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domingo, 30 de agosto de 2015

Como se fosse imune ao frio, havia escolhido um shorts naquele dia. Pegou um casaco apenas para combinar com os sapatos. Ainda não era inverno para se empacotar por inteira. Já bastavam todos os sonhos embaixo de cobertas enormes e pesadas. Costumava dizer que as pessoas não se encontravam por aí, nos cafés, nos bares, na entrada do cinema...Isso era coisa de filme francês. E dizia com uma ponta de esperança de que estivesse errada. Tinha guardado na memória a imagem do cara que a tiraria do eixo. Inevitável, as primeiras impressões se apegam à aparência e sabia que daquele tipo ainda não havia chegado nem perto. Tinha que ter os cabelos grisalhos, jeito tranquilo, olhar sensível e mãos fortes. As mãos definitivamente são importantes.

Foi naquele ponto de ônibus escuro, parada sozinha após um dia cheio. Atravessou a rua vestindo jeans e uma jaqueta preta. Era ele.   

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Já sei faz tempo que não tem jeito, que o tempo está correndo tão depressa e quase tudo do seu lado está imóvel, intacto. Do lado de cá, eu sinto que transbordei, não tem mais espaço para mim dentro da cidade. Eu não represento nenhum estilo, estou fora de moda da vida típica, estou de lado.
Eu sei tudo o que preciso fazer, sei que preciso ir embora, mas quem disse que vou em paz sem ao menos um fim de semana feito de nós? Eu não aceito isso. Preciso do seu sentimento e consentimento. Estou quase implorando para você me jogar, xingar, dizer que me odeia. Aí quem sabe eu vou embora de vez.

Enquanto sigo sem palavras, me faltam verbos, torço cá dentro para que a rebeldia se aproxime de ti. Sua vida tem que ser mais doida, por favor.