremendo aprendizado:





quarta-feira, 11 de junho de 2014

Eu estava em paz quando você chegou
Volta e bagunça minha vida outra vez

terça-feira, 3 de junho de 2014

Poema sem lirismo

Agora que sei que me rodeia
Lê o que escrevo
Fico tímida
Contida nas palavras
Ao som da valsa de Amélie
Não queria mais
Escrever de ti e sobre ti
Queria embarcar em um voo qualquer
Sem volta

E te afogar no Mediterrâneo

      
Foto - Érika Freire

domingo, 1 de junho de 2014

Sobre dores e adeus

Ainda não sei qual a necessidade das tempestades. Aprender, superar, levantar. Palavras que não gosto e que muitas vezes tenho que usar. Raiva, dor, ressentimento, mágoa. Combinam melhor com minha insignificante literatura. Por que tem escrito tão pouco?, pergunta alguém. Porque não tenho muito mais o que dizer. Como não? Sempre há o que dizer. No momento só iriam sair tristezas, raiva. E isso eu não queria sentir. Então você precisa escrever. Sei que ela está certa, que tem razão no que diz. E eu tento me entregar assim que ela se vai. Sem taças de vinho. A dor é pura e está só. Não precisa de companhia para nascerem os primeiros cortes e o sangue é intenso. Como tanta dor cabe aqui? Lágrimas para limpar, encerrar e se conformar com a falha. Ou com as coisas que não estão em nosso poder. Talvez eu tenha errado com palavras e gestos. Mas erra muito mais quem engana e quem trata mal. Indiferença. Por que tanta indiferença? Nem há preocupação se estou bem e se vou ficar calma com meu coração. Não, não quer saber de nada dessas coisas que fazem machucar. Cada um que cuide de si. Que vire a esquina e não olhe mais para trás simplesmente porque o outro decidiu sair sem dizer um até logo. Você deveria saber, diria algum mago cheio de poderes e sabedorias. Eu consigo imaginá-lo sobre a minha cabeça apontando lições. E quem é que vive bloqueada nessa vida? Parada para não ser atingida, tocada. Coração blindado, seria isso? Dói mais o jeito do outro com a gente do que a impossibilidade da entrega. Total.  E o ódio? É de mim, não se preocupe. Por ter dito coisas e feito poemas para quem não merecia. A palavra é sagrada e as que eu usei se perderam. Foram em vão. Queria guardar bons momentos e frases sobre o tempo que foram usadas no auge da história. Só que a dor apagou tudo, ela me faz questionar se eram verdades aquelas belas frases. Ficção e realidade. Ou mentiras mesmo, descaradas de quem não sente dó do próximo. Não é possível, meu outro eu sugere: é claro que foi verdade. Os sentimentos, eles se entregam. Foram verdadeiros. E então, o que justificaria toda essa indiferença? Quem gosta tem o cuidado do artista que pinta. Toca a tela com delicadeza, escolhe as cores, os tons. Pinta aberrações quando necessário, sem perder a elegância e a destreza que a arte exige. Falta-me sabedoria, caro senhor mago. Eu não sei definir ainda os seres humanos. Nem sentimentos exaustos ou pouco claros. De gente que não se entrega nunca. Ou quando faz, recolhe a rede sem ressentimentos. O que eu sinto ou senti, não interessa mais. Se você vai ficar bem, também não é da minha conta. Isso, não sou eu que penso. Mas você sim. O que eu penso não cabe, por enquanto, por aqui.